UEFA, CONCACAF e AFC reiteram quebra de confiança no presidente da FIFA

UEFA, CONCACAF e AFC reiteram quebra de confiança no presidente da FIFA

A polémica instalou-se há duas semanas no universo do futebol mundial e, apesar do recuo na estratégia de privatização do império comercial da FIFA, multiplicam-se as denúncias ao presidente do organismo.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Mauricio Dueñas Castañeda - EPA

Após as primeiras declarações públicas sobre a falta de confiança em Gianni Infantino, as três confederações de futebol uniram-se para atacar a liderança da FIFA: “Há silêncio onde deveria haver responsabilidade, distanciamento onde deveria haver transparência”.

Numa “carta aberta à família do futebol”, os representantes da Europa (UEFA), América Central, Norte e Caraíbas (CONCACAF) e Ásia (AFC) reforçaram a sua posição crítica e voltaram a apontar o dedo àquilo que consideram ser uma política autocentrada.

Na origem do comunicado está o plano de Gianni Infantino de abrir as competições da FIFA ao investimento privado.

A liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de ostentar poder para o exercer. É um dever de serviço à família do futebol que lho confia. Quando a confiança é quebrada através do engano, quando uma pessoa se coloca acima do coletivo que lhe confiou autoridade, esse dever foi abandonado", afirmaram.Os presidentes e secretários-gerais dos três organismos dizem estar em causa a “integridade do futebol” e “daqueles que foram eleitos para o liderar”.

Na sequência das últimas decisões de “alguém que acredita que o futebol lhe deve prestar contas”, os dirigentes criticam a “continuidade do mesmo padrão de comportamento”.

A divisão teve origem na proposta de um novo projeto estratégico para as competições da FIFA, divulgada no final do mês de julho, que visava elevar para dez mil milhões de dólares (8,67 mil milhões de euros) o financiamento do desenvolvimento do futebol nos próximos quatro anos.

O plano gerou uma onda de protestos entre adeptos e dirigentes do futebol mundial.

“Uma proposta submetida em circunstâncias extremamente restritas, sem consulta significativa e apressada para um prazo final antes que as associações-membro pudessem examinar adequadamente os seus termos, não é o resultado de negligência, mas sim de uma estratégia para limitar a fiscalização”, acusam a UEFA, a CONCACAF e a AFC.

Apesar dos pedidos de demissão e declarações de oposição à reeleição de Infantino, a Confederação Africana de futebol declarou o apoio ao atual presidente da FIFA, à qual se juntam as federações de futebol do México e da Argentina, contrariando a posição crítica da CONCACAF.

Em resposta, na carta divulgada esta segunda-feira, os responsáveis das três confederações apelam à unidade das federações-membro pelo dever que têm para com o futebol.

O plano do presidente da FIFA, que entretanto recuou na convicção de abrir as atividades comerciais e os eventos de futebol da FIFA à gestão privada, já teria como potenciais investidores figuras próximas da administração de Donald Trump e poderia implicar alterações aos modelos atuais das competições.

Acusado de construir um “projeto de uma só pessoa”, Gianni Infantino está agora mais desamparado na gestão da mais recente crise política do futebol mundial, depois das últimas denúncias de membros da administração da FIFA contra a atuação do seu presidente.
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