UEFA investiga acusações de racismo na Luz. Benfica reage e fala em transparência
O triunfo do Real Madrid frente ao Benfica na última noite europeia acabou manchado pela denúncia de insultos racistas. A UEFA já reagiu e garante estar a analisar o caso que envolve Prestianni e Vini Jr. O clube encarnado já reagiu em comunicado e assume "o seu compromisso histórico e intransigente com a defesa dos valores da igualdade, do respeito e da inclusão".
“Um Inspetor de Ética e Disciplina foi nomeado para investigar alegados comportamentos discriminatórios durante a partida do play-off da Liga dos Campeões 2025/26 entre Benfica e Real Madrid, realizado em 17 de fevereiro. Mais informações sobre este assunto serão divulgadas brevemente”, lê-se num comunicado da UEFA.
UEFA have released a statement after Vinicius Jr made a complaint following a comment from Benfica's Gianluca Prestianni during Real Madrid's UEFA Champions League tie. pic.twitter.com/AZmqpjYF2D
— Sky Sports News (@SkySportsNews) February 18, 2026
O Sport Lisboa e Benfica refere ainda neste comunicado que "apoia e acredita plenamente na versão apresentada pelo jogador Gianluca Prestianni, cuja conduta ao serviço do Clube sempre foi pautada pelo respeito pelos adversários, pelas instituições e pelos princípios que definem a identidade benfiquista."
O árbitro é obrigado a interromper o jogo e a emitir um aviso público para o estádio, cruzando os braços, como se viu esta terça-feira na Luz. As medidas podem chegar à suspensão ou abandono da partida, com declaração de derrota para a equipa responsável pelos insultos, se o comportamento persistir.
No final do jogo, que acabou em vitória para o Real Madrid na primeira mão do play-off de acesso aos ‘oitavos’ da Champions, Vinícius Júnior comentou o acontecimento nas redes sociais e não poupou o árbitro às críticas sobre a sua atuação durante o encontro.
"Os racistas são, acima de tudo, cobardes. Contam com a proteção de outros que, em teoria, têm a obrigação de os punir. Foi apenas um protocolo mal executado que não serviu para nada”, atirou.
O Benfica também se manifestou e saiu em defesa do jovem jogador argentino, com a publicação de um vídeo que contraria as declarações dos jogadores orientados por Arbeloa.
Como demonstram as imagens, dada a distância, os jogadores do Real Madrid não podem ter ouvido o que andam a dizer que ouviram. pic.twitter.com/7JF9AVuhEM
— SL Benfica (@SLBenfica) February 18, 2026
Caso os comentários resultem do comportamento dos adeptos, a punição pode alargar-se ao “encerramento parcial ou completo do estádio, bem como a uma penalização financeira”.
As políticas e protocolos parecem, no entanto, não encontrar um fim aos episódios de racismo, que somam antecedentes em diferentes palcos internacionais.
O jogador do Real Madrid, Vinícius Júnior, já denunciou mais de 20 casos. Na última edição da Liga dos Campeões, foram os adeptos do Atlético de Madrid a protagonizar uma ocorrência denunciada pelo internacional brasileiro, antes de um encontro entre os dois emblemas espanhóis.
Na liga espanhola, a reincidência de comentários racistas, especialmente dirigidos ao avançado, e as punições de prisão entretanto aplicadas a adeptos forçou a La Liga a criar novas medidas para sancionar estes casos.
A plataforma “LaLiga VS Racism”, criada em 2023, surgiu para centralizar a denúncias e a melhoria da captação de áudio das bancadas permite identificar facilmente os insultos. No ano seguinte, a liga espanhola anunciou a adoção do protocolo da UEFA, que define o gesto que os árbitros devem fazer para indicar a ocorrência destes casos.
De acordo com a Associated Press, esta época está a ser uma das mais intensas no que toca a “incidentes racistas”, com casos denunciados na Premier League, Taça da Alemanha e nas ligas espanhola e italiana.
Em Portugal, um dos casos mais divulgados remonta a 2020, num jogo que colocou frente a frente FC Porto e Vitória SC. O internacional maliano, Moussa Marega, acabou por abandonar o jogo, que não foi suspenso, depois de insultos racistas vindos da bancada dos vimaranenses. O clube minhoto foi castigado com uma multa e jogos à porta fechada, mas a punição acabou levantada pelo Tribunal Arbitral do Desporto (TAD).