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Cristiano, um gigante que pendura as botas na seleção
Cumpridos 23 anos ao serviço da seleção nacional, Cristiano Ronaldo despede-se dos relvados, pelo menos em representação da equipa das 'quinas', 234 jogos e 146 golos depois. O capitão da formação portuguesa liderou o balneário na conquista do Europeu e de dois troféus da Liga das Nações, os primeiros e únicos títulos do palmarés luso.
O legado de êxitos e recordes do número 7 chega ao fim, um mês depois de um dos episódios mais sombrios da sua passagem pela seleção nacional. Do diferendo com Jorge Jesus e abandono do estágio da equipa portuguesa, surgiu a decisão de sair, definitivamente, da equipa.
Assim nasce uma es7rela
O dia 20 de agosto de 2003 marca o início do legado que tantos jovens e adultos inspirou nas últimas duas décadas. Aos 18 anos, o recém-chegado ao Manchester United subia ao relvado do Estádio Municipal de Chaves para defrontar o Cazaquistão e fazia a estreia com as quinas ao peito.
Foto: Torsten Silz - AFP
Em 2004 ainda levava nas costas o número 17 e lutava por um lugar no onze inicial. Na estreia em jogos oficiais pela seleção, apontou o primeiro golo com as cores portuguesas, no Estádio do Dragão, na primeira jornada da fase grupos do Campeonato da Europa, frente à Grécia, que se viria a sagrar campeã da prova.
A transição para o sete na camisola e a braçadeira de capitão do braço tardou três anos, sob o leme de Luiz Felipe Scolari, que só saiu da seleção portuguesa em 2008.
Legado de ‘guerra’ e ‘paz’
A saída do selecionador brasileiro deu lugar ao regresso de Carlos Queiroz para o comando técnico da seleção. Apesar da relação antiga de amizade com o capitão, avizinhava-se o princípio de um desacordo entre jogador e treinador, que veio a repetir-se, noutras ocasiões e com outros técnicos, manchando a passagem vitoriosa de Cristiano Ronaldo pelo futebol.
Eliminada do Campeonato do Mundo da África do Sul, em 2010, a equipa portuguesa recebia Paulo Bento como novo treinador, ‘casamento’ de quatro anos que ficou marcado pela tranquilidade e pela campanha positiva no Euro2012, até ao afastamento no Mundial do Brasil, em 2014.
Nove anos após a estreia por Portugal, Ronaldo carimbou a passagem às ‘meias’ do Euro2012 e chegou, em outubro do mesmo ano, à 100.ª internacionalização, tornando-se o terceiro jogador a chegar a esta marca pela seleção, a seguir a Luís Figo e Fernando Couto.
Jogava-se, nesta altura, a qualificação para o Mundial do Brasil, que ainda daria motivos aos portugueses, a CR7 e aos adeptos de futebol para sorrir.
Recordista em Portugal e só atrás de Lionel Messi a nível mundial, o capitão português apontou dez hat-tricks ao serviço da formação lusa. Os mais memoráveis, em novembro de 2013 e junho de 2018.
Cristiano Ronaldo resolveu o apuramento para o Campeonato do Mundo de 2014 diante da Suécia, ao apontar todos os golos da difícil vitória por 3-2, em terras escandinavas, e avisou o mundo com o célebre “Eu estou aqui”.
A esta altura, já havia ultrapassado Eusébio na lista de melhores marcadores por Portugal.
Menos de cinco anos depois, tornou-se o mais velho de sempre a marcar três golos num único jogo em mundiais. Na partida da fase de grupos frente a Espanha, Portugal perdia por 3-2 até aos 88 minutos, aquando do golo de livre direto de Ronaldo, deixando as contas do duelo ibérico empatadas, mas muito favoráveis à veia recordista do português.
