Liga e Sindicato unidos na protecção dos jovens jogadores
A Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) e o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) assinaram hoje um acordo de alteração ao contrato colectivo de trabalho no sentido de proteger os jovens oriundos da formação.
Sem prejuízo da remuneração mínima actual, três salários mínimos para a Liga e dois e meio para a Honra, o acordo abre a possibilidade aos clubes para contratar jovens (18 a 21 anos) por uma tabela inferior.
Os clubes que pretendam contratar dois ou mais jovens futebolistas profissionais podem-lhes oferecer agora um salário mínimo e meio e apenas um, consoante participem na Liga e Honra, respectivamente.
"Esta alteração é de grande responsabilidade e maturidade", referiu Hermínio Loureiro, acrescentando que constitui "um sinal positivo para que os jovens possam ter mais oportunidades nos campeonatos profissionais".
De acordo com Hermínio Loureiro, o aditamento irá possibilitar mais oportunidades aos jogadores oriundos da formação, dado que os clubes dispõem de um tecto salarial inferior para os poder contratar.
"É mais uma oportunidade que estamos a dar aos jovens jogadores com potencialidade", referiu o dirigente, recordando que a alteração surge também da situação económica, social e financeira que o país atravessa.
Joaquim Evangelista considerou que a revisão do acordo de trabalho constitui "um acto de responsabilidade", dado que "os jovens estão impedidos de progredir em virtude de um salário mínimo estabelecido".
"Esta norma permite fazer a aposta nos jogadores jovens (entre os 18 e os 21 anos), permitindo a que pelo menos dois sejam integrados no plantel profissional dos respectivos clubes", referiu Joaquim Evangelista.
O presidente do SJPF alertou ainda para o facto preocupante de na actual época as politicas de contratações privilegiarem os jogadores estrangeiros em detrimentos dos nacionais e, consequentemente, dos jovens.
"Vamos apresentar quinta-feira um estudo que revela números chocantes e preocupantes em relação a esta matéria", revelou Joaquim Evangelista, contestando a aposta massiva na contratação de jogadores estrangeiros.
Evangelista transmitiu a Hermínio Loureiro esta preocupação por parte dos jogadores portugueses e alertou para o facto de que esta tendência descaracteriza os clubes e afecta a própria identidade das selecções nacionais.
A alteração do tecto salarial é apenas uma das normas que irá ser abordada na revisão do actual contrato colectivo de trabalho, em vigor desde 1999, que será adequada ao recentemente aprovado Código de Trabalho.
"Há novas realidades e a alteração do contrato colectivo de trabalho não é uma tarefa fácil. A alteração da regulamentação do trabalho tem sofrido altos e baixos, mas é fruto de uma intensa reflexão interna", referiu Loureiro.
O líder da Liga considerou que nem sempre as relações com o sindicato têm sido pacíficas, muitas vezes até são atribuladas e marcadas por excessos, mas reconheceu que as instituições estão em sintonia do que diz respeito à melhoria da modalidade.
"Prova de que quando somos chamados a tomar decisões na valorização e engrandecimento da modalidade (como agora na revisão do contrato colectivo de trabalho), as questões secundárias são colocadas de lado", acrescentou Hermínio Loureiro.
O Sindicato dos Jogadores anunciou ainda a instituição de um prémio para distinguir o melhor jogador profissional entre os 18 e 21 anos a escolher pelo vice-presidente da instituição, João Vieira Pinto.
C/ Lusa