Futebol Nacional
Horácio Antunes promete tudo fazer para adequar estatutos ao novo regime jurídico
Horácio Antunes, cabeça de lista da única candidatura aos órgãos sociais da FPF que deu hoje entrada na Federação Portuguesa de Futebol, garante "não querer viver em ilegalidade" e promete tudo fazer "para adequar os estatutos ao novo regime jurídico".
Nem mesmo a probabilidade das eleições de 5 de Fevereiro virem a ser
impugnadas foi suficiente para demover Horácio Antunes de avançar: "Desde
que seja legal temos de estar preparados para que qualquer sócio as possa
pôr em causa. Se estatutos forem aprovados será dado mais um passo na tentativa
de melhorar e adequar os estatutos com a lei e o regime jurídico".
Horácio Antunes admite não levar o mandato até ao fim, caso seja eleito:
"Este mandato será sempre transitório, o que não quer dizer que seja efémero.
Pretendo formar um colégio eleitoral assim que os novos estatutos estejam
aprovados de modo a criar condições para a convocatória de novas eleições.
Gostaria que houvesse um consenso alargado sobre esta questão".
Em relação às linhas programáticas da sua candidatura, Horácio Antunes
entende que "é preciso combater a inércia" que existe na FPF, conferir-lhe
"uma nova dinâmica e estabelecer objectivos" para serem cumpridos.
"A direcção da FPF tem vivido nos últimos anos à sombra dos êxitos da
selecção", argumentou o candidato, que pretende criar "um cargo de director
técnico, um pelouro de futebol de formação, um departamento técnico desportivo
e renovar todo o sector da formação".
Questionado se convidou o actual presidente Gilberto Madaíl Horácio Antunes
esclareceu: "Convidei-o para presidente da Assembleia-Geral através de uma
das pessoas que me acompanhava. O telefonema foi feito à minha frente. O
dr. Madail simplesmente não respondeu, deduzindo eu que não estava disponível."
Horácio Antunes disse que convidou Gilberto Madaíl porque este "merecia
continuar" e em função "dos cargos que ocupa na UEFA e na FIFA, que são
muito importantes para Portugal", evitando assim a regra do passado segundo
a qual quem entrava na FPF "varria quem ocupava cargos internacionais".
O candidato justificou ainda a aparente incoerência de ter votado favoravelmente
na Assembleia da República (AR) a Lei de Bases do Sistema desportivo, enquanto
deputado do Partido Socialista, e agora ser contestatário do novo regime
jurídico das federações desportivas.
"Quando votei não tinha pessoalmente conhecimento da lei. Quando passei
a ter, estive presente em vários debates a nível distrital e na AR e sempre
manifestei a minha discordância e desconforto com essa lei", alegou Antunes,
para quem aquela não só "não era a mais adequada", como era susceptível em
alguns artigos de "ser considerada inconstitucional".
De resto, segundo ele, "nenhum partido" com assento parlamentar aceitou
"accionar o pedido de constitucionalidade da lei", como foi solicitado na
altura pelas associações.
A hipótese do ato eleitoral vir a ser anulado por decisão do Tribunal
Arbitral da FPF, solicitado pela Liga de Clubes, também não demoveu Horácio
Antunes, que defende o actual presidente da Assembleia-Geral da FPF: "Penso
que o dr. Avelino Ribeiro deveria ser ouvido para indigitar o Juiz árbitro
para esse tribunal arbitral. Mas aceitaremos tudo o que em ultima instância
seja decidido por qualquer órgão que tenha competência para o efeito".