Falando em supremacia, Cristiano Ronaldo é o totalista em presenças em fases finais de mundiais e europeus, com seis participações em cada competição, e detém, ainda, o recorde de maior goleador em Campeonatos da Europa, com 14 golos em 25 jogos. Supera Michel Platini, Alan Shearer e Antoine Griezmann.
Foto: José Sena Goulão - EPA
Envergou a braçadeira por duas décadas e foi o primeiro jogador da história do futebol a alcançar a marca das 200 internacionalizações. Em 2020, ultrapassou a marca dos 100 golos pela equipa portuguesa e reescreveu o nome na história ao tornar-se o maior marcador de sempre por seleções, mantendo-se, ainda, na corrida pelo milésimo golo na carreira.
O último golo por Portugal foi apontado frente à Croácia, no Mundial2026, através de grande penalidade.
“Quis ser o melhor. Quis fazer história”, admitiu.
Erguer três troféus
A par das marcas pessoais, recordam-se os títulos coletivos. Apesar de cauteloso quando refere que “os golos passam, as taças ficam nos museus, os recordes acabam por ser batidos”, Cristiano Ronaldo esteve à frente da equipa nas três únicas conquistas da seleção principal de futebol.
Com um pé fora do Campeonato da Europa de França, ainda na fase de grupos, o então atleta do Real Madrid impediu, de calcanhar, a eliminação, classificando Portugal como um dos melhores terceiros lugares, e abriu caminho à conquista da competição sobre a anfitriã, a 10 de julho de 2016.
A partir do banco de suplentes, depois de ter saído lesionado aos 26 minutos de jogo, juntava-se a Fernando Santos no nervosismo e nas indicações para dentro de campo. A vencer por 1-0 uma partida que já ia longa, Portugal sagrou-se campeão europeu e o capitão levantou o primeiro troféu da história da nação.
Portugal venceu o Euro2016 | Foto: Georgi Licovski - EPA
No futuro, as conquistas da seleção nacional não passam pelos pés de Cristiano Ronaldo, nem os troféus voltarão a ser levantados pelo eterno capitão.
Em dia de despedida, CR7 diz-se ‘mais um’ português a torcer pela equipa: “Sofremos juntos, levantamo-nos juntos”.
“Nunca deixarei de ser um de vocês (…) A maior vitória foi ter representado o melhor país do mundo. Obrigado por terem acreditado em mim”, concluiu.
“Portugal estará sempre em mim”, revelou, numa mensagem dirigida aos adeptos, selecionadores, equipa técnica e colegas de equipa, através do qual confirmou abdicar do ‘trono’.
Assim nasce uma es7rela
O dia 20 de agosto de 2003 marca o início do legado que tantos jovens e adultos inspirou nas últimas duas décadas. Aos 18 anos, o recém-chegado ao Manchester United subia ao relvado do Estádio Municipal de Chaves para defrontar o Cazaquistão e fazia a estreia com as quinas ao peito.
Em 2004 ainda levava nas costas o número 17 e lutava por um lugar no onze inicial. Na estreia em jogos oficiais pela seleção, apontou o primeiro golo com as cores portuguesas, no Estádio do Dragão, na primeira jornada da fase grupos do Campeonato da Europa, frente à Grécia, que se viria a sagrar campeã da prova.
A transição para o sete na camisola e a braçadeira de capitão do braço tardou três anos, sob o leme de Luiz Felipe Scolari, que só saiu da seleção portuguesa em 2008.
Legado de ‘guerra’ e ‘paz’
A saída do selecionador brasileiro deu lugar ao regresso de Carlos Queiroz para o comando técnico da seleção. Apesar da relação antiga de amizade com o capitão, avizinhava-se o princípio de um desacordo entre jogador e treinador, que veio a repetir-se, noutras ocasiões e com outros técnicos, manchando a passagem vitoriosa de Cristiano Ronaldo pelo futebol.
Eliminada do Campeonato do Mundo da África do Sul, em 2010, a equipa portuguesa recebia Paulo Bento como novo treinador, ‘casamento’ de quatro anos que ficou marcado pela tranquilidade e pela campanha positiva no Euro2012, até ao afastamento no Mundial do Brasil, em 2014.
