Bruno Carvalho pondera não votar

Bruno Carvalho afirmou esta tarde que mantém-se na corrida à presidência do Benfica, mas ainda está a ponderar se vai ou não exercer o seu direito de voto. O advogado do candidato, Francisco Pimentel, defendeu que, perante a actual situação, os sócios não são obrigados a votar.

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Bruno Carvalho continua a considerar a lista de Vieira ilegal Foto: RTP/Antena 1

Após o presidente da Mesa da Assembleia Geral do Benfica, Manuel Vilarinho, ter confirmado que as eleições para os órgãos sociais do clube vão realizar-se esta sexta-feira com as listas de Luís Filipe Vieira e Bruno Carvalho, o candidato da lista B afirmou que não desiste da corrida, mas disse que ainda não decidiu se vai votar.

"Neste momento estou a ponderar não ir votar. Este processo deixa-me muito triste. Passando esta fase, provavelmente irei votar amanhã, mas é com grande desgosto que o farei", disse Bruno Carvalho, referindo ainda que é "uma pessoa corajosa" e não tem "o menor medo de ir votar".

"A coisa mais engraçada das palavras do presidente da Mesa da Assembleia Geral é que, numa aparente normalidade e apelo à calma, está a exaltar os ânimos nestas eleições, como aliás se viu na quarta-feira, em Évora, no jantar de Luís Filipe Vieira", frisou.

Bruno Carvalho explicou que continua a considerar a lista A - que é encabeçada por Vieira - como ilegal.

"É a primeira vez, em mais de 100 anos de história do Benfica que o clube desobedece a uma decisão judicial e que viola de forma consciente a lei. Este é o momento mais baixo na história do Benfica", referiu.

"Há pessoas que tentam colar a minha imagem à de Vale e Azevedo, mas isto é muito pior do que o que acontecia nessa altura", acrescentou.

Questionado se pondera não ir à Luz votar por receio de agressões físicas, Bruno Carvalho nega: "Se for, vou com toda a coragem. Se não for é porque sinto as pessoas tristes com o que se passa no Benfica e com este desrespeito da lei".

Bruno Carvalho não revela se pondera avançar com outra providência cautelar caso a lista A não seja retirada. "Logo veremos. Ainda há tempo para que a lista A seja retirada. É importante cumprir os estatutos do Benfica", sublinhou.

Advogado diz que já não é obrigatório votar

O advogado de Bruno Carvalho defendeu que a obrigação de votar desapareceu na actual conjuntura.

"As violações que estão a ser feitas são de tal maneira graves que eu entendo que desapareceu a obrigação estatutária de se votar. Perante uma Assembleia que viola os estatutos, a lei e o respeito que os tribunais merecem, a obrigação de os associados votarem não é neste momento visível", considerou Francisco Pimentel.

"É natural que o Ministério Público tenha indicações para impedir que se cometa uma ilegalidade", disse ainda, no final da conferência de imprensa de Bruno Carvalho.

Francisco Pimentel aconselhou Manuel Vilarinho a procurar "o despacho de citação do juiz no meio da papelada", desmentindo-o ao referir que Bruno Carvalho "nunca disse que iria meter ou deixar de meter uma providência cautelar". "O que se pediu foi que Luís Filipe Vieira fosse declarado como inadmissível por falta de capacidade elegível", sublinhou.

O advogado lembrou o número 3 do artigo 397 do Código de Processo Civil, segundo o qual a partir da citação, e enquanto não for julgado em 1ª instância, não é lícito à associação ou sociedade executar a deliberação impugnada [isto é, a Assembleia Geral eleitoral].

"Se Manuel Vilarinho tiver cinco minutos para ler o artigo 56 dos estatutos do Benfica perceberá que o acto eleitoral é uma Assembleia Geral em reunião permanente", esclareceu, frisando que "não foi um advogado ou solicitador" a emitir o despacho, "mas sim um juiz", o que significa que "é para cumprir". Caso contrário, "incorre-se num acto de desobediência a um tribunal".
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