UEFA investiga acusações de racismo na Luz. Benfica reage e fala em transparência

UEFA investiga acusações de racismo na Luz. Benfica reage e fala em transparência

O triunfo do Real Madrid frente ao Benfica na última noite europeia acabou manchado pela denúncia de insultos racistas. A UEFA já reagiu e garante estar a analisar o caso que envolve Prestianni e Vini Jr. O clube encarnado já reagiu em comunicado e assume "o seu compromisso histórico e intransigente com a defesa dos valores da igualdade, do respeito e da inclusão".

RTP /
Foto: José Sena Goulão - Lusa

O jogo no Estádio de Luz retomou empatado a zero à entrada para a segunda parte. Ao minuto 50, no entanto, a partida acabou interrompida, como obriga o protocolo da UEFA, após denúncia de um comentário racista de Gianluca Prestianni, que se seguiu ao golo solitário de Vinícius Júnior.

A UEFA já reagiu publicamente, abriu uma investigação e nomeou um Inspetor de Ética e Disciplina para averiguar a existência de alegados comportamentos discriminatórios no encontro entre Benfica e Real Madrid, da Liga dos Campeões de futebol, anunciou o organismo.

“Um Inspetor de Ética e Disciplina foi nomeado para investigar alegados comportamentos discriminatórios durante a partida do play-off da Liga dos Campeões 2025/26 entre Benfica e Real Madrid, realizado em 17 de fevereiro. Mais informações sobre este assunto serão divulgadas brevemente”, lê-se num comunicado da UEFA.

Esta quarta-feira, o organismo emitiu um comunicado e garantiu que está a investigar o caso a envolver o jogador do Benfica: “Sempre que há ocorrências, são instaurados processos e, caso resultem na aplicação de sanções disciplinares, estas serão anunciadas”.



Benfica reage em comunicado

Em comunicado o clube 'encarnado' já reagiu e "reafirma, de forma clara e inequívoca, o seu compromisso histórico e intransigente com a defesa dos valores da igualdade, do respeito e da inclusão, que vão ao encontro dos valores matriciais da sua fundação e que têm em Eusébio o seu símbolo maior."

O Sport Lisboa e Benfica refere ainda neste comunicado que "apoia e acredita plenamente na versão apresentada pelo jogador Gianluca Prestianni, cuja conduta ao serviço do Clube sempre foi pautada pelo respeito pelos adversários, pelas instituições e pelos princípios que definem a identidade benfiquista."

O que diz o protocolo da UEFA

Em concordância com a máxima da “tolerância zero ao racismo”, o organismo que gere o futebol europeu definiu, em 2024, qual deve ser o procedimento das equipas de arbitragem em campo
Durante a partida, o árbitro François Letexier aplicou o protocolo da UEFA para casos de comentários racistas proferidos em campo ou nas bancadas. 

O árbitro é obrigado a interromper o jogo e a emitir um aviso público para o estádio, cruzando os braços, como se viu esta terça-feira na Luz. As medidas podem chegar à suspensão ou abandono da partida, com declaração de derrota para a equipa responsável pelos insultos, se o comportamento persistir.

No final do jogo, que acabou em vitória para o Real Madrid na primeira mão do play-off de acesso aos ‘oitavos’ da Champions, Vinícius Júnior comentou o acontecimento nas redes sociais e não poupou o árbitro às críticas sobre a sua atuação durante o encontro.

"Os racistas são, acima de tudo, cobardes. Contam com a proteção de outros que, em teoria, têm a obrigação de os punir. Foi apenas um protocolo mal executado que não serviu para nada”, atirou.

O Benfica também se manifestou e saiu em defesa do jovem jogador argentino, com a publicação de um vídeo que contraria as declarações dos jogadores orientados por Arbeloa.


Apesar de desmentir as acusações sobre o momento em que tapou a boca e se dirigiu ao autor do golo dos ‘merengues’, Gianluca Prestianni arrisca-se a ser suspenso dos relvados pelos menos dez jogos. Para que tal aconteça, é necessário que seja considerado culpado.

Caso os comentários resultem do comportamento dos adeptos, a punição pode alargar-se ao “encerramento parcial ou completo do estádio, bem como a uma penalização financeira”.

As políticas e protocolos parecem, no entanto, não encontrar um fim aos episódios de racismo, que somam antecedentes em diferentes palcos internacionais.

O jogador do Real Madrid, Vinícius Júnior, já denunciou mais de 20 casos. Na última edição da Liga dos Campeões, foram os adeptos do Atlético de Madrid a protagonizar uma ocorrência denunciada pelo internacional brasileiro, antes de um encontro entre os dois emblemas espanhóis.

Na liga espanhola, a reincidência de comentários racistas, especialmente dirigidos ao avançado, e as punições de prisão entretanto aplicadas a adeptos forçou a La Liga a criar novas medidas para sancionar estes casos.

A plataforma “LaLiga VS Racism”, criada em 2023, surgiu para centralizar a denúncias e a melhoria da captação de áudio das bancadas permite identificar facilmente os insultos. No ano seguinte, a liga espanhola anunciou a adoção do protocolo da UEFA, que define o gesto que os árbitros devem fazer para indicar a ocorrência destes casos.

De acordo com a Associated Press, esta época está a ser uma das mais intensas no que toca a “incidentes racistas”, com casos denunciados na Premier League, Taça da Alemanha e nas ligas espanhola e italiana.

Em Portugal, um dos casos mais divulgados remonta a 2020, num jogo que colocou frente a frente FC Porto e Vitória SC. O internacional maliano, Moussa Marega, acabou por abandonar o jogo, que não foi suspenso, depois de insultos racistas vindos da bancada dos vimaranenses. O clube minhoto foi castigado com uma multa e jogos à porta fechada, mas a punição acabou levantada pelo Tribunal Arbitral do Desporto (TAD).
Tópicos
PUB