Ronaldo nega influência no afastamento de Paulo Bento | 12 de outubro de 2014
Anos mais tarde, o treinador português confessou que a relação com o, à data, melhor jogador do mundo, foi ficando cada vez mais difícil e a hierarquia de poder mais condicionada.
As oito temporadas de Fernando Santos, responsável por ter lançado o jogador, com apenas 17 anos, no Sporting, foram marcadas por sucessos e títulos internacionais, mas o fim da ‘época dourada’ estaria também próximo.
Cristiano Ronaldo contestou a substituição no encontro frente à Coreia do Sul, a contar para o Mundial de 2022, no Catar, e não voltou a ser opção para o onze titular até à eliminação, nos quartos-de-final. O silêncio de Ronaldo após afastamento do técnico deixava pistas para a animosidade entre ambos, que viria a ser confirmada por Fernando Santos.
Anos mais tarde, o treinador português confessou que a relação com o, à data, melhor jogador do mundo, foi ficando cada vez mais difícil e a hierarquia de poder mais condicionada.
As oito temporadas de Fernando Santos, responsável por ter lançado o jogador, com apenas 17 anos, no Sporting, foram marcadas por sucessos e títulos internacionais, mas o fim da ‘época dourada’ estaria também próximo.
Cristiano Ronaldo contestou a substituição no encontro frente à Coreia do Sul, a contar para o Mundial de 2022, no Catar, e não voltou a ser opção para o onze titular até à eliminação, nos quartos-de-final. O silêncio de Ronaldo após afastamento do técnico deixava pistas para a animosidade entre ambos, que viria a ser confirmada por Fernando Santos.
Jornal da Tarde | 1 de outubro de 2026
Roberto Martínez representou o "ar fresco", mas as opções de jogo, com a Croácia, em Toronto, terão ditado o fim da linha para mais um treinador, ainda este ano.
O fim de uma história com mais de duas décadas não teria data nem momento certo, avisou o próprio Cristiano Ronaldo, na véspera do primeiro jogo de Jorge Jesus à frente da equipa. O novo selecionador era, na visão do jogador, “a escolha perfeita” para o banco.
“Estou aqui porque sinto que sou uma mais-valia. O selecionador disse-me que precisa de mim”, sublinhou.
Uma semana depois, porém, a aliança desfez-se em Copenhaga. A “falha” com a promessa de minutos em campo e as declarações de Jorge Jesus em conferência de imprensa ditaram o afastamento voluntário de Cristiano Ronaldo, agora consumado em definitivo.
Roberto Martínez representou o "ar fresco", mas as opções de jogo, com a Croácia, em Toronto, terão ditado o fim da linha para mais um treinador, ainda este ano.
O fim de uma história com mais de duas décadas não teria data nem momento certo, avisou o próprio Cristiano Ronaldo, na véspera do primeiro jogo de Jorge Jesus à frente da equipa. O novo selecionador era, na visão do jogador, “a escolha perfeita” para o banco.
“Estou aqui porque sinto que sou uma mais-valia. O selecionador disse-me que precisa de mim”, sublinhou.
Uma semana depois, porém, a aliança desfez-se em Copenhaga. A “falha” com a promessa de minutos em campo e as declarações de Jorge Jesus em conferência de imprensa ditaram o afastamento voluntário de Cristiano Ronaldo, agora consumado em definitivo.
Jornal da Tarde | 1 de outubro de 2026
“Obrigado por terem acreditado em mim”
Telejornal | 20 de agosto de 2013
Nove anos após a estreia por Portugal, Ronaldo carimbou a passagem às ‘meias’ do Euro2012 e chegou, em outubro do mesmo ano, à 100.ª internacionalização, tornando-se o terceiro jogador a chegar a esta marca pela seleção, a seguir a Luís Figo e Fernando Couto.
