Braga no cume da Europa

Braga no cume da Europa

O golo de Custódio, aos 18 minutos, significou a reviravolta na eliminatória frente ao Benfica e garante a primeira presença dos minhotos na final da Liga Europa, onde vai defrontar o Porto.

Antena1 com Lusa /
Custódio assinou desta forma o momento-chave da meia-final entre Braga e Benfica. epa

O vimaranense Custódio colocou hoje o pragmático Sporting de Braga no patamar mais alto da sua história, a final da Liga Europa de futebol, depois de vencer o Benfica, por 1-0, em casa.

Depois de perder 2-1 na Luz, valeram ao Braga o golo fora de Vandinho (castigado, tal como Paulo César e o benfiquista Aimar) e aquele que Custódio marcou hoje (18 minutos), que colocaram os "arsenalistas" na inédita final portuguesa, com o FC Porto.

A invasão de campo no final do desafio - perante o desalento do conjunto de Jorge Jesus - traduziu um feito por poucos imaginado em 90 anos de história do clube treinado por Domingos Paciência.

Num desafio muito disputado, boa parte da emoção chegou apenas no período final da partida em que a eliminatória poderia ter pendido para os dois lados, com os guarda-redes em grande: ainda assim, com mais trabalho, Artur Moraes foi um dos heróis do apuramento.

Em casa e em desvantagem na eliminatória, o Sporting de Braga assumiu maior iniciativa, mas a bola rondava ambas as balizas.

Lima foi o primeiro a ameaçar num desvio que quase surpreendeu Roberto, com a resposta a surgir em livre de Carlos Martins (aos 15') que obrigou Artur Moraes a ceder canto, evitando que a bola na cabeça de um contrário.

Aos 18 minutos, Hugo Viana marcou canto na esquerda e Custódio, ao segundo poste, melhor do que Jardel (12 centímetros mais alto), cabeceou sem hipóteses para Roberto (1-0), provocando uma explosão de alegria no estádio.

Agora mais perto da final, o conjunto de Domingos Paciência continuou confiante e determinado, perante um adversário até aqui menos consistente do que o habitual, sentindo a falta do "patrão" Aimar para armar o seu jogo
ofensivo.

Um livre curto de Hugo Viana atrasado para o remate do liberto Sílvio (30') podia ter criado mais perigo - o lance pareceu "despertar" a "águia".

Javi Garcia (32') chutou duas vezes, mas não atingiu a baliza e minutos depois o Benfica pediu mão de Rodriguez na área, mas o inglês Martin Atkinson, perto do lance, mandou seguir.

Aos 42', Saviola, com espaço, atirou cruzado ao poste e Fábio Coentrão não acertou com a recarga: o Benfica pode queixar-se da diferença de eficácia para chegar ao intervalo em desvantagem.

Os lisboetas recomeçaram o jogo mais dinâmicos e no meio campo adversário, mas sentiu muitas dificuldades para penetrar na defesa contrária, "forçando" Jorge Jesus a tirar César Peixoto (58') para procurar a velocidade, criatividade e inspiração de Jara.

A verdade é que na primeira vez que tocou na bola o argentino (60') quase empatou, em remate em arco rente ao poste esquerdo, surgindo a resposta num slalom de Mossoró (62') anulado por Fábio Coentrão.

O jogo estava mais partido e ganhou emoção. Artur Moraes foi decisivo ao anular Fábio Coentrão (71') que lhe apareceu na cara e depois ao defender para canto disparo de Gaitan (79'): na sequência do mesmo, Luisão atirou
de cabeça rente ao poste esquerdo, com Saviola a falhar a emenda.

Se Artur Moraes segurou a vantagem bracarense, Roberto impediu a sentença definitiva com defesas vistosas a remates de Hugo Viana (84'), fora da área, e custódio (85'), liberto na área.

Aos 88 minutos de jogo, Paulão substituiu Artur Moraes e negou sobre a linha de golo a festa de Kardec, no último suspiro do Benfica que falhou o regresso às finais europeias, depois de uma última presença em 1990.

Na final da Liga Europa 2010/2011, que será disputada a 18 de maio, em Dublin, o Sporting de Braga vai defrontar o FC Porto, que hoje afastou o Villarreal. Será também a primeira final de uma prova da UEFA apenas com equipas lusas.
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