Euro2020. Inglaterra e Itália duas selecções para um troféu

A Inglaterra esperou mais de meio século por este dia mas para isso é preciso vencer no domingo a consagrada Itália, numa final do Euro2020 que promete, no “mítico” Wembley.

Mário Aleixo - RTP /
O cenário está pronto para receber a final do Euro2020 EPA

Com 60.000 espetadores nas bancadas, como que a desafiar a pandemia da covid-19, pelo menos por 90 ou 120 minutos, o que se espera é uma grande festa, entre duas seleções que, pelo trajeto, merecem suceder a Portugal.

As duas equipas venceram cinco de seis jogos, com a Inglaterra a ceder um nulo perante a vizinha Escócia, na fase de grupos, e a Itália a desenvencilhar-se da Espanha - que também merecia a final - apenas nos penáltis, nas meias-finais.

Os transalpinos ainda jogaram um outro prolongamento, nos “oitavos”, para superar a Áustria, e os ingleses só selaram a primeira presença na final de um Europeu em tempo extra, face a uma Dinamarca em que todos honraram Christian Eriksen.

Às duas equipas falta agora um último passo, que para a Inglaterra seria, inquestionavelmente, gigantesco, uma vez que, depois de muitos anos de frustrações, a seleção dos “três leões” pode, finalmente, repetir a façanha do Mundial de 1966.

Há 55 anos, mais precisamente em 30 de julho, no Mundial que consagrou Eusébio (melhor marcador, com nove golos), os ingleses arrebataram o cetro, ao bateram na final a RFA, por 4-2, após prolongamento e com polémica num dos três tentos de Geoff Hurst.

Do outro lado está a Itália, um “monstro”, a segunda seleção mais galardoada da Europa – só perdendo para a Alemanha -, com cinco grandes títulos, em nove finais, e um conjunto que, com Roberto Mancini, é, claramente, de pendor ofensivo.

A “squadra azzurra” tem um palmarés gigante pelos quatro títulos mundiais, em 1934, 1938, 1982 e 2006, mas, no “velho continente” só venceu uma vez, há mais de meio século, em 1968, tendo perdido, depois, as finais de 2000 e 2012 - também foi duas vezes vice-campeã mundial (1970 e 1994).

Espera-se jogo aberto

Pelo que as duas equipas mostraram até agora, nenhuma quererá ficar à espera, especular, ‘estacionar’ atrás a aguardar pelo erro do adversário, a menos que seja obrigada a isso pela outra, como aconteceu à Itália em grande parte do jogo face à Espanha.

A expectativa é que se possa assistir a um bom espetáculo, com golos, mesmo tendo em conta que os italianos só sofreram três, em 600 minutos, e os ingleses apenas um - o livre direto de Damsgaard, em 570.

O balanço dos golos das duas equipas é idêntico, pois os transalpinos marcaram 12, muito divididos – Immobile, Chiesa, Insigne, Locatelli e Pessina somam todos dois -, contra 10 dos ingleses, incluindo quatro de Kane e três de Sterling.

Trunfos das duas equipas

Quanto aos “onzes”, é quase certo que a Inglaterra não vai sair do seu 4-2-3-1 – do qual só abdicou nos “quartos”, para encaixar no “3-4-3” da Alemanha, que bateu por 2-0 -, nem a Itália do “4-3-3” que utilizou durante toda a prova.

Os transalpinos têm uma baixa de peso, em Spinazzola, que se lesionou com gravidade (tendão de Aquiles) no jogo dos quartos-de-final com a Bélgica (2-1) e já não atuou nas “meias”, face à Espanha, sendo, porém, substituído à altura por Emerson.

De resto, os dois conjuntos deverão apresentar-se na máxima força e sem grandes alterações em relação às ‘meias’, nomeadamente na Itália, pois Southgate pode voltar a mexer no trio de apoio a Kane, com Saka a poder ser o sacrificado.

O encontro entre Inglaterra, que pode entrar para a história como a 11.ª seleção a vencer o Europeu, e a Itália, em busca de se tornar a quarta a chegar aos dois cetros, está marcado para domingo, às 20h00, no Estádio de Wembley, em Londres.

A dirigir a partida vai estar o holandês Bjorn Kuipers, de 48 anos, que também é um garante de qualidade, com experiência de várias finais no currículo, na Liga dos Campeões, Liga Europa, Taça das Confederações, Supertaça Europeia e Mundial de sub-20.


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