Futebol Internacional
FC Barcelona espreita título frente ao Real Madrid em rivalidade
O FC Barcelona pode sagrar-se bicampeão espanhol no domingo, se pontuar na receção ao Real Madrid, no 264.º capítulo oficial de uma das rivalidades futebolísticas mais mediáticas do mundo.
À partida para o clássico da 35.ª jornada de La Liga, que antecederá os últimos três jogos, os catalães, do defesa direito português João Cancelo, lideram com 88 pontos, contra 77 dos madridistas, segundos classificados.
O FC Barcelona, detentor de 28 êxitos, deve revalidar o título pela primeira vez em sete anos, mas continuará atrás no palmarés do campeonato do recordista Real Madrid, 36 vezes campeão, a última das quais em 2023/24.
Representantes principais das duas maiores cidades de Espanha, catalães e madridistas nunca desceram ao segundo escalão em 95 edições da Liga espanhola - estatuto partilhado com o Athletic Bilbau - e apenas falharam a presença conjunta no top 2 por 10 vezes no século XXI, alimentando dentro e fora dos relvados bem mais do que uma simples rivalidade centenária.
Os dois clubes enfrentam-se desde 1902 e cresceram em divergências no regime político ditatorial liderado pelo general Francisco Franco, que perdurou de 1939 a 1975, já depois da Guerra Civil, e refletiu as alegadas ligações do clube da capital ao poder centralizador e à defesa da unidade territorial espanhola, por oposição às pretensões independentistas catalãs.
Mais hostis entre si do que em relação aos seus rivais citadinos (Atlético de Madrid e Espanyol), os clubes lutavam por orgulho, prestígio e jogadores, conforme atestou Alfredo Di Stéfano em 1953, quando assinou pelo Real, volvido um diferendo com o FC Barcelona, no qual até chegou a ingressar.
Os ‘merengues’ não eram campeões desde 1932/33 e tinham as mesmas nove conquistas dos ‘blaugrana’, mas destacaram-se face à chegada do avançado e juntaram 28 troféus em 36 anos de franquismo - incluindo seis Taças dos Campeões Europeus, prova antecessora da Liga dos Campeões -, contra 23 do rival, que dizia ter sofrido repressão e interferência política.
O FC Barcelona só ganharia a principal competição continental de clubes em 1991/92, sob orientação do treinador neerlandês Johan Cruyff, que havia sobressaído nos relvados duas décadas antes e é frequentemente descrito como o homem que reinventou o clube através do jogo posicional.
Essa identidade foi replicada na formação e influenciou quem saiu de La Masia, independentemente das mudanças presidenciais, ao passo que os ‘merengues’, bem mais despreocupados quanto à estética do seu futebol, investiram verbas elevadas na contratação de jogadores mundialmente famosos, sobretudo nos dois períodos com o atual líder Florentino Pérez.
Depois de ter vencido sete troféus e chegado a capitão do FC Barcelona, o avançado português Luís Figo tornou-se promessa eleitoral de Florentino e assinou de forma controversa pelo Real em 2000, por um recorde mundial à época de 60 milhões de euros (ME), o valor da sua cláusula de rescisão.
Na Catalunha, Figo passou de idolatrado a odiado e, a exemplo de Alfredo Di Stéfano, acicatou o ressentimento dos ‘blaugrana’ face aos ‘merengues’, sendo hostilizado com vaias, insultos, cartazes e objetos lançados pelos adeptos - incluindo uma cabeça de porco - em cada regresso a Camp Nou.
Vencedor da Bola de Ouro em 2000, Figo foi um dos jogadores que saiu de Barcelona para Madrid, após Michael Laudrup e antes de Javier Saviola, antigo avançado do Benfica, tendo Robert Prosinecki e Luis Enrique, atual treinador do campeão europeu Paris Saint-Germain, feito o trajeto inverso.
Ricardo Zamora, Bernd Schuster, Gheorghe Hagi, Ronaldo Nazário e Samuel Eto’o atuaram por ambos, mas sem mudanças diretas, a par dos treinadores Enrique Fernández, que orientou o Sporting, e Radomir Antić.
