Marco Silva e o "incómodo" do segundo lugar

Marco Silva e o "incómodo" do segundo lugar

Marco Silva reconheceu que “não é agradável olhar para a classificação” da I Liga, em que o Benfica segue em segundo lugar, e insistiu que só resta à sua equipa continuar a ganhar jogos.

RTP / Adicionar como fonte informativa
EPA

“Não é agradável olhar para a classificação, [mas] é o que é. Quem não gostar muito de olhar, não olhe. Quem não sentir absolutamente nada, se não tiver influência nenhuma no rendimento, pode olhar”, desabafou o técnico, no Seixal, durante a antevisão da visita ao Santa Clara.

Questionado sobre a margem de erro dos ‘encarnados’, que seguem a oito pontos do FC Porto, que já venceu o seu encontro da nona jornada, Marco Silva reforçou que “não adianta gastar energia a pensar nisso” e colocou o foco no seu próprio grupo e na conquista de mais três pontos.

“Eu já disse aos jogadores, nós temos é de olhar para nós e ganhar os nossos jogos semana após semana. E continuar a trabalhar para os ganhar, que é muito difícil”, apontou.

No mesmo sentido, apesar de o Benfica, ofensivamente, registar o melhor arranque de época desde 1989/90, com 53 golos em 17 jogos, e de entusiasmar os adeptos e a crítica com as suas prestações, o treinador foi taxativo quando questionado se a sua equipa é a que joga, neste momento, o melhor futebol em Portugal.

“Não é isso que a classificação diz. Nós temos o nosso caminho, queremos segui-lo, ganhar jogos acima de tudo. Não estamos no clube para sermos os mais bonitos da festa, não queremos ser aqueles que vestem melhor, que fazem tudo mais bonito. Queremos, sim, progredir como equipa, ganhar jogos e conquistar títulos”, ripostou Silva.

Para isso, o técnico já vai poder contar com Jhon Durán na viagem aos Açores, apesar das notícias que indicavam que o avançado poderia estar ausente até ao próximo ano civil por lesão.

A estimativa era a mesma que é apontada a Leandro Barreiro, mas o técnico conta com o luxemburguês antes dessa data.

“Não querendo ser muito positivo, parece-me que poderá estar [disponível] antes. Não querendo meter pressão, nem no jogador, nem no nosso departamento médico, parece-me que estará antes”, adiantou o técnico que, para além de Barreiro, também não conta com Banjaqui, Barrenechea e Kamisnky.

O Benfica visita o Santa Clara na segunda-feira, em partida que encerra a nona jornada da I Liga portuguesa de futebol e tem início previsto para as 18:45, no Estádio de São Miguel, em Ponta Delgada, e arbitragem de Cláudio Pereira, da associação de Aveiro.

A equipa orientada por Marco Silva procura vencer para repor em cinco pontos a distância para o líder do campeonato, o FC Porto, que no sábado venceu o Gil Vicente (1-0, fora) e manter-se um ponto à frente de Sporting, mesmo que os ‘leões’ vençam hoje o Académico de Viseu, em Alvalade.

O Santa Clara, por sua vez, segue logo atrás dos dois rivais de Lisboa, em quarto lugar, com os mesmos 18 pontos que o Sporting e pode ultrapassar o Benfica se vencer os ‘encarnados’. O conjunto orientado por Petit é a ‘sensação’ do campeonato e mereceu elogios de Marco Silva.

“Uma equipa muito boa, bem organizada, bem treinada, que nos irá criar problemas e que vai exigir um Benfica ao máximo das suas possibilidades para podermos obter os três pontos, que é o nosso objetivo”, analisou o técnico ‘encarnado’.

Conciliar Prestianni e Schjelderup

Marco Silva revelou o “objetivo” de conciliar Prestianni e Schjelderup na equipa titular e apontou o rendimento “fenomenal” do argentino como responsável pela menor utilização do norueguês.

“Eu quero muito que os dois estejam no ‘onze’, gostava muito de conseguir conciliar os dois ao mais alto nível. É esse o meu objetivo, porque estamos a falar de dois grandes talentos”, admitiu o técnico.

Lembrando que “desde a última paragem” das competições de clubes, no início do mês, os dois “jogaram o mesmo número de jogos a titular”, Marco Silva identificou, no entanto, uma “questão que é clara” e que “tem a ver com o rendimento de Prestianni à esquerda” para explicar a menor utilização de Schjelderup.

“Tem tido um princípio de época fenomenal. Temos usado muito o Prestianni à esquerda porque, sinceramente, é onde ele rende mais. O Andreas [Schjelderup] também é um jogador que eu adoro, um talento grande que temos na nossa casa e é uma competição muito grande entre os dois”, começou por introduzir Marco Silva.

Por isso, “a melhor forma de tirar o melhor rendimento dos dois jogadores” é a “questão” que o técnico tem “na cabeça” por estes dias, sabendo que “a melhor posição para os dois é jogar à esquerda”.

“Claramente, são dois jogadores que interpretam o jogo de uma forma que me agrada bastante, como treinador. Iremos ver quantas vezes vou conseguir conciliá-los e colocá-los ao melhor nível no ‘onze’ do Benfica”, concluiu.

Para a mesma posição, concorre ainda Echeverri, emprestado pelo Manchester City ao Benfica, com opção de compra pelo clube da Luz.

Sem questionar a qualidade do argentino, que “tem muita”, Marco Silva adiou, no entanto, uma decisão sobre a sua eventual contratação definitiva, alegando que o clube tem “muito tempo para o fazer” até ao final da época.

“O jogador sabe que nós estamos satisfeitos com ele, nós sabemos o talento que temos dentro de casa para trabalhar e o jogador tem de continuar a trabalhar. E muito. Não costumamos tomar decisões baseadas em um mês ou em dois ou três jogos”, justificou o técnico ‘encarnado’.

(Com Lusa)
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