Ex-árbitro admite influência de José Luís Oliveira

Ex-árbitro admite influência de José Luís Oliveira

O ex-árbitro, e arguido no processo Apito Dourado, António Eustáquio, quebrou hoje, em Gondomar, o silêncio admitindo que José Luís Oliveira tinha influência sobre os árbitros o que gerou a contestação de Valentim Loureiro. Esta foi a última sessão do processo Apito Dourado antes das alegações finais.

RTP /


António Eustáquio, acusado de dois crimes de corrupção desportiva passiva sob a forma de autoria, declarou ainda ao colectivo de juízes que "aqui, no Norte, toda a gente tem influência sobre os árbitros".

Confrontado com uma escuta telefónica, na qual conversaria com o arguido José Luís Oliveira sobre uma possível pré-nomeação para o jogo entre o Lousada e o Gondomar SC, Eustáquio defendeu-se dizendo que "pensava que ele (José Luís Oliveira) sabia da pré-nomeação e que ele é que mandava".

"Apareci no Lousada porque decidiram não porque o José Luís Oliveira me pediu", esclareceu o ex-árbitro.

Ainda sobre a relação entre os dois arguidos, Eustáquio contou que no ano anterior à época 2003/2004 havia arbitrado três jogos no Gondomar, no fim dos quais teve "sempre problemas com José Luís Oliveira" e que "havia sempre discussão".

"Nesse ano (2003/2004) ele (José Luís Oliveira) ligou-me a perguntar se eu estava chateado e se tinha algum problema em arbitrar os jogos do Gondomar e eu disse que não tinha problema nenhum", relatou Eustáquio ao colectivo de juízes.

Relativamente aos motivos que o levaram a atender a chamada telefónica de José Luís Oliveira, o arguido referiu que "Oliveira não pedia nada mas era uma pessoa que não confiava em ninguém e se não atendesse podia pensar que estava feito com outros 1/8porque 3/8 para ele toda a gente o prejudicava e ninguém o beneficiava".

António Eustáquio admitiu ainda que, em Gondomar, era habitual a oferta de lembranças aos árbitros, por parte dos clubes, mas que "nunca" se venderia "por causa de um fio".

Em causa está uma pulseira em ouro com pedra azul oferecida por José Luís Oliveira aos árbitros "para darem às suas senhoras", disse Eustáquio.

Georgina Eustáquio, ex-mulher do arguido, testemunhou hoje que a maioria dos objectos em ouro que lhe foram apreendidos, no início do processo, haviam sido adquiridos por ela própria, exceptuando a pulseira em ouro com pedra azul.

O testemunho de António Eustáquio foi alvo de discrepâncias quando confrontado com as suas declarações ao Ministério Público, no início do processo. "Não me lembro", confessou o arguido sobre algumas declarações que divergiram, nomeadamente sobre a altura em que terá recebido a oferta em ouro pelo Gondomar num jogo que arbitrou.


Durante a tarde foi a vez do arguido João Mesquita, acusado de um crime de corrupção activa sob forma de cumplicidade, prestar declarações ao tribunal, admitindo, de uma forma "diplomática" que Luís Nunes o tentou "aconselhar a dar uma nota".

Em causa está a pontuação que, enquanto assessor ao jogo Lousada-Gondomar SC, atribuiu ao árbitro António Eustáquio e que a acusação entende ter sido a pedido do também arguido Luís Nunes, sustentando-se numa escuta telefónica.

"Ele (Luís Nunes) tentou dar-me o conhecimento do que para ele seria a nota correcta", explicou Mesquita evitando, quando confrontado pelo juiz presidente, a utilização da palavra "influência".

Após o final da sessão o arguido Valentim Loureiro contestou a decisão de Fátima Castro, advogada de Eustáquio, em permitir que este testemunhasse.

A mandatária de António Eustáquio manteve o que já havia dito à comunicação social, dizendo que essa "foi a vontade do cliente" mas que o discurso "não preparado" acabou por "dar corda a mais coisas".

As alegações finais ficaram adiadas para o próximo dia 25 de Junho, pelas 09:30 já que os advogados pediram alguns dias para se pronunciarem sobre os documentos que hoje deram entrada no processo e sobre os requerimentos apresentados por alguns mandatários.


(c/Lusa)
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