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Morreu Mircea Lucescu, glória do futebol romeno

Morreu Mircea Lucescu, glória do futebol romeno

O treinador e antigo jogador Mircea Lucescu morreu hoje aos 80 anos, em Bucareste, devido a problemas cardíacos que o obrigaram a renunciar ao cargo de selecionador de futebol da Roménia em 2 de abril.

RTP /
Reuters

“Mircea Lucescu foi um dos treinadores e jogadores de futebol romenos mais premiados, o primeiro a qualificar a seleção romena para um Campeonato da Europa, em 1984”, refere em comunicado o Hospital Universitário de Bucareste na nota de falecimento.

Lucescu tinha renunciado ao cargo de selecionador nacional após se ter sentido mal durante um treino. No final de março, a seleção nacional tinha perdido com a Turquia numa das meias-finais da repescagem europeia para o Mundial2026 que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá.

A Federação Romena de Futebol (FRF) manifestou a sua tristeza pela perda do “treinador que definiu uma era”, considerando-o “não só um brilhante estratega, mas também um mentor, um visionário e um símbolo nacional que levou a bandeira tricolor aos mais altos patamares do sucesso mundial”.

Segundo a FRF, Lucescu deixou “um legado colossal, difícil de igualar na história do futebol” e decretou um minuto de silêncio em sua memória antes dos jogos da próxima ronda da Superliga, Liga 2, Liga 3 e Superliga feminina romena.

Nascido em Bucareste em 29 de julho de 1945, Lucescu iniciou a sua carreira futebolística em 1961, ingressando numa escola desportiva na capital romena. Dois anos depois, ingressou no Dínamo Bucareste, iniciando uma carreira de sucesso como avançado.

Além de duas passagens pelo Stiinta Bucareste e pelo Corvinul Hunedoara, realizou 64 jogos pela seleção romena, da qual foi capitão no Mundial de 1970, no México.

O seu último jogo como avançado foi na época 1989/90, quando, como treinador do Dínamo Bucareste e aos 44 anos, entrou em campo em 19 de maio de 1990, num jogo contra o Sportul Studentes.

No total, marcou 81 golos em 377 jogos, conquistando sete títulos do campeonato romeno e três Taças da Roménia. Com o clube local Corvinul Hunedoara, assinou o seu primeiro contrato como treinador e, posteriormente, dirigiu clubes romenos como o Dinamo Bucareste e o Rapid Bucareste, com quem venceu a Taça da Roménia em 1998.

Depois de assumir o comando da seleção romena pela primeira vez em 1981, conquistou a primeira qualificação da equipa para um Campeonato Europeu, em 1984, em França.

Teve ainda uma carreira internacional em Itália, Turquia, Ucrânia e Rússia, treinando equipas como o Cremonese, Brescia, Inter de Milão, Galatasaray, Besiktas, Shakhtar Donetsk, Dínamo Kiev e Zenit São Petersburgo.

O seu período de maior sucesso internacional foi no Shakhtar Donetsk, onde treinou durante 12 temporadas, conquistando o campeonato oito vezes, a Taça seis e a Supertaça sete, para além da Taça UEFA em 2009.

Em maio de 2016, assinou com o Zenit São Petersburgo, conquistando a Supertaça da Rússia, embora tenha sido despedido em maio de 2017, depois de terminar em terceiro lugar no campeonato.

Nesse mesmo ano, foi nomeado selecionador da seleção turca, cargo que ocupou até fevereiro de 2019.

Em agosto de 2024, regressou ao banco da seleção romena, 38 anos depois da sua primeira passagem, com o objetivo de a qualificar para o Mundial de 2026.

Durante essa segunda passagem, obteve 11 vitórias, um empate e sofreu seis derrotas, mas a Roménia não conseguiu qualificar-se para o Mundial depois de perder com a Turquia na repescagem em 26 de março, uma derrota que, segundo a imprensa romena, lhe causou “grande deceção”.

Poucos dias depois, foi hospitalizado em Bucareste e submetido a uma intervenção cirúrgica após ter sofrido problemas cardíacos. Em 2 de abril, apresentou finalmente a sua demissão.

(Com Lusa)
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