Centralização vai diminuir desigualdade para metade - Liga

Centralização vai diminuir desigualdade para metade - Liga

O diretor executivo da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) acredita que a centralização dos direitos audiovisuais vai diminuir para metade a desigualdade entre os clubes e tornar o campeonato mais equitativo.

RTP / Adicionar como fonte informativa
António Pedro Santos - Lusa

O diretor executivo da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) acredita que a centralização dos direitos audiovisuais vai diminuir para metade a desigualdade entre os clubes e tornar o campeonato mais equitativo.

“Eu diria que passar de um modelo fixo para um modelo variável vai dar a todos a possibilidade de melhorar a sua situação. [...] Quando comparamos o nível de desigualdade que existe hoje em dia, essa desigualdade, no fundo, passa para menos de metade do que ela é hoje em dia”, assumiu André Mosqueira do Amaral, em entrevista à agência Lusa.

O responsável pelo processo de centralização na LPFP considera que “algo que distinguia o futebol português das demais ligas era ter uma discrepância entre quem mais aufere e quem menos aufere, que era completamente fora do contexto europeu”.


“Com esta chave fazemos uma aproximação e a liga fica mais equitativa, portanto, há mais igualdade. Mas, sobretudo, é a igualdade da oportunidade, eu creio que isso é que é o ponto essencial, que é muito claro quais são as regras, é muito claro como é que eu consigo atingir um nível mais elevado”, explicou.

A chave de distribuição dos direitos audiovisuais, que vai entrar em vigor em 2028/29, foi aprovada pelas sociedades desportivas da LPFP e já recebeu ‘luz verde’ da Autoridade da Concorrência (AdC), com André Mosqueira do Amaral a lembrar que, atualmente, existe “um regime obviamente fragmentado” e “um regime também de rendas fixas, em que a cada emblema corresponde a um determinado valor fixo, que pouco foi mudando durante o tempo”

“Foi passar para a realidade aquilo que vemos noutras ligas, que é que todas as sociedades desportivas, todos os emblemas têm a possibilidade de chegar a um valor muito maior. E isso é em função do seu desempenho. O que é desempenho? É obviamente, a sua classificação, são os pontos. A questão dos pontos é importante, porque nós queremos premiar sociedades desportivas que também façam mais pontos, portanto, isso traz-nos, no fundo, competitividade ao produto, isso depois é uma forma de medir essa competitividade, de medir esse nível de luta, que é aquilo que torna o futebol interessante e cativante, mas também o desempenho a nível do que cada um contribui para o produto no seu todo”, referiu.

O responsável preferiu não falar em valores, mas garantiu ter uma “valorização interna”, que estão “quase diariamente a ajustá-la”, o que permite saber “quais são as alavancas a trabalhar para maximizar”.

“Há, claramente, o entendimento que aquilo que é o valor atual não reflete o potencial valor do coletivo e, aliás, vê-se isso também nas próprias negociações individuais que vão sempre havendo. O próprio Sport Lisboa e Benfica renegociou os últimos dois anos até 2028 e, obviamente, como foi bem anunciado e publicitado e nós próprios até comentámos e parabenizámos o Benfica nesse sentido, [o valor] vai subindo”, referiu.

André Mosqueira do Amaral disse acreditar que “há claramente um potencial de valorização”, que está a ser estudado pela LPFP, assim como as “mil maneiras de cortar o ‘bolo’” das receitas, “sempre no sentido de criar segmentos que no final dão o maior valor possível”.

Em termos de exemplo, o diretor executivo da LPFP revelou que está a ser pensado “um canal para a diáspora”, com narração e grafismos em português, mesmo em países que possa haver uma transmissão internacional.

“Essa segmentação - criar um produto específico para uma audiência específica – é um exemplo de um lote. [...] Não é só os 90 minutos, não é só aquele jogo, é tudo o que está à volta, e isso foi algo que nós, nesta direção que temos estado muito, apostámos muito, foi em criar aquilo que é fora dos 90 minutos. [...] Isso, para nós, hoje em dia, traz um valor, realmente, que é muito interessante”, disse, salientando o trabalho feito na Liga TV e nas redes sociais, algo que também vai fazer parte dos direitos”, admitiu.

De acordo com o responsável, “o desenho dos lotes será anunciado na altura do concurso, exatamente com o objetivo de maximizar o valor do ‘bolo’ total”, acreditando que, na época 2028/29, tudo vai estar pronto para a entrada em vigor do novo modelo, mas que há alternativas.

“O plano A é, com certeza, conseguir continuar a fazer o processo de mercado, que, aliás, é um processo que acontece. Espanha fez agora há pouco tempo, Bélgica tinha feito um pouco antes, há um mercado ‘ongoing’ e, portanto, partimos do pressuposto que esse mercado está lá e continua e temos todas as indicações que isso aconteça”, assumiu.

Contudo, “há outras coisas que podem acontecer” e que estão identificadas, como, por exemplo, a aposta na Liga TV, que pode “funcionar como plano B, ou, inclusive, até é quase uma parte também do plano A”, para a LPFP poder “produzir, distribuir e transmitir os jogos”, como já fizeram em particulares ou nos jogos dos play-offs.

“Estamos a trabalhar nas diferentes possibilidades e isso é o nosso trabalho e a nossa responsabilidade, também para com os nossos associados [...], identificar esses potenciais caminhos e esgotarmos o alfabeto, plano A, B, C e ir até fora dele”, afirmou.

Questionado sobre a possibilidade de investidores externos fazerem parte da centralização, André Mosqueira do Amaral reconheceu que “é possível, é verdade”, revelando ter havido um encontro com “35 investidores institucionais, que são os maiores investidores institucionais do mundo em desporto”, como que “uma parede de dinheiro acessível ao futebol profissional português”.

