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Dakar2026. Maria Gameiro foi “bem recebida”, mas “homens detestam ser passados”
A piloto portuguesa Maria Luís Gameiro (Mini) diz ter sido bem recebida na 48.ª edição do rali Dakar de todo-o-terreno, mas admite que há pilotos homens “que não gostam de ser ultrapassados por um carro cor de rosa”.
Em entrevista à agência Lusa no ‘bivouac’ [acampamento] do Dakar, em Riade, onde hoje se passou o dia de descanso da competição, a piloto portuguesa admite que “faltam apoios” para haver mais mulheres a competir, mas que isso também acontece “por uma questão cultural”.
“Hoje em dia já é muito agradável. Somos ainda poucas senhoras, apenas 3,5 por cento, mas somos muito bem recebidas. Nas partidas, os homens gostam muito de nos ver e somos muito acarinhadas”, começou por dizer a piloto do Mini.
No entanto, depois de a corrida começar, a atitude dos pilotos masculinos tende a mudar.
“Em pista, já não têm a mesma atitude. Sinto que, às vezes, quando vou para ultrapassar e eles se apercebem de que o carro é cor de rosa, já não gostam que isso aconteça. Mas temos sido bem recebidas”, frisa Maria Luís Gameiro.
A piloto de 47 anos, que lidera a Taça das Senhoras nesta edição do Dakar, acredita que falta apenas uma coisa para haver mais mulheres a competir - apoios.
“Não é fácil. Em primeiro lugar há um fator cultural. Os rapazes são educados a gostar de motores. As meninas, ou têm um pai aficionado que as leve para esse campo ou será mais difícil”, aponta.
No seu caso, já teve de responder a muitas interrogações.
“Perguntam-me muitas vezes porque é que ando no meio do pó e se não era mais fácil para mim estar num spa. Mas, por haver menos oportunidades, há falta de apoios”, diz.
Maria Luís Gameiro também vê alguma evolução na sociedade saudita, onde foi permitido às mulheres conduzirem desde que a prova se mudou para esta parte do globo.
“Estamos na bolha da prova, mas a minha experiência fora desta bolha sempre foi muito positiva. É verdade que a maioria dessa experiência foi em cidades, como Jeddah, e fui muito bem recebida. Mas mesmo nas fronteiras – e eu cheguei sozinha –, fui muito bem recebida”, garante.
Mesmo quando sofreu um acidente em que foi abalroada por um camião na segunda etapa da prova, na segunda-feira, recebeu apoio do público local.
“Pontualmente, poderemos ser olhadas de lado por estarmos com os cabelos soltos, mas percebem que somos ocidentais. Pessoalmente, sinto que me têm tratado bem. Percebe-se que há uma evolução a acontecer”, garante.
A piloto lusa sublinha que tem de haver respeito entre as diferentes culturas.
“Não podemos querer que vivam à nossa imagem. Obviamente que os Direitos Humanos e os das mulheres em particular são muito importantes, mas acho que, devagarinho, eles estão a conseguir evoluir e querendo abrir-se ao mundo é uma vontade deles”, conclui.
Maria Luís Gameiro cumpre a segunda participação no Dakar e ocupa o 60.º lugar da classificação geral dos automóveis, a 5:22.40 horas do líder, o qatari Nasser Al-Attiyah (Dácia Sandrider).
Hoje cumpre-se o dia de descanso da 48.ª edição, após seis etapas disputadas. A competição é retomada no domingo, com uma tirada entre Riade e Wadi Ad Dawasir, com 462 quilómetros cronometrados.
“Hoje em dia já é muito agradável. Somos ainda poucas senhoras, apenas 3,5 por cento, mas somos muito bem recebidas. Nas partidas, os homens gostam muito de nos ver e somos muito acarinhadas”, começou por dizer a piloto do Mini.
No entanto, depois de a corrida começar, a atitude dos pilotos masculinos tende a mudar.
“Em pista, já não têm a mesma atitude. Sinto que, às vezes, quando vou para ultrapassar e eles se apercebem de que o carro é cor de rosa, já não gostam que isso aconteça. Mas temos sido bem recebidas”, frisa Maria Luís Gameiro.
A piloto de 47 anos, que lidera a Taça das Senhoras nesta edição do Dakar, acredita que falta apenas uma coisa para haver mais mulheres a competir - apoios.
“Não é fácil. Em primeiro lugar há um fator cultural. Os rapazes são educados a gostar de motores. As meninas, ou têm um pai aficionado que as leve para esse campo ou será mais difícil”, aponta.
No seu caso, já teve de responder a muitas interrogações.
“Perguntam-me muitas vezes porque é que ando no meio do pó e se não era mais fácil para mim estar num spa. Mas, por haver menos oportunidades, há falta de apoios”, diz.
Maria Luís Gameiro também vê alguma evolução na sociedade saudita, onde foi permitido às mulheres conduzirem desde que a prova se mudou para esta parte do globo.
“Estamos na bolha da prova, mas a minha experiência fora desta bolha sempre foi muito positiva. É verdade que a maioria dessa experiência foi em cidades, como Jeddah, e fui muito bem recebida. Mas mesmo nas fronteiras – e eu cheguei sozinha –, fui muito bem recebida”, garante.
Mesmo quando sofreu um acidente em que foi abalroada por um camião na segunda etapa da prova, na segunda-feira, recebeu apoio do público local.
“Pontualmente, poderemos ser olhadas de lado por estarmos com os cabelos soltos, mas percebem que somos ocidentais. Pessoalmente, sinto que me têm tratado bem. Percebe-se que há uma evolução a acontecer”, garante.
A piloto lusa sublinha que tem de haver respeito entre as diferentes culturas.
“Não podemos querer que vivam à nossa imagem. Obviamente que os Direitos Humanos e os das mulheres em particular são muito importantes, mas acho que, devagarinho, eles estão a conseguir evoluir e querendo abrir-se ao mundo é uma vontade deles”, conclui.
Maria Luís Gameiro cumpre a segunda participação no Dakar e ocupa o 60.º lugar da classificação geral dos automóveis, a 5:22.40 horas do líder, o qatari Nasser Al-Attiyah (Dácia Sandrider).
Hoje cumpre-se o dia de descanso da 48.ª edição, após seis etapas disputadas. A competição é retomada no domingo, com uma tirada entre Riade e Wadi Ad Dawasir, com 462 quilómetros cronometrados.