Parlamento russo acusa IAAF de "utilizar desporto como arma de luta política"
O Parlamento russo acusou hoje a Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF) de "utilizar o desporto como arma de luta política", recuperando para o Rio2016 a figura dos boicotes aos Jogos Olímpicos do período da Guerra Fria.
A algumas horas de o Comité Olímpico Internacional (COI) poder alargar a suspensão da Rússia -- por agora apenas limitada ao atletismo -- a todos os desportos, os 429 deputados da Duma aprovaram, por unanimidade, uma resolução em que qualifica o afastamento do Rio2016 de "violação dos direitos do Homem".
"Parecia que tinha passado o tempo em que se utilizava o desporto como instrumento de luta política, promovendo boicotes aos Jogos Olímpicos, devido a desacordos na natureza política. Mas há quem, hoje em dia, tente recuperar essa arma com cheiro a naftalina", acusaram os deputados russos.
O Parlamento russo lembrava o boicote de vários países, entre os quais os Estados Unidos, aos Jogos de Moscovo, em 1980, na sequência da invasão soviética do Afeganistão, que teve resposta idêntica por parte da União Soviética e dos países-satélite em 1984, em Los Angeles.
Na segunda-feira, o presidente da Agência Mundial Antidopagem (AMA), Craig Reedie, admitiu a possibilidade de alargar a todos os desportistas russos a proibição de participarem nos Jogos do Rio de Janeiro.
Na sexta-feira, a IAAF tinha anunciado a manutenção da suspensão da Federação Russa de Atletismo das competições internacionais, o que implicará a ausência daquela potência nos Jogos Olímpicos que se vão realizar no Brasil.
A Rússia, segunda potência mundial do atletismo, atrás dos Estados Unidos, foi suspensa em novembro de 2015 após um `demolidor` relatório independente da AMA, em que se denunciava um esquema de doping institucionalizado na Rússia.
No início de maio, a IAAF nomeou o canadiano Richard McLaren para dirigir a equipa que está a investigar as novas acusações de dopagem sobre desportistas russos que participaram nos Jogos Olímpicos de Inverno Sochi2014, feitas por um antigo chefe do laboratório antidopagem russo.
Grigory Rodchenkov, que se demitiu do cargo em novembro de 2015, afirmou à imprensa norte-americana que os atletas russos nos Jogos de Inverno de 2014 beneficiaram de um sistema de dopagem supervisionado pelo governo russo, estimando que vários atletas russos, nomeadamente 15 medalhados olímpicos, beneficiaram desse sistema.