Farioli alerta para momento do Arouca e quer FC Porto longe do "piloto automático"
O treinador do FC Porto, Francesco Farioli, alertou hoje para o bom momento do Arouca e pediu uma equipa longe do "piloto automático" na receção de domingo, da terceira jornada da I Liga portuguesa de futebol.
As duas equipas chegam ao encontro com duas vitórias e sem golos sofridos, tendo Farioli revelado que o Arouca, orientado por Vasco Seabra, foi uma das equipas que mais o impressionou quando chegou ao futebol português.
"Fiquei impressionado com a mentalidade, com aquilo que queriam fazer com e sem bola. O que fizeram, especialmente na segunda metade da época passada, foi realmente notável", considerou.
Apesar de conhecer agora melhor o adversário, o treinador portista recusou que essa familiaridade permita simplificar a preparação, destacando alterações que detetou no conjunto arouquense.
"São uma equipa que tem variabilidade e opções com bola. Uma equipa que também é muito criativa nas bolas paradas, pelo tipo de combinações curtas e combinações diretas que consegue fazer", afirmou.
Com a Liga dos Campeões a aproximar-se e um calendário que aumentará a carga competitiva, Farioli afirmou que a preparação dos últimos dois meses procurou elevar os limites dos jogadores, sobretudo pensando nas exigências internas.
"Preparámo-nos para elevar o nosso nível, não apenas para a Liga dos Campeões, mas principalmente para elevar o nosso nível no campeonato", vincou, considerando "realmente positiva" a resposta do grupo ao trabalho realizado.
O plantel, contudo, ainda poderá sofrer alterações até ao encerramento do mercado, com o treinador a admitir que o FC Porto pretende reforçar-se, embora sem precisar quantas contratações poderão chegar.
"Gostaríamos de fazer alguns movimentos de entrada, mas não sei se será um, dois ou mais de dois. Os últimos dias poderão ser `quentes`", antecipou.
Questionado especificamente sobre Seko Fofana, Farioli reconheceu manter contacto ocasional com o médio, que já representou os `dragões` na época passada, mas não confirmou qualquer negociação, enquanto também evitou comentar a possibilidade de contratação do avançado do Milan Santiago Giménez.
"Internamente, é claro aquilo que temos de fazer, aquilo que queremos fazer e aquilo que gostaríamos de fazer. Depois existe um mundo ideal e diferentes graus de adaptação à realidade", concluiu.
O FC Porto, segundo classificado, com seis pontos, defronta este domingo o Arouca, primeiro, também com seis, numa partida agendada para as 20:30, no Estádio do Dragão, com arbitragem de João Pinheiro, da Associação de Futebol de Braga.
"A saída do Rodrigo Mora foi uma decisão financeira" - Farioli
O treinador do FC Porto, Francesco Farioli, rejeitou hoje ter contribuído para a saída de Rodrigo Mora para a Roma e considerou que o jovem futebolista deixa os ‘dragões’ "mais completo e preparado para a carreira".
À margem da antevisão à receção de domingo ao Arouca, da terceira jornada da I Liga, o técnico italiano abordou a transferência do jogador, começando por enquadrá-la numa decisão financeira do clube e não numa opção relacionada com a utilização desportiva.
“A decisão e o facto de o Rodrigo sair é uma decisão financeira. O negócio de mais de 50 milhões representa o maior valor líquido para o clube, é a maior transferência da história da Roma e uma das cinco maiores de sempre do FC Porto”, sustentou.
Farioli lembrou que o FC Porto “precisa de vender para continuar a avançar” e contrariou também a ideia de que Rodrigo Mora tivesse assumido um papel secundário nas suas opções, apresentando os números de utilização do jogador em comparação com Gabri Veiga.
Segundo o treinador, Mora somou 1.946 minutos na última temporada, contra 2.699 do espanhol, tendo sido titular em 21 encontros e utilizado como suplente em outros 23, números que, para Farioli, demonstram que a distância entre ambos “não é assim tão grande”.
“Quando temos dois jogadores ao mesmo nível, temos de gerir de acordo com o jogo, os resultados e as necessidades. Com o Rodrigo, acredito verdadeiramente que foi uma época positiva”, avaliou.
Mais do que a utilização, o italiano destacou a evolução que considera ter existido no futebol do jovem português, que deixa o FC Porto depois de conquistar mais dois títulos.
“Acho que hoje o Rodrigo é um jogador mais completo. Tem o mesmo talento que tinha há 14 meses e hoje é um jogador de equipa. Tenho absoluta certeza de que aquilo que aprendeu este ano será muito bom para a carreira dele”, vincou.
Farioli revelou ainda um episódio ocorrido antes da recente deslocação ao terreno do Rio Ave, quando a transferência para a Roma estava praticamente concluída e decidiu não utilizar Mora, salvo absoluta necessidade, para não colocar o negócio em risco.
Antes da partida, o treinador pediu ao médio para falar aos companheiros no balneário, num discurso que, segundo Farioli, se centrou exclusivamente na ligação ao clube.
“O discurso dele foi apenas sobre o seu amor pelo Porto. É um jogador muito jovem, mas que já tem liderança e capacidade para assumir determinadas responsabilidades. O discurso foi fantástico e ajudou-nos a entrar em campo e a ganhar mais um jogo”, partilhou.
O treinador garantiu também que manteve várias conversas individuais com Mora durante os últimos dias da negociação e descreveu a relação entre ambos como “transparente” e “honesta”, apesar da dimensão alcançada pelo processo de transferência.
“Para o Rodrigo foi um momento bastante particular. É a segunda vez, depois de alguns anos, que surge envolvido num grande negócio e com a possibilidade de deixar o clube da sua vida”, reconheceu.
Farioli considerou, contudo, que desta vez a vertente financeira surge acompanhada por “um projeto desportivo de topo” na Roma, vendo a mudança como “um bom passo” para o jogador.
“É um rapaz que foi fantástico connosco”, resumiu o técnico, garantindo que será agora “o seu primeiro adepto” e desejando-lhe sucesso na nova etapa da carreira.