Benfica conquista Eusébio Cup

O Benfica conquistou este sábado ac em futebol, ao derrotar, no Estádio da Luz, em Lisboa, os ingleses do Arsenal por 2-1.

RTP /
Aimar festeja com os colegas Reuters

De uma penada, Jorge Jesus lançou no ataque os "baixinhos" Nolito, Aimar,
Gaitán e Saviola e trocou no "miolo" o "pinheiro" Matic pelo versátil belga
Witsel, o que transformou radicalmente o futebol da equipa após o intervalo.

Para se ser rigoroso, há que reconhecer que o Arsenal da segunda parte
também não foi o mesmo da primeira, em face das alterações introduzidas
pelo técnico Arséne Wenger, nomeadamente as saídas de Arshavin e de Van
Persie.

No entanto, esse facto não minimiza a metamorfose que sofreu o futebol
"encarnado" na segunda parte com a entrada em campo dos seus jogadores tecnicamente
mais valiosos, versáteis, velozes, de baixo centro de gravidade e difíceis
de travar.

Por outro lado, as alterações que Jesus procedeu ao intervalo permitiram
ao Benfica ser uma equipa muito mais equilibrada em termos táticos, ter
posse de bola e profundidade ofensiva, aspetos em que falhou rotundamente
durante a primeira parte, na qual nunca foi capaz de sair a jogar com segurança.

No plano tático, o Benfica passou a ter, ao invés do primeiro tempo,
dois extremos (Gaitán e Nolito), um número 10 (Aimar) e um ponta de lança
móvel (Saviola), sem sacrificar dois médios de marcação (Javi e Witsel).


A transformação cedo deu frutos, cinco minutos após o intervalo, quando
Aimar, numa jogada de Gaitán à linha, anulou o golo de vantagem do Arsenal,
marcado por Van Persie, aos 34 minutos.

Com um número 8 (Witsel) capaz de marcar e de "esticar" o jogo e com
quatro virtuosos como Nolito, Aimar, Gaitán e Saviola, o Benfica passou
a criar grandes dificuldades ao Arsenal com a sua circulação de bola rasteira
e capacidade de ganharem lances e provocar desequilíbrios.

Quando Nolito assinou o segundo golo, aos 60 minutos, já o Benfica o
justificava, tendo precisado de apenas um quarto de hora para dar a volta
ao jogo. De resto, o resultado acabou por se revelar lisonjeiro para os
ingleses, visto que o Benfica criou oportunidades para o ampliar.

O treinador do Benfica lavrou num equívoco durante toda a primeira parte,
ao pretender conciliar dois médios defensivos com dois pontas de lança,
opção esta que comprometeu a eficácia das transições ofensivas.

Percebe-se a opção por dois médios de cobertura face a uma equipa de
"top" mundial como o Arsenal, que se desdobra num 4x1x4x1 quando ataca,
com Gervinho e Arshavin sobre as alas e Rosicky e Ramsey pelo meio, sobre
cuja marcação Jesus encarregou Javi Garcia e Matic.

No entanto, ao pretender jogar com dois pontas de lança -- Jara mais
móvel no apoio a Cardozo --, Jesus condicionou o raio de ação do seu número
10, Bruno César, forçado quase sistematicamente a cair para uma das alas,
para equilibrar a equipa que só tinha um de raiz, o argentino Enzo Perez.

O médio brasileiro, jogador com características de armador de jogo,
mas de curto raio de ação, andou toda a primeira parte à deriva, sem encontrar
uma posição em campo que lhe permitisse pegar no jogo e ser o elo de ligação
entre o meio-campo e o seu ataque.

A agravar as dificuldades do Benfica nas saídas para o ataque o facto
de o "pinheiro" Matic ser claramente um jogador tecnicamente limitado, inseguro
no passe e incapaz de sair a jogar e penetrar terrenos mais adiantados.



Jogo no Estádio da Luz, em Lisboa.

Benfica -- Arsenal, 2-1.

Ao intervalo: 0-1.

Marcadores:

0-1, Van Persie, 34 minutos.

1-1, Aimar, 50.

2-1, Nolito, 60.



Equipas:

- Benfica: Eduardo (Artur, 46), Ruben Amorim (Ruben Pinto, 86), Luisão
(Fábio Faria, 89), Garay (Jardel, 46), Emerson (Capdevila, 46), Javi Garcia
(David Simão, 90+1), Bruno César (Nolito, 46), Matic (Witsel, 46), Enzo
Peres (Gaitan, 46, Urreta, 86), Cardozo (Aimar, 46) e Jara (Saviola, 46,
Mora, 86).

(Suplentes: Artur, Nolito, Aimar, Nuno Coelho, Gaitan, Rodrigo Mora,
Urreta, David Simão, Witsel, Saviola, Jardel, Ruben Pinto, Capdevila, Fábio
Faria e Varela).

- Arsenal: Szczesny (Fabianski, 46), Sagna (Jenkinson, 46), Djourou
(Squillaci, 46), Vermaelen (Miguel, 85), Gibbs (Traoré, 56), Rosicky (Lansbury,
66), Song (Frimpong, 46), Ramsey, Arshavin (Miyaichi, 46), Van Persie (Chamakh,
46) e Gervinho.

(Suplentes: Fabianski, Squillaci, Jenkinson, Chamakh, Traoré, Frimpong,
Miyaichi, Lansbury e Miguel).



Árbitro: Duarte Gomes (AF Lisboa).

Ação disciplinar: Cartão amarelo para Rosicky (22), Garay (40) e Vermaelen
(76).

Assistência: 40.883 espetadores.



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