Jogava-se, nesta altura, a qualificação para o Mundial do Brasil, que ainda daria motivos aos portugueses, a CR7 e aos adeptos de futebol para sorrir.
Recordista em Portugal e só atrás de Lionel Messi a nível mundial, o capitão português apontou dez hat-tricks ao serviço da formação lusa. Os mais memoráveis, em novembro de 2013 e junho de 2018.
Cristiano Ronaldo resolveu o apuramento para o Campeonato do Mundo de 2014 diante da Suécia, ao apontar todos os golos da difícil vitória por 3-2, em terras escandinavas, e avisou o mundo com o célebre “Eu estou aqui”.
A esta altura, já havia ultrapassado Eusébio na lista de melhores marcadores por Portugal.
Play-off de acesso ao Mundial 2014 | 19 de novembro de 2013
Menos de cinco anos depois, tornou-se o mais velho de sempre a marcar três golos num único jogo em mundiais. Na partida da fase de grupos frente a Espanha, Portugal perdia por 3-2 até aos 88 minutos, aquando do golo de livre direto de Ronaldo, deixando as contas do duelo ibérico empatadas, mas muito favoráveis à veia recordista do português.
Falando em supremacia, Cristiano Ronaldo é o totalista em presenças em fases finais de mundiais e europeus, com seis participações em cada competição, e detém, ainda, o recorde de maior goleador em Campeonatos da Europa, com 14 golos em 25 jogos. Supera Michel Platini, Alan Shearer e Antoine Griezmann.
Envergou a braçadeira por duas décadas e foi o primeiro jogador da história do futebol a alcançar a marca das 200 internacionalizações. Em 2020, ultrapassou a marca dos 100 golos pela equipa portuguesa e reescreveu o nome na história ao tornar-se o maior marcador de sempre por seleções, mantendo-se, ainda, na corrida pelo milésimo golo na carreira.
O último golo por Portugal foi apontado frente à Croácia, no Mundial2026, através de grande penalidade.
“Quis ser o melhor. Quis fazer história”, admitiu.
Erguer três troféus
A par das marcas pessoais, recordam-se os títulos coletivos. Apesar de cauteloso quando refere que “os golos passam, as taças ficam nos museus, os recordes acabam por ser batidos”, Cristiano Ronaldo esteve à frente da equipa nas três únicas conquistas da seleção principal de futebol.
Com um pé fora do Campeonato da Europa de França, ainda na fase de grupos, o então atleta do Real Madrid impediu, de calcanhar, a eliminação, classificando Portugal como um dos melhores terceiros lugares, e abriu caminho à conquista da competição sobre a anfitriã, a 10 de julho de 2016.
A partir do banco de suplentes, depois de ter saído lesionado aos 26 minutos de jogo, juntava-se a Fernando Santos no nervosismo e nas indicações para dentro de campo. A vencer por 1-0 uma partida que já ia longa, Portugal sagrou-se campeão europeu e o capitão levantou o primeiro troféu da história da nação.
O sucesso voltaria a repetir-se três anos mais tarde, com o triunfo sobre os Países Baixos na edição inaugural da Liga das Nações. Portugal venceu a competição em 2019 e 2025, a última, nos penáltis, frente à campeã europeia e do mundo, Espanha.
Portugal conquista a primeira Liga das Nações | 9 de junho de 2019
Portugal conquista a segunda Liga das Nações | 8 de junho de 2025
No futuro, as conquistas da seleção nacional não passam pelos pés de Cristiano Ronaldo, nem os troféus voltarão a ser levantados pelo eterno capitão.
Em dia de despedida, CR7 diz-se ‘mais um’ português a torcer pela equipa: “Sofremos juntos, levantamo-nos juntos”.
“Nunca deixarei de ser um de vocês (…) A maior vitória foi ter representado o melhor país do mundo. Obrigado por terem acreditado em mim”, concluiu.