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Negociações regressam a Abu Dhabi. Rússia e Ucrânia trocam ataques com drones

Negociações regressam a Abu Dhabi. Rússia e Ucrânia trocam ataques com drones

Na última madrugada, um ataque das forças de Moscovo provocou dois mortos em Dnipropetrovsk e outras duas pessoas morreram num ataque de Kiev na região ocupada de Luhansk.

Cristina Sambado - RTP /
Reuters

Negociadores ucranianos, russos e norte-americanos reúnem-se esta quarta-feira em Abu Dhabi para avançar nas difíceis negociações com o objetivo de pôr fim a quatro anos de guerra.

Em Dnipropetrovsk, duas pessoas morreram num ataque com um drone russo. "Uma mulher de 68 anos e um homem de 38 foram mortos", disse o chefe da administração regional, Mykola Lukashuk, no Telegram.

A Rússia lançou cerca de 450 drones de longo alcance e 70 mísseis de vários tipos contra a Ucrânia num grande ataque durante a noite, afirmou o presidente ucraniano.Volodymyr Zelensky acusou a Rússia de preferir continuar os ataques à Ucrânia em vez de procurar uma solução diplomática, após mais de 1.100 casas terem ficado sem aquecimento, em Kiev, numa grande ofensiva noturna.


Na terça-feira, a empresa do setor energético ucraniana DTEK disse que os ataques russos realizados contra o setor energético da Ucrânia foram "os mais poderosos" de 2026, acrescentando que as suas centrais foram "gravemente danificadas".

"Durante a noite, a Rússia lançou o seu ataque mais poderoso contra o setor energético desde o início do ano", declarou a empresa privada no Telegram, dando conta de que centrais elétricas e centrais termoelétricas foram atingidas em Kiev, Kharkiv (nordeste), Odessa (sul) e Dnipro (centro-leste)Ucrânia ataca áreas controladas pela Rússia

Na região de Luhansk, no leste da Ucrânia, que está quase inteiramente controlada pelas forças russas, "um jovem e uma mulher de 20 anos foram mortos num ataque com um dronena cidade de Novokrassnianka", informou o governo em comunicado no Telegram. Em setembro de 2022, a Rússia afirmou ter anexado a região de Luhansk, bem como as regiões de Donetsk (leste), Zaporizhzhia e Kherson (sul), embora não controle todos estes territórios.

O ataque, levado a cabo por um "drone das forças armadas ucranianas" que tinha como alvo um miniautocarro, ocorreu na noite de terça-feira, acrescentou.

O Ministério da Defesa russo revelou esta quarta – feira que as defesas aéreas abateram 24 drones ucranianos sobre quatro regiões da Rússia durante a noite.

Quase metade dos drones, 11, foram abatidos sobre a região fronteiriça de Bryansk, e outros oito sobre Belgorod, declarou o comando militar russo, também no Telegram.

Mais cinco drones foram neutralizados nas regiões de Rostov e Astrakhan.

As autoridades de aviação ordenaram o encerramento temporário dos aeroportos de Volgogrado e Saratov.

Nos últimos dias, o número de ataques ucranianos contra zonas de retaguarda russas diminuiu consideravelmente: entre 31 de janeiro e 2 de fevereiro, foram abatidos uma média de cerca de 25 drones por dia, enquanto a 26 de janeiro foram destruídos 106 e, a 4 de janeiro, cerca de 400, segundo dados do Ministério da Defesa russo.

Na terça-feira a Rússia registou o menor número de ataques nas últimas semanas: apenas dez drones foram intercetados durante a noite.Negociações retomadas em Abu Dhabi
Os negociadores da Ucrânia, Rússia e Estados Unidos deverão realizar esta quarta-feira a segunda ronda de negociações trilaterais nos Emirados Árabes Unidos, negociações que começaram no mês passado na capital do país, Abu Dhabi.

A agência de notícias oficial russa TASS noticiou esta quarta-feira que a delegação russa tinha chegado a Abu Dhabi. Não ficou claro se as delegações americana e ucraniana já lá estavam.

Russos, ucranianos e norte-americanos reuniram-se nos Emirados Árabes Unidos no final de janeiro para discutir o plano proposto por Washington para pôr fim à guerra. Desencadeada pela invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, a guerra tornou-se o pior conflito armado na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, resultando em dezenas de milhares, talvez centenas de milhares, de mortes e milhões de refugiados.

O principal ponto de discórdia é territorial: Moscovo exige, em particular, que as forças ucranianas se retirem das zonas ainda sob o seu controlo na região de Donetsk. A Ucrânia rejeita esta exigência, mas teme que Washington apoie a posição russa.

Donetsk, um território industrial e mineiro no leste da Ucrânia reivindicado por Moscovo, é o epicentro dos combates e alberga as mais fortes defesas da Ucrânia contra os ataques russos. 


Kiev, por sua vez, pressiona para um cessar-fogo na atual linha de demarcação e para o congelamento das operações na frente de batalha.

A delegação ucraniana é liderada pelo chefe do Conselho de Segurança Nacional e antigo ministro da Defesa, Rustem Umerov, um diplomata de renome.

Inclui também o novo chefe da administração presidencial, Kyrylo Budanov, antigo chefe dos serviços de informação militar ucranianos.

O principal negociador russo é o chefe dos serviços de informação militar, Igor Kostyukov, um oficial naval de carreira sob sanções ocidentais.

Em negociações anteriores, a equipa americana foi liderada pelo enviado especial Steve Witkoff, e espera-se que seja novamente o caso.

A Rússia ocupa quase 20 por cento do território ucraniano e ameaçou alcançar os seus objetivos pela força caso a diplomacia falhe. Zelensky afirmou ainda que Kiev estaria preparada para continuar as hostilidades.


No entanto, a Ucrânia enfrenta este inverno a sua pior crise energética desde 2022. Os ataques aéreos russos devastaram a rede elétrica e o fornecimento de aquecimento e água.

Após uma breve pausa graças a um pedido de Donald Trump ao seu homólogo russo, Vladimir Putin, o exército russo retomou os seus ataques aéreos maciços contra a Ucrânia na terça-feira.

Nas linhas da frente, as tropas russas aceleraram os seus avanços durante janeiro, conquistando quase o dobro do território em relação ao mês anterior, de acordo com uma análise da AFP baseada em dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) dos EUA.

c/ agências 
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