Ronaldo pede desculpa e mostra-se disponível "como sempre" para ganhar pela seleção

Ronaldo pede desculpa e mostra-se disponível "como sempre" para ganhar pela seleção

Numa carta com cinco páginas, o capitão da Seleção Nacional fala numa "quebra de confiança" por parte de Jorge Jesus, revelando detalhes das reuniões que teve com o selecionador e dirigentes da federação. No fim, mostra-se disponível para regressar e assume que pode ser punido.

Guilherme de Sousa - RTP / Adicionar como fonte informativa
AFP

O avançado Cristiano Ronaldo assumiu-se hoje disponível “como sempre” para “competir e ganhar” pela seleção portuguesa de futebol, numa mensagem escrita em que pede desculpa aos adeptos e companheiros por ter abandonado a equipa das ‘quinas’.

“Se estiver bem fisicamente, a jogar no meu clube, com golos espero, a seguir ao cumprimento da suspensão que me for aplicada, estarei disponível, como sempre estive até hoje, para competir e ganhar pela nossa Seleção. Esta é, acreditem, a mais pura das verdades”, escreveu Ronaldo.

No passado dia 30 de setembro, Ronaldo abandonou o estágio da seleção portuguesa, que preparava os jogos do Grupo A4 da Liga das Nações frente a Dinamarca e Noruega, tendo hoje acusado o selecionador Jorge Jesus de quebra de confiança na carta a que a Lusa teve acesso.

“Devo também um pedido de desculpas aos meus companheiros de Seleção por ter abandonado o estágio. Apesar da absoluta quebra de confiança na palavra do selecionador, […] eu não o devia ter feito. A responsabilidade é exclusivamente minha”, escreveu, mostrando-se preparado para as consequências disciplinares da sua atitude.

O capitão nacional pede ainda desculpa aos portugueses, mas justifica que a quebra da palavra tem, para si, “um impacto definidor”.

"Joguei o jogo de Alvalade, e apesar de substituído, não fiz nenhum problema. Coloquei a braçadeira eu mesmo ao Bruno Fernandes, longe de imaginar que pudesse estar a dar os últimos passos, como atleta e capitão da Seleção Nacional. O importante desse dia, para mim, foi a nossa vitória. Ganhar é sempre bom, em Portugal e pelo meu País, ainda melhor", explica o capitão. 

"À hora de almoço do dia do jogo na Noruega um adjunto do selecionador do veio à mesa onde o grupo estava a almoçar e informou-me que o Selecionador me queria falar. Para minha absoluta surpresa, o selecionador perguntou-me se estava bem para jogar 30 minutos. Eu estava totalmente focado na minha recuperação física, integrado com os meus companheiros como sempre e a pensar que não jogaria naquele dia. Sem nenhum problema", escreve Ronaldo, acrescentando que "este pedido era algo fora do meu plano de recuperação física e de treino – porque apenas iria jogar dia 4 no Dragão – mas obviamente disse que sim". "Respondeu-me que então estivesse preparado porque jogaria 30 minutos". 

"O resto todos conhecem. Aqueci desde o intervalo, vi os minutos a passar e não fui chamado. O Selecionador tinha-me falhado com a sua palavra", critica. 

O maior goleador da Seleção Nacional, afirma que passado 48 horas do jogo com a Noruega teve uma conversa com Jorge Jesus e Simão Coutinho, dirigente do Al-Nassr. "Foi um momento profundo, muito frontal, sem qualquer tipo de filtro. Concordamos que só havia uma maneira de encerrar este “caso”: que o Selecionador repetisse o que acabara de me dizer ali em privado, na presença do Simão Coutinho, mas na Sala de
Imprensa". 

"A conferência foi o que se conhece: a postura não teve nada a ver com a nossa reunião, ouvi expressões e uma agressividade que julgo não merecer, uma atitude de quero, posso e mando que nunca me manifestou, nem de perto nem de longe, em privado, na véspera", numa critica direta a Jesus.

Abondono do estádio

Esta foi uma das razões para Cristiano Ronaldo abandonar o estádio da seleção na Dinamarca. "Decidi abandonar o estágio sem esperar por mais nenhuma quebra de palavra. Para mim a verdade ainda é a coisa mais importante na relação entre as pessoas. Por muito que doa, que me digam a verdade", atira, salientando que 

"nunca, em nenhum momento" se intrometeu "em qualquer decisão técnica ou tática de qualquer treinador ou selecionador em quase 25 anos de carreira". "Aceito é melhor ou pior o que me propõem fazer. Respeito a decisão e quando me faltam à palavra, sinto que o meu lugar não é ali", sublinha.

"Peço desculpa aos portugueses"

"Devo também um pedido de desculpas aos meus companheiros de Seleção por ter abandonado o estágio", refere Ronaldo, "apesar da absoluta quebra de confiança na palavra do Selecionador, como poderá testemunhar quem assistiu a estas conversas".  

"Peço desculpa aos portugueses mais uma vez, mas a quebra da palavra tem, para mim, um impacto definidor. Senti que, a partir dali, a minha permanência iria apenas prejudicar o grupo de trabalho e fiz o que sempre disse que faria se não me sentisse útil: peguei nas malas e saí. A consequência deste meu ato deve ser avaliada e punida pela Federação Portuguesa de Futebol. Entendo que a punição não deve ter atenuantes. Não sou um jogador qualquer, sou capitão de equipa e isso constitui uma agravante. Já pedi desculpa, mas sei que as atitudes têm de ter consequências. Quem está no futebol como estou sabe que, independentemente do estatuto de cada um, as regras são iguais para todos", conclui.

(Com Lusa)

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