Dani Alves condenado a quatro anos e meio de prisão por violação

por Cristina Sambado - RTP
D. Zorrakino - Pool via Reuters

O futebolista internacional brasileiro Dani Alves, ex-jogador do Barcelona, foi esta quinta-feira condenado, na Catalunha, a quatro anos e seis meses de prisão por agressão sexual a uma jovem numa discoteca.

A decisão foi tomada pelo Tribunal Superior de Justiça da Catalunha. "A vítima não consentiu e existem provas que, para além do testemunho da queixosa, permitem considerar a violação como provada", frisou o tribunal na sua decisão.

Esta sentença é consideravelmente inferior à pena de nove anos de prisão pedida pela acusação contra o futebolista.

Dani Alves, que se encontra em prisão preventiva há mais de um ano e que poderá recorrer da sentença, foi também condenado a pagar 150 mil euros à vítima, a cumprir cinco anos de liberdade condicional após o cumprimento da pena e a manter-se afastado da vítima durante nove anos e meio.

"O tribunal considera provado o facto de o arguido ter agarrado bruscamente a queixosa, a ter atirado ao chão e a ter penetrado vaginalmente, impedindo-a de se mexer, enquanto a queixosa dizia que não e que queria ir embora", acrescentou o tribunal, que tinha convocado o futebolista para o informar da sentença.Dani Alves, de 40 anos, foi julgado há duas semanas por ter violado a jovem numa casa de banho VIP da discoteca Sutton, em Barcelona, na noite de 30 para 31 de dezembro de 2022.

De acordo com a acusação, o brasileiro, que na altura se encontrava em Barcelona depois de ter disputado o campeonato do mundo no Catar, estava na discoteca com um amigo.

Depois de oferecer champanhe à queixosa, à sua prima e a um amigo, convidou-a a juntar-se a ele numa sala contígua com uma casa de banho.

Em seguida, terá tido uma "atitude violenta" para com a jovem, segundo o Ministério Público, que descreveu uma "situação de angústia e de terror". Versão corroborada durante o julgamento pela amiga e prima da queixosa.
Vítima prestou depoimento à porta fechada
Sofrendo, segundo a acusação, de "stress pós-traumático de intensidade geralmente elevada", a vítima prestou depoimento à porta fechada, para proteger a sua identidade, e atrás de um biombo, para evitar qualquer contacto visual com o jogador.

A voz foi alterada e o seu rosto pixelizado na gravação, destinada ao uso exclusivo dos juízes, para evitar fugas de informação.
Rita Fernandes - Antena 1

Negando ter cometido uma violação, o antigo internacional brasileiro disse ao tribunal que a relação, que reconheceu, tinha sido consensual e negou qualquer forma de violência contra a queixosa. "Se ela quisesse ir embora, podia ter ido a qualquer altura, não precisava de estar ali", disse, garantindo que não era "um homem violento".
Várias mudanças de versão

Dani Alves tem contestado os factos desde o início do processo, mas a sua defesa tem sido enfraquecida pelas inúmeras mudanças de versão.

Depois de ter afirmado num vídeo, no início de janeiro de 2023, que nunca tinha conhecido a queixosa, justificou a sua mentira explicando que queria proteger o seu casamento, antes de finalmente admitir uma relação sexual, que disse ser consensual, com a mulher em causa.

Um dos futebolistas mais bem-sucedidos da história, Dani Alves viveu o período mais glorioso da sua carreira no Barça, entre 2008 e 2016, conquistando 23 troféus.

O jogador, que também passou por Sevilha (Espanha), Juventus (Itália) e Paris Saint-Germain, jogava pelo clube mexicano Pumas na altura em que foi detido. O clube, com o qual tinha contrato até ao final da época passada, despediu-o de imediato.

c/ agências
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