Paulo Fonseca critica Infantino e Trump e condena regresso de equipas russas à competição

Paulo Fonseca critica Infantino e Trump e condena regresso de equipas russas à competição

Admitindo sentir-se "um pouco ucraniano", Paulo Fonseca voltou a falar sobre a situação de destruição que se vive na Ucrânia, país onde trabalhou e viveu. Em entrevista ao L'Équipe, as críticas recaíram essencialmente sobre Gianni Infantino e Donald Trump.

RTP /
Manon Cruz - Reuters

Quatro anos depois desde o início da guerra na Ucrânia, Paulo Fonseca recordou o regresso a Portugal com o início dos ataques russos.

Uma das preocupações mais recentes passa pela possibilidade avançada por Gianni Infantino, presidente da FIFA, de as equipas russas serem reintegradas nas provas internacionais, colocando um ponto final à ordem de suspensão.

“Vamos jogar contra a Rússia em Moscovo, enquanto os ucranianos não podem jogar no seu território? O país que está a ser invadido não pode disputar as competições europeias em casa e a Rússia poderia? É inaceitável. O futebol não pode resolver todos os problemas, mas pode ajudar a trazer mais justiça ao mundo”, manifestou.

O técnico português condenou a aproximação de interesses entre a FIFA e a política norte-americana, que diz ter ficado evidente com a atribuição do Prémio da Paz a Trump durante o sorteio do próximo Campeonato do Mundo, a realizar-se nos Estados Unidos.

“O Infantino está a fazer o mesmo que Donald Trump. Está a olhar para os interesses económicos e a esquecer as pessoas. Dar um prémio da paz a Trump? Senti vergonha. O futebol não merece isso”, confessou ao jornal francês.

Paulo Fonseca esteve três anos no comando técnico do Shakthar Donetsk, terminando a ligação com o emblema ucraniano em 2019.

Recordando a ligação pessoal que tem ao país atacado há quatro anos e em estado de devastação, o treinador que em Portugal já passou por Paços de Ferreira, FC Porto e SC Braga acredita num regresso à Ucrânia.

“Adoro Kiev, adoro a Ucrânia. Gostaria de voltar para trabalhar, para ajudar este país, para desenvolver o futebol. Gostaria muito de voltar para treinar a seleção nacional, ou regressar ao Shakhtar. Tenho de retribuir tudo o que me deram”.

No despertar da guerra, a 24 de fevereiro de 2022, o treinador do Lyon, atual terceiro classificado da Ligue 1, vivia em Kiev com a mulher ucraniana quando foi obrigado a deixar o país através de um repatriamento da embaixada de Portugal.

“Tinha a esperança de que, com o tempo, as coisas mudassem, mas desde que Trump regressou ao poder e prometeu uma paz rápida, a situação piorou drasticamente”, admitiu.

Em França desde janeiro de 2025, Paulo Fonseca considera que os Estados Unidos sob o governo de Trump têm “fragilizado a posição da Ucrânia e da União Europeia” face a Vladimir Putin e vê em Emmanuel Macron “o presidente mais corajoso de todos os países europeus” no apoio à Ucrânia.
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