COI pondera tirar medalhas a Jan Ulrich

O ciclista alemão, que confessou ter-se dopado, pode perder as medalhas de ouro, ganha na prova de fundo, e a de prata, no contra-relógio de Sidney

Carlos Silva c/Lusa /
Jan Ulrich sd

O Comité Olímpico Internacional (COI) vai analisar o processo do antigo ciclista Jan Ullrich, que pode perder as medalhas de ouro e prata conquistadas nos Jogos Olímpicos Sydney 2000, anunciou, esta segunda-feira, o presidente do Comité Olímpico alemão (DOSB).

"Vamos reexaminar tudo minuciosamente", disse Thomas Bach ao quotidiano germânico "Die Welt", dois dias depois de o vencedor da Volta a França de 1997 ter admitido o recurso a dopagem sanguínea.

De acordo com um dos candidatos a suceder Jacques Rogge à frente do COI, mesmo que, à primeira vista, "a sua confissão não seja mais do que a confirmação de factos já conhecidos das instâncias desportivas e dos procedimentos judiciais", a instância olímpica vai reabrir o processo.

Aos 39 anos, o único alemão a ter vencido o Tour reconheceu pela primeira vez, numa entrevista à revista "Focus", ter recorrido ao doping com a ajuda do médico espanhol Eufemiano Fuentes, o cérebro da "Operação Puerto", o maior escândalo de dopagem a afectar o desporto espanhol.

Até agora, Ullrich, que no ano passado foi condenado a dois anos de suspensão pelo Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) e viu os seus resultados desportivos serem anulados a partir de 2005, tinha negado todas as acusações de dopagem, apesar de ter admitido contactos com Fuentes.

Essa decisão permitiu ao ciclista alemão manter o ouro da prova de fundo e a prata do contra-relógio de Sydney 2000.

Segundo o código mundial antidopagem, os atletas podem ser sancionados até oito anos depois do evento em que participaram, no entanto, no ano passado, o COI retirou o bronze ganho no contra-relógio dos Jogos Olímpicos de 2000 a Lance Armstrong, na sequência do processo da Agência antidopagem norte-americana (USADA) e da confissão do norte-americano.

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