Ferenc Puskás, Diego Maradona, Rivaldo, Raúl González, Zinédine Zidane, David Beckham, Ronaldinho, Sergio Ramos, Iker Casillas, antigo guarda-redes do FC Porto, Andrés Iniesta, Xavi, Karim Benzema ou Luka Modrić também jogaram o clássico, assim como 19 vencedores da Bola de Ouro.
Nesse lote estão o argentino Lionel Messi e o português Cristiano Ronaldo, que, com estilos diferentes, monopolizaram o prémio de melhor jogador do mundo de 2008 a 2017, numa fase em que lutavam por distinções coletivas e marcas individuais junto de FC Barcelona e Real Madrid, respetivamente.
Messi lidera em golos (26) e assistências (14) na história do clássico, cujo recordista de jogos é Sergio Busquets (48), igualmente testemunha da era mais popular destes confrontos, marcada ainda pelos despiques entre os técnicos Pep Guardiola, discípulo de Cruyff, e José Mourinho, que está no Benfica e foi adjunto dos ‘blaugrana’ antes de comandar os ‘merengues’.
Além de Figo, Ronaldo e Mourinho, Portugal fez-se representar por Vítor Baía, Cancelo, Fernando Couto, Nélson Semedo, André Gomes, Simão Sabrosa, Deco, João Félix, Francisco Trincão, Ricardo Quaresma e Jorge Mendonça, todos no FC Barcelona, ou Carlos Secretário, Pepe, Ricardo Carvalho e Fábio Coentrão, pelo Real, que chegou a ter Carlos Queiroz no banco.
A rivalidade perdeu fulgor na ausência de Messi e Ronaldo, mas continua a ser um espetáculo global e tem audiências televisivas significativas, agora com contributo de Lamine Yamal, Raphinha, Pedri, Kylian Mbappé, Vinícius Júnior ou Federico Valverde, por entre a ligeira superioridade madridista nas conquistas (103 contra 101) e nos confrontos (106 vitórias contra 105).
Recordista de títulos de campeão europeu (15), o Real Madrid poderá no domingo inverter o desfecho de 1931/32, quando garantiu a conquista do campeonato precisamente no clássico, algo nunca feito pelo FC Barcelona.
O FC Barcelona, detentor de 28 êxitos, deve revalidar o título pela primeira vez em sete anos, mas continuará atrás no palmarés do campeonato do recordista Real Madrid, 36 vezes campeão, a última das quais em 2023/24.
Representantes principais das duas maiores cidades de Espanha, catalães e madridistas nunca desceram ao segundo escalão em 95 edições da Liga espanhola - estatuto partilhado com o Athletic Bilbau - e apenas falharam a presença conjunta no top 2 por 10 vezes no século XXI, alimentando dentro e fora dos relvados bem mais do que uma simples rivalidade centenária.
Os dois clubes enfrentam-se desde 1902 e cresceram em divergências no regime político ditatorial liderado pelo general Francisco Franco, que perdurou de 1939 a 1975, já depois da Guerra Civil, e refletiu as alegadas ligações do clube da capital ao poder centralizador e à defesa da unidade territorial espanhola, por oposição às pretensões independentistas catalãs.
Mais hostis entre si do que em relação aos seus rivais citadinos (Atlético de Madrid e Espanyol), os clubes lutavam por orgulho, prestígio e jogadores, conforme atestou Alfredo Di Stéfano em 1953, quando assinou pelo Real, volvido um diferendo com o FC Barcelona, no qual até chegou a ingressar.
Os ‘merengues’ não eram campeões desde 1932/33 e tinham as mesmas nove conquistas dos ‘blaugrana’, mas destacaram-se face à chegada do avançado e juntaram 28 troféus em 36 anos de franquismo - incluindo seis Taças dos Campeões Europeus, prova antecessora da Liga dos Campeões -, contra 23 do rival, que dizia ter sofrido repressão e interferência política.
