Morreu Fernando Martins, antigo presidente do Benfica

O antigo presidente do Benfica Fernando Martins morreu hoje aos 96 anos, informou o clube no seu sítio oficial na internet. Fernando Martins fica na história do Benfica por ter sido o presidente que concluiu a construção do emblemático terceiro anel do Estádio da Luz, transformando o recinto "encarnado" no maior da Europa e no terceiro maior do Mundo. Fernando Martins conduziu o clube da Luz entre 1981 e 1987.

Lusa /
Fernando Martins DR

O presidente do Benfica deixou uma mensagem de pesar na página na internet. Luís Filipe Vieira destacou as "convicções, pelo exemplo de carácter" de uma pessoa que será "recordada como uma figura incontornável da vida do Sport Lisboa e Benfica".

"Nunca estamos preparados para nos despedir de alguém que admiramos e em cujo exemplo nos fomos sempre apoiando. Pelas suas convicções, pelo exemplo de carácter e por tudo quanto fez pelo Clube, Fernando Martins será sempre recordado como uma figura incontornável da vida do Sport Lisboa e Benfica. Perdi um amigo e uma pessoa em quem muitas vezes procurei conselho. À sua família quero deixar um abraço amigo num momento que é sempre muito difícil, aos benfiquistas o pedido de continuarmos a honrar a sua memória com a dedicação que ele sempre pôs ao serviço do Clube", disse Luís Filipe Vieira a propósito do falecimento de Fernando Martins.

Fernando Martins, o presidente que transformou o Estádio da Luz no maior da Europa


Fernando Martins fica na história do Benfica por ter sido o presidente que concluiu a construção do emblemático terceiro anel do Estádio da Luz, transformando o recinto "encarnado" no maior da Europa e no terceiro maior do Mundo.

Presidente do Benfica durante seis anos, entre 1981 e 1987, Fernando
Martins, que hoje morreu aos 96 anos, é ainda lembrado pelo acabamento do pavilhão polidesportivo Borges Coutinho, mas também por ter liderado os destinos do clube lisboeta numa altura em que começou a perder o protagonismo para o FC Porto, sob a presidência de Pinto da Costa.

Nascido a 25 de Janeiro de 1917, em Paúl, Alenquer, Fernando Martins
era um dos sócios mais antigos do Benfica, tendo sido eleito sucessivamente para três mandatos como presidente, entre 29 de maio de 1981, sucedendo a outro líder histórico, Ferreira Queimado, e 27 de março de 1987, altura em que foi substituído por João Santos.

Nos seis anos em que se manteve como 27. presidente da Direção, o Benfica sagrou-se bicampeão português de futebol, em 1982/1983 e 1983/1984, sob o comando do treinador sueco Sven-Goran Eriksson, e conquistou três Taças de Portugal (1982/1983, 1984/1985, 1985/1986) e uma Supertaça portuguesa, em 1984/1985.

Apesar do relativo sucesso interno, já então ameaçado pela ascensão
do FC Porto, o Benfica passou ao lado das conquistas europeias, tendo como melhor resultado a presença na final da extinta Taça UEFA, em 1983, perdida para o Anderlecht, ao empatar 1-1 no "Inferno da Luz", depois de ter perdido por 1-0 na Bélgica.

As proezas desportivas alcançadas durante os seus mandatos não suficientes para marcar a sua passagem pela presidência do Benfica, que ficará para sempre associada à conclusão do terceiro anel, em 1985, que dotou o Estádio da Luz de 120.000 lugares, uma lotação várias vezes ultrapassada, uma vez que não existiam cadeiras individuais como se verifica no atual recinto.

Abriu novos caminhos - nem sempre isentos de polémica - na gestão do clube, como a utilização pela primeira vez de publicidade nas camisolas
dos jogadores, deixando como herança para o sucessor, João Santos, a "dobradinha" na temporada 1986/1987, com os triunfos no campeonato e na Taça de Portugal.

Apesar de apenas ter chegado à presidência em 1981, Fernando Martins
começou a desempenhar funções no clube muito antes, em 1965, como suplente no Conselho Fiscal, tendo presidido a Comissão de Obras do Novo Parque de Jogos entre 1967 e 1968, antes de chegar à presidência da Direção.

Fernando Martins deixou o Benfica a 27 de março de 1987, já com a distinção de "Águia de Ouro", a mais alta do clube lisboeta, atribuída na Assembleia Geral de 16 de março de 1984.
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