Figo "ainda podia jogar mais um ano no Inter"
José Mourinho duvida que Luís Figo "consiga viver fora do futebol", após ter anunciado o fim da carreira na alta competição, e considera que o médio "ainda podia jogar mais um ano no Inter de Milão".
Segundo José Mourinho, "é um bocado difícil, no futebol de hoje, encontrar um jogador onde existe o talento e, ao mesmo tempo, existem a disciplina, o rigor, aquelas coisas que fazem de um jogador um jogador consequente".
Mourinho encontrou Figo em três momentos: no início dos anos 90 no Sporting, no primeiro ano de sénior do médio, depois entre 1996 e 2000 "na maturidade" exibida no FC Barcelona, quando a equipa catalã foi treinada por Bobby Robson e Louis van Gal, e de novo esta época no Inter.
"A postura perante o treino, perante o jogo, perante a profissão não mudou de quando ele tinha 18 anos para agora, que tem 36", disse Mourinho, que nas duas primeiras ocasiões trabalhou com Figo como treinador-adjunto.
No Inter encontrou-o em final de carreira, mas "com a mesma ambição, com a mesma vontade de ganhar, com a mesma raiva a perder, com o mesmo ódio à derrota, com a mesma coragem de assumir os momentos difíceis no jogo".
Apesar de este ano ter sido muitas vezes suplente, Mourinho admite que o Inter ficou a dever muitas vitórias à "confiança" que Figo transmitia à equipa, principalmente em São Siro, "que é um estádio difícil para a equipa da casa, com um público que não ajuda muito, que é muito crítico".
Mourinho considera que Figo "tem múltiplas escolhas" para o futuro, mas tem "dúvidas de que ele consiga viver fora do futebol" e adianta: "Penso que, numa primeira fase, vai continuar ligado ao Inter como um homem de
imagem, de relações públicas".
"Transformou-se a pouco e pouco num homem de negócios, que tem a sua vida superestabilizada a esse nível. Tem a fundação, que deve ser uma 'ferramenta' para se divertir e sentir importante. Mas tenho dúvidas que ele consiga viver fora do futebol", afirmou.
Mas "Il Speciale" não vê Figo como treinador, por a carreira implicar um certo tipo de vida: "Não digo que não tenha competência para, digo que não me parece que tenha disponibilidade mental para. Mas vejo-o como um dirigente, a começar no Inter e a acabar noutro sítio qualquer".