Rui Pinto: "Em Portugal não há a cultura do futebol, há a cultura do clubismo"

Rui Pinto: "Em Portugal não há a cultura do futebol, há a cultura do clubismo"

O colaborador do Football Leaks contestou a decisão de extradição da Hungria para Portugal por considerar que Portugal realizou um mandado de detenção europeu irregular, uma vez que o mandado nacional foi posterior.

RTP /
O hacker referiu ainda aos jornalistas que a prioridade é a de colaborar com a justiça francesa. "Portugal nunca quis saber de mim. Portugal quer-me por a cabeça a prémio", disse.

Rui Pinto não se quis comparar a outros conhecidos whistleblowers, como Edward Snowden ou Julian Assange, mas refere que "para se ter whistleblower tem de se ter muita coragem".

"Em Portugal não há a cultura do futebol, há a cultura do clubismo", sublinha.

O colaborador do Football Leaks recorreu esta terça-feira da extradição da Hungria para Portugal, suspendendo a decisão tomada por um tribunal de Budapeste.

Rui Pinto contestou a extradição e vai aguardar em território húngaro o desfecho deste apelo.

O hacker está em prisão domiciliária em Budapeste desde 18 de janeiro, na sequência de um mandado de detenção europeu emitido pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

Na base do mandado estão o acesso aos sistemas informáticos do Sporting e do fundo de investimento 'Doyen Sports' e posterior divulgação de documentos confidenciais, como contratos de jogadores do Sporting e do então treinador Jorge Jesus, assim como de contratos celebrados entre a 'Doyen' e vários clubes de futebol.

Em 13 de fevereiro, o tribunal húngaro rejeitou o recurso do Ministério Público daquele país para que Rui Pinto passasse a prisão preventiva, mantendo o português em prisão domiciliária, enquanto aguardava o desenrolar do processo de extradição para Portugal, ao qual se opôs.

Rui Pinto terá acedido, em setembro de 2015, ao sistema informático da "Doyen Sports Investements Limited", com sede em Malta, que celebra contratos com clubes de futebol e Sociedades Anónimas Desportivas (SAD).

O hacker é também suspeito de aceder ao e-mail de elementos do conselho de administração e do departamento jurídico do Sporting e, consequentemente, ao sistema informático da SAD 'leonina'.

Rui Pinto está indiciado de seis crimes: dois de acesso ilegítimo, dois de violação de segredo, um de ofensa a pessoa coletiva e outro de extorsão na forma tentada.

c/ Lusa
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