Investigador universitário contesta controlo da idade biológica dos atletas pela FIFA
O investigador António Figueiredo discorda da inclinação da FIFA de recorrer à aferição da idade biológica para detectar fraudes nas idades dos futebolistas. Figueiredo explica que a idade cronológica dos atletas nem sempre coincide com a sua idade biológica.
"Fazer crer que a idade biológica coincide com a idade cronológica é um erro. Havendo uma variabilidade biológica associada à prática desportiva cria-nos um problema, porque há crianças da mesma idade cronológica mas que não têm a mesma idade biológica", afirma António Figueiredo.
Em declarações à Antena 1, o investigador, que se doutorou recentemente na Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra com um estudo sobre a evolução de 159 futebolistas que tinham entre 11 aos 14 anos, explica o porquê da sua posição.
"Há uma grande variabilidade. Num estudo que estamos a fazer num escalão de iniciados temos diferenças de 40 centímetros de uns para os outros e isto é normal", diz referindo-se ao estudo "Morfologia, Crescimento Pubertário e Preparação Desportiva" que espera concluir no final do próximo ano.
"O que não é normal e o que é uma falácia é querer fazer coincidir a idade cronológica com a idade biológica", acrescenta.
O docente da Universidade de Coimbra defende que o critério de avaliação da idade dos jogadores que a FIFA quer utilizar não é o mais adequado, já que "existem diferentes metodologias para averiguar a idade biológica ou óssea e cada uma aponta para idades ósseas distintas".
António Figueiredo está convicto que se a FIFA prosseguir com esse controlo, muitos jovens atletas serão prejudicados: "É muito fácil na nossa selecção de sub-17 termos muito poucos jogadores com idade biológica abaixo dos 17 anos. A esmagadora maioria vai estar acima. Isto aos olhos da FIFA excluiria estes jovens de um torneio de sub-17".
Por isso, o investigador e também coordenador do departamento de formação de futebolistas da Académica afirma que o deve prevalecer é o bom-senso dos agentes desportivos.
A falsa idade dos atletas é um assunto que tem sido bastante debatido em Portugal nas últimas semanas devido ao caso do médio do FC Porto Leandro Lima, que na verdade tem mais dois anos do que o que estava declarado no seu registo.