“Compete-nos a nós desenhar um processo que, no fundo, crie as melhores condições para ver como é que esse investimento pode ou deve ser feito e, obviamente, depois apresentá-lo às sociedades desportivas e tomarmos uma decisão colegial, como fizemos com o regulamento, como fizemos com a chave, de como é que isso pode funcionar”, afirmou.

André Mosqueira do Amaral lembra que “há momentos em que há uma oportunidade, há capital”, que tem de ser aproveitado, e “tem inúmeras vantagens, desde logo a nível das infraestruturas”, que é uma área onde há “muitas carências”, assim como “na própria exploração comercial”.

“As sociedades desportivas portuguesas têm um nível de excelência desportiva que é, de facto, espetacular. [...] Mas não corresponde uma excelência económica e comercial e é essa diferença que nós acreditamos que conseguíamos trazer alguma convergência, trazer uma correspondência de valor económico àquilo que é a nossa excelência desportiva. Aí o capital pode ter uma contribuição muito importante”, rematou.

A comercialização centralizada dos direitos audiovisuais dos jogos da I e II Ligas foi decretada pelo Governo em 2021, na sequência da assinatura de um memorando de entendimento entre Federação Portuguesa de Futebol e LPFP, com aplicação a partir de 2028/29.


Esse modelo inviabilizará os clubes de comercializarem individualmente os direitos de transmissão das suas partidas, tal como fez o Benfica em janeiro, ao cedê-los de novo à operadora NOS, a par da distribuição da estação BTV, num acordo de 104,6 ME para 2026/27 e 2027/28.



Liga reconhece contribuição incontornável do Benfica na centralização 
O diretor executivo da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) reconheceu hoje que a contribuição do Benfica foi incontornável e que os ‘encarnados’ estiveram sempre informados das negociações sobre a centralização dos direitos audiovisuais.

Em entrevista à agência Lusa, André Mosqueira do Amaral garantiu que houve sempre uma relação de “muito perto” com o Benfica, assim como “com todas as sociedades desportivas, mesmo as que não estão dentro daquilo que é o Conselho de Administração (CA) da Liga Centralização”, depois de o clube lisboeta ter saído desse órgão.

“Sempre tivemos o rigor de partilhar com o Benfica tudo o que estava a acontecer, o que é que estava a ser trabalhado, partilhar também aquilo que é a nossa visão. [...] Sempre fizemos isso de estar perto, ir partilhando e, aliás, de também ir tendo os contributos do Benfica, mesmo não estando na centralização”, referiu.

De acordo com o responsável, “o Benfica participou igualmente no desenho como as demais sociedades desportivas participaram e também não poderia ser de outra maneira”, garantindo que foi respeitada a saída dos ‘encarnados’ do CA da Liga Centralização.

“É a nossa grande missão, é acatar essas preocupações, escutar e depois tentar destilar uma solução que seja no interesse do grupo. Sempre nesta lógica que as sociedades desportivas são adversárias em campo, mas fora do campo são sócias. É a realidade da Liga e, portanto, a nós compete-nos ter a certeza que esse valor associativo vai subindo e a contribuição do Benfica é, obviamente, incontornável”, afiançou.

Os ‘encarnados’ venderam, recentemente, os direitos audiovisuais dos seus encontros na I Liga para as duas próximas temporadas, antes da entrada em vigor da centralização, por 104,6 milhões de euros.

“Eu diria que termos partes individuais que vão valorizando, só faz com que o todo também tem que estar valorizado. Portanto, para nós esses indicadores do mercado são muito positivos, são superpositivos. Se fosse ao contrário, seria assustador. Sendo na direção certa, são muito positivos, obviamente”, garantiu.

Nos últimos anos, a rivalidade entre os principais clubes portugueses tem saído do campo para fora, com os presidentes a trocarem várias acusações, algo que André Mosqueira de Amaral não vê dentro da LPFP.

“Quando temos aqui os nossos presidentes, os agentes desportivos que compõem a liga profissional, o que vemos é um ambiente colegial, construtivo, isso foi patente na votação da chave de distribuição, algo que parece muito contencioso visto de fora, mas, visto de dentro, foi de facto de um nível de elevação que até é difícil de encontrar noutras indústrias”, afirmou.

O responsável da LPFP pelo processo de centralização diz que “as sociedades desportivas demonstraram esse nível de consciência do coletivo” e que “outra coisa é o que acontece no dia a dia, as interações, que fazem parte daquilo que é o futebol, do que é o produto”, mas “tudo ao nível salutar que se deseja e se pretende”.

A proposta aprovada pelos clubes assenta num modelo que combina diferentes critérios de repartição, valorizando o mérito desportivo, o desempenho nas competições nacionais, o ranking europeu da UEFA e o histórico recente dos clubes na I Liga.

Segundo a chave de repartição aprovada, no escalão principal, a distribuição das verbas vai ser definida por cinco critérios e a maior fatia está ligada ao sucesso desportivo, uma vez que 57,5% do valor será alocado em função da posição final no campeonato, do histórico de classificações e da contribuição para o ranking da UEFA.

Outros 20% vão ser repartidos pelos clubes em partes iguais, enquanto os restantes critérios incluem em parcelas mais pequenas as assistências médias nos estádios e as audiências televisivas (17,5%), as condições proporcionadas para as transmissões (cerca de 3%) e a qualidade dos relvados, da iluminação e das condições para o trabalho da comunicação social (2%).

A comercialização centralizada dos direitos audiovisuais dos jogos da I e II Ligas foi decretada pelo Governo em 2021, na sequência da assinatura de um memorando de entendimento entre Federação Portuguesa de Futebol e LPFP, com aplicação a partir de 2028/29.



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