Javier Tebas convicto de que "não haverá Superliga em 2024"

O presidente da Liga espanhola de futebol, Javier Tebas, disse esta tarde acreditar de que "não haverá Superliga" em 2024, durante a sua intervenção em um painel da cimeira tecnológica Web Summit, em Lisboa.

Lusa /
José Sena Goulão - Lusa

"O que vejo nas últimas manifestações dos líderes da Superliga, Florentino Pérez ou Agnelli, é que fazem um diagnóstico errado e, como acontece com os médicos, se falhamos no diagnóstico vamos matar o paciente", começou por defender o dirigente no painel `From defending football for all, to becoming a sports tech powerhouse`, no qual reiterou a sua total discordância com o projeto da Superliga Europeia.

Javier Tebas, responsável máximo pela Liga Nacional de Fútbol Profesional, que contempla as duas ligas profissionais de Espanha, criticou abertamente a Superliga e os dirigentes que a defendem, caracterizando-a como "um modelo `fake`, `light`", que, em seu entender, "não será a solução para o futebol europeu".

O dirigente espanhol, de 60 anos, frisa ainda que a prioridade passará por garantir "o futebol para os adeptos" e que "não possam haver clubes-estado, como o PSG".

"Isso não é futebol. Esses clubes não são o centro do futebol," sentenciou Javier Tebas, que, na conferência de imprensa que se seguiu, foi ainda mais longe, aconselhando o CEO da Superliga, Bernd Reichart, a "acordar do sonho", após este ter afirmado existir "uma expectativa razoável" de que a Superliga Europeia poderia ter início na temporada 2024/2025.

O líder da liga profissional espanhola deixou uma garantia: "[Reichart] está a sonhar e tem de acordar para a realidade. Há que ter cuidado quando gente que não tem experiência no futebol tenta dar lições e tirar conclusões que põem em perigo a indústria do futebol na Europa. Não vai haver Superliga em 2024".

Javier Tebas defendeu que "a solução passa por mudar os modelos" em casos concretos e manter como exemplo de sucesso a Liga dos Campeões.

"Se a Liga dos Campeões é um êxito, não há que mudar, já que os jovens não a abandonam e continuam a segui-la. Esta é a época em que os jovens mais vêem mais futebol. Há que continuar a chegar aos jovens e a todas as gerações para que os adeptos estejam dispostos a pagar para assistir ao futebol", diagnostica o dirigente.

O espanhol apelidou de "fake news, parvoíce e idiotice" o pensamento de que o público mais jovem não está disposto a assistir a um jogo de futebol nos moldes habituais, nomeadamente com noventa minutos de duração, e reiterou a importãncia de fiscalizar e punir as ações de alguns clubes liderados por grupos económicos milionários e até governamentais em incumprimento com regulamentações como, entre outras, o `fair-play financeiro`.

"Não critico que Qatar, Abu Dhabi ou a Arábia Saudita possam estar no futebol. O que critico é que inventem patrocinadores e transferências que não são reais para cumprirem as normas. Há que cumpri-las e, se tal tivesse sido feito, o City e o PSG não estariam onde estão," acrescentou Tebas, que considerou que movimentações como a compra de ações pelo grupo QSI junto do Sporting de Braga representam "um perigo para todas as ligas europeias, incluindo a portuguesa".

Tebas diz que Portugal e Espanha "merecem" organizar Mundial2030

O presidente da Liga espanhola de futebol, Javier Tebas, elogiou a candidatura conjunta entre Portugal e Espanha para a organização do Mundial 2030, dizendo que ambos "merecem" receber a competição pelo seu histórico e capacidade.

O dirigente espanhol sublinhou o valor da proposta conjunta apresentada, defendendo que "são dois países com estruturas de futebol muito boas, com grande tradição e grandes estrelas do futebol e merecem. Seria muito bom para o futebol espanhol e português que o conseguissem", assinalou, no âmbito da cimeira tecnológica Web Summit, a decorrer em Lisboa.

"É a melhor candidatura que há, não a conheço em profundidade, mas, se é a melhor candidatura, então creio que irá ganhar. Não sei se o poderei dizer com tanta segurança quanto Aleksander Ceferin, mas penso que vencerá", previu Javier Tebas.

Relativamente ao Mundial2022, que se inicia no decorrer do presente mês, Javier Tebas manifestou o seu desacordo pela forma como todo o processo decorreu.

"Vamos lembrar que decidiram que o Mundial fosse a meio de uma temporada, três anos depois de o terem escolhido deram-se conta de que havia calor no Qatar! Isso revela aqueles dirigentes e como estava a ser dirigido o futebol mundial", criticou.

Quanto à Liga dos Campeões, competição na qual Portugal esteve perto de qualificar três clubes para os oitavos de final, contra apenas o Real Madrid por Espanha, Javier Tebas não vê motivos para alarme e defendeu os clubes que compõem a liga profissional a que preside.

"Não posso responder a qualquer análise, porque poderia errar. Não há espaço temporal para retirar conclusões. No ano passado, a Liga espanhola teve o vencedor e dois semifinalistas na 'Champions', há cinco meses e 20 dias ganhou a Bola de Ouro e o Golden Boy há umas semanas... não se pode dizer há cinco meses que somos os melhores na Europa e agora que somos uma catástrofe", analisou.

O advogado de 60 anos considera necessário "haver um espaço temporal" e "pôr referências", reiterando o poderio do futebol espanhol e recorrendo a números: "Nas últimas 10 temporadas, a Liga espanhola e as suas equipas ocuparam 60% dos títulos europeus".

"São dez anos e 60% dos títulos! Digo que é um pouco exagerado, mas a verdade é que a Liga espanhola tem mais de trinta títulos entre Liga dos Campeões e Liga Europa e a 'Premier League' segue-se com 13. França tem zero, por exemplo", conclui Javier Tebas, no final da sua participação na cimeira Web Summit.

A sétima edição da Web Summit arrancou em Lisboa na terça-feira e termina na sexta-feira, contando com mais de 70.000 participantes, 2.630 'startups' e empresas, 1.120 investidores e 1.040 oradores.

A cimeira tecnológica, que nasceu em 2010 na Irlanda, passou a realizar-se na zona do Parque das Nações em Lisboa em 2016 e vai manter-se na capital portuguesa até 2028.

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