F1 Brasil: Vettel é campeão em corrida dramática

Button venceu a corrida, Vettel com acidente na 1ª volta recuperou para os pontos. Alonso foi 2º, Vettel foi 6º no final. Chuva influenciou e animou corrida. Um final sensacional de temporada. Título decidido por 3 pontos apenas. Menos do que vale um 8º lugar de Grande Prémio.

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Foi dramático o GP que tudo decidia em termos de campeonato. Vettel e Alonso estavam separados por 13 pontos, mas com chuva tudo poderia acontecer.

O chove-não chove que durou até ao início da corrida representou o primeiro drama da tarde.

Começou a chover a 4 minutos do início da prova, quando já não dava para mudar de pneus de seco. Todos, nas mesmas circunstâncias, a iniciar a corrida com composto não adaptado a uma pista que iria ficar cada vez mais escorregadia.

Esta 6ª decisão do título em São Paulo, nos últimos 8 anos, prometia. E confirmou-se como imprópria para cardíacos, mas muito especial para os fãs.

 

Na largada, os homens da McLaren protegeram a liderança. Logo atrás Alonso voltou de 7º a fazer uma boa partida, saltando para 5º logo na primeira volta.
 


Por seu turno, as coisas não correram bem a Vettel. Foi demasiado conservador na saída, para não se envolver em carambola. Mas na curva para a Descida do Lago, no final da reta interior, foi tocado pelo Williams de Bruno Senna. O toque envolveu também aí Sergio Perez. E ambos ficaram.


 
Vettel, esse, virou no sentido contrário da corrida...mas surpreendentemente, apesar de danificado no chassis, o RB8 continuou em prova. Nem a suspensão foi afetada. Era drama emprestado à decisão do título, mas também um sinal de sorte para o alemão.

Se o carro andava, então havia que recuperar. E assim fez. Num sprint de 6 voltas, vindo de 22º, Vettel reentrou no Top10.

Enquanto isso, Alonso estava animado pelo início. Foi tirando gente do caminho. Passou fácil Massa, mas também Mark Webber. Só que as condições de pista fizeram-no vacilar no final da reta, saindo de pista por momentos, o que o fez perder a posição para Nico Hulkenberg.

 

Hulkenberg mostrou-se e bem, na sua última corrida com a Force India (em 2013 estará na Sauber). O alemão depois de passar Alonso, foi à procura dos dois McLaren na frente.

A chuva aumentava. Button meteu por dentro e passou Hamilton assumindo a liderança da corrida.

As condições de pista tornavam-se impraticáveis para os pneus de seco.
E todos rumaram à boxe para colocar o composto intermédio para chuva. Todos, menos Hulkenberg e Button, que assim ganharam vantagem sobre toda a concorrência.
 
Entre os candidatos ao título, Alonso com o seu pitstop desceu para 12º e Vettel para 17º.

Na frente, havia um Incrível Hulk ao volante de um Fórmula 1. Hulkenberg passou nos S de Senna, Button e foi para a liderança.

Pela primeira vez se pensou que caso um Force India vencesse a corrida, esta seria a primeira época desde 1982, que 7 equipas diferentes ganhariam uma prova pelo menos.

E a chuva parou. E a pista secou. Os tempos com compostos intermédios, passaram a revelar-se muito altos. Toda a gente que tinha entrado antes, voltou às boxes para colocar os pneus de seco outra vez.

Boas notícias para os dois da frente que ganhavam quase 45 segundos de vantagem para a concorrência.

No duelo para o título, Alonso estava em 4º e Vettel passava para 5º. Ou seja, sempre a controlar o espanhol. O pior do início da corrida tinha passado, o susto foi grande, mas o título voltava a ser próximo. O chassis danificado do RB8 não estava a comprometer a corrida de Vettel.



Schumacher na sua última corrida divertia-se com o Mercedes. E sentia pela última vez a adrenalina da F1. Travagem no limite discutindo a posição com Kimi Raikkonen, outro piloto que saiu e regressou à Fórmula 1.

É aqui que Nico Rosberg fura e os detritos deixados em pista obrigam a direção de corrida a mandar entrar o Safety Car. Com isso, as diferenças entre pilotos esbatem-se. 

Nas boxes surgem dúvidas com a imagem televisiva de uma ultrapassagem de Vettel a Kobayashi com sinalética de bandeira amarela (o que é proibido). O certo é que a Ferrari não reclama à direção de corrida. Vettel nem é investigado. E a corrida recomeçava depois da pista limpa.
 


Estavamos com 29 voltas, ainda nem a 1ª metade de corrida tinha chegado e os acontecimentos até aí, deixavam a impressão de termos tido uma mão cheia de Grandes Prémios. A ordem no relançamento de corrida era Hulkenberg, Button, Hamilton, Alonso, Vettel, Webber e Kobayashi.

O japonês que pode ter feito a última corrida na F1 (no próximo ano ainda não arranjou lugar, tendo sido dispensado da Sauber), carregou qual kamikaze sobre Webber e logo a seguir, sem dó de um candidato ao título, foi para cima de Alonso. E passou.



Alonso sabia que não podia permitir o desaforo. Era uma questãode título. No esforço, foi atrás de Kamui e voltou a passar o japonês, regressando ao 4º posto.

Massa, detrás, vinha também a recuperar depois de muito tempo perdido no início, com os pneus de seco. Também ele, em busca de posições que pudessem ajudar o colega de equipa ao título, no momento certo.



Depois do recomeço, Hamilton foi melhor que Button. Lewis passou Jenson para ir em busca de Hulkenberg. Aí se manteve até à 49ª volta.

Nessa altura, aproveitou o Bico de Pato para passar Hulkenberg, quando este errou, saindo largo na curva.

Só que, perdendo a liderança, Hulkenberg não quis ficar por aí.
Foi atrás de Hamilton e pressionou. 5 voltas mais tarde, na travagem no final da reta da meta, Hulkenberg meteu por dentro e deixou escorregar o carro. O Force India e o McLaren tocavam-se.



Lewis terminava ali o seu último GP pela McLaren. Hulkenberg atrasava-se na prova, mas continuava. Teve posteriormente de perder ainda mais, pois foi penalizado pelo incidente, passando lento pela via das boxes.

Vindo atrás Button agradece a gentileza. Ia para o comando da corrida.  Massa estava em 2º e Alonso passava para 3º.
 
Estava tudo decidido? Claro que não. Nem São Pedro deixava.
A chuva aumentava a cada minuto. A pista já não oferecia condições para rodar com os pneus de seco. E todos voltaram à boxe para colocação de intermédios.

Vettel, que entretanto tinha identificado problemas na comunicação rádio com a equipa, não foi ouvido. Ele decidiu entrar e ninguém estava preparado para o receber.

Foi tempo perdido e Vettel perdeu mais posições relativas na corrida. Nas contas pelo campeonato, nestas condições, Vettel teria de ir até ao 7º lugar mas de repente achava-se em 8º.

 

Todos se lembravam de como o título de 2008 tinha sido decidido com Hamilton a passar Glock na última curva da última corrida.

Lá mais à frente a Ferrari trocou de posições, como esperado, entre os seus pilotos. Alonso vinha para 2º atrás de Button. Mas Webber era o 5º na corrida e se fosse preciso, também abrandaria para deixar Vettel passar e ganhar a posição que faltasse.

Tal só iria ser preciso, se Button abandonasse a corrida. Vettel passou para 6º, ultrapassando Michael Schumacher que fechou a carreira em Interlagos, ao final de 19 épocas de F1. A margem de Alonso ser campeão