O FC Barcelona só ganharia a principal competição continental de clubes em 1991/92, sob orientação do treinador neerlandês Johan Cruyff, que havia sobressaído nos relvados duas décadas antes e é frequentemente descrito como o homem que reinventou o clube através do jogo posicional.
Essa identidade foi replicada na formação e influenciou quem saiu de La Masia, independentemente das mudanças presidenciais, ao passo que os ‘merengues’, bem mais despreocupados quanto à estética do seu futebol, investiram verbas elevadas na contratação de jogadores mundialmente famosos, sobretudo nos dois períodos com o atual líder Florentino Pérez.
Depois de ter vencido sete troféus e chegado a capitão do FC Barcelona, o avançado português Luís Figo tornou-se promessa eleitoral de Florentino e assinou de forma controversa pelo Real em 2000, por um recorde mundial à época de 60 milhões de euros (ME), o valor da sua cláusula de rescisão.
Na Catalunha, Figo passou de idolatrado a odiado e, a exemplo de Alfredo Di Stéfano, acicatou o ressentimento dos ‘blaugrana’ face aos ‘merengues’, sendo hostilizado com vaias, insultos, cartazes e objetos lançados pelos adeptos - incluindo uma cabeça de porco - em cada regresso a Camp Nou.
Vencedor da Bola de Ouro em 2000, Figo foi um dos jogadores que saiu de Barcelona para Madrid, após Michael Laudrup e antes de Javier Saviola, antigo avançado do Benfica, tendo Robert Prosinecki e Luis Enrique, atual treinador do campeão europeu Paris Saint-Germain, feito o trajeto inverso.
Ricardo Zamora, Bernd Schuster, Gheorghe Hagi, Ronaldo Nazário e Samuel Eto’o atuaram por ambos, mas sem mudanças diretas, a par dos treinadores Enrique Fernández, que orientou o Sporting, e Radomir Antić.
Ferenc Puskás, Diego Maradona, Rivaldo, Raúl González, Zinédine Zidane, David Beckham, Ronaldinho, Sergio Ramos, Iker Casillas, antigo guarda-redes do FC Porto, Andrés Iniesta, Xavi, Karim Benzema ou Luka Modrić também jogaram o clássico, assim como 19 vencedores da Bola de Ouro.
Nesse lote estão o argentino Lionel Messi e o português Cristiano Ronaldo, que, com estilos diferentes, monopolizaram o prémio de melhor jogador do mundo de 2008 a 2017, numa fase em que lutavam por distinções coletivas e marcas individuais junto de FC Barcelona e Real Madrid, respetivamente.
Messi lidera em golos (26) e assistências (14) na história do clássico, cujo recordista de jogos é Sergio Busquets (48), igualmente testemunha da era mais popular destes confrontos, marcada ainda pelos despiques entre os técnicos Pep Guardiola, discípulo de Cruyff, e José Mourinho, que está no Benfica e foi adjunto dos ‘blaugrana’ antes de comandar os ‘merengues’.
Além de Figo, Ronaldo e Mourinho, Portugal fez-se representar por Vítor Baía, Cancelo, Fernando Couto, Nélson Semedo, André Gomes, Simão Sabrosa, Deco, João Félix, Francisco Trincão, Ricardo Quaresma e Jorge Mendonça, todos no FC Barcelona, ou Carlos Secretário, Pepe, Ricardo Carvalho e Fábio Coentrão, pelo Real, que chegou a ter Carlos Queiroz no banco.
A rivalidade perdeu fulgor na ausência de Messi e Ronaldo, mas continua a ser um espetáculo global e tem audiências televisivas significativas, agora com contributo de Lamine Yamal, Raphinha, Pedri, Kylian Mbappé, Vinícius Júnior ou Federico Valverde, por entre a ligeira superioridade madridista nas conquistas (103 contra 101) e nos confrontos (106 vitórias contra 105).
Recordista de títulos de campeão europeu (15), o Real Madrid poderá no domingo inverter o desfecho de 1931/32, quando garantiu a conquista do campeonato precisamente no clássico, algo nunca feito pelo FC Barcelona.
(Com Lusa)