Benfica volta a sagrar-se campeão nacional de râguebi 25 anos depois

Benfica volta a sagrar-se campeão nacional de râguebi 25 anos depois

Um Benfica “contra o mundo” voltou hoje, 25 anos depois, a celebrar o título de campeão nacional de râguebi, apesar de perder, em Cascais (28-14), e de jogar toda a segunda parte em inferioridade numérica.

Lusa /
Foto: Isabel Cutileiro / SL Benfica

Dois ensaios na etapa complementar, de Manuel Fati (64 minutos) e Hayden Hann (79), ambos transformados por Juan Pablo Castro, asseguraram que o Cascais não conseguisse o ponto de bónus ofensivo e precipitaram a festa 'encarnada' no Hipódromo Manuel Possolo.

Segundo o Regulamento Geral de Competições da Federação Portuguesa de Rugbby, para somar o ponto de bónus ofensivo, para além de conseguir quatro ensaios, é preciso manter uma diferença de pelo menos três em relação ao adversário.

Por isso, quando Hann cruzou a linha de meta perto do fim do tempo regulamentar, tornou insuficientes os ensaios do Cascais, de António Vidinha (35), José Gomes (40+3), Santiago Jara (71) e Vasco Correia (80+5), numa partida em que o clube da Luz jogou 30 minutos em inferioridade numérica na segunda parte.

É que o médio de formação Elliott Ryan, melhor marcador de ensaios da Divisão de Honra (12), viu um cartão vermelho direto em cima do intervalo e o Cascais chegou ao segundo ensaio (14-0) ainda antes do descanso.

Os ‘astros’ pareciam alinhar-se a favor da equipa da casa, mas a união benfiquista e, já agora, a indisciplina de Nico Griffiths (54), que viu um cartão amarelo e permitiu um reequilíbrio de forças durante 10 minutos, permitiram ao clube da Luz chegar também ao ensaio de Fati (64) e ganhar um novo alento.

“O Elliott foi mal expulso, na minha opinião, e todos tiveram de dar mais um bocadinho por ele. A primeira coisa que disseram no balneário, ao intervalo, foi isso: ‘Vamos ganhar isto por ti’. Sem eu dizer nada. Todos deram um bocadinho mais pelo Elliott”, revelou o treinador do Benfica, António Aguilar.

Antigo internacional português, que participou na estreia de Portugal num Mundial de râguebi, o França2007, o técnico explicou que foi uma questão de lembrar aos jogadores “o fundamental do râguebi”.

“Ser um coletivo e lutar uns pelos outros. O objetivo era ganhar, mas o importante é que eles lutaram uns pelos outros. Foi um jogo de combate puro, uns pelos outros, e aí viu-se o caráter desta equipa”, exultou.

Por isso, no segundo tempo, foi determinante o papel dos avançados, desde esta época treinados por Francisco Fernandes, outro antigo internacional português que, há três anos, esteve no Mundial de França2023.

O autor de um ensaio na histórica vitória contra as Fiji (24-23), a primeira de Portugal num Campeonato do Mundo, ‘pendurou as botas’ há um ano e regressou a Portugal, de onde emigrou, com os pais, ainda em criança, para treinar o ‘pack’ das ‘águias’ e ficou surpreendido com a realidade que encontrou.

“Não estava à espera disto. Ninguém gosta do Benfica [no râguebi português]. Ganhámos mesmo sozinhos. Nós contra o mundo, o nosso Benfica contra o mundo”, exultou o antigo pilar do Béziers, da Pro D2 francesa, ao longo de 14 anos.

Hoje com 40 anos, Fernandes era um adolescente de 15 'primaveras' a dar os primeiros passos nos escalões de formação, em França, na última vez que o Benfica celebrou um título na modalidade da bola oval, longe de imaginar que viria a vestir a camisola de Portugal mais de 50 vezes ao longo da carreira.

Mas o terceira linha Tomás Picado ainda estava para nascer, em setembro de 2001, exatamente quatro meses após um triunfo ‘encarnado’ em Coimbra, frente à Académica, também na última jornada, que valeu ao clube da Luz o seu nono e, até hoje, último título de campeão.

“Quando a malta diz que não contribuímos nada para o râguebi português, eu acho que se enganam muito. O râguebi do Benfica só eleva o râguebi português. Quando dizem que não trazemos nada de bom, enganam-se, porque não veem o que fazemos todos os dias”, desabafou o capitão.

Nessa altura, já os fumos vermelhos tomavam conta do relvado do Hipódromo Manuel Possolo, em Cascais, mas o presidente do Benfica, Rui Costa, rumava ao Estoril, ali ao lado - onde a equipa de futebol ainda iria lutar pelo acesso à Liga dos Campeões -, sem ver a entrega do troféu aos novos campeões nacionais.

Contudo, o líder máximo do clube foi uma presença assídua nos jogos de râguebi ao longo da época, e já tinha estado no Estádio Universitário de Lisboa, quando as ‘águias’ desperdiçaram o primeiro ‘match point’ frente ao CDUL (27-27).

Já não vai ver, nesta época, a equipa orientada por António Aguilar a subir ao relvado do Estádio da Luz no intervalo de um encontro da equipa de futebol, mas isso, para o técnico, não é o mais importante neste momento.

“O importante é ganhar. Esses que extras, que vêm ao ser parte de um clube tão grande como o Benfica, são importantes, claro, mas o que é realente importante é ser campeão”, concluiu o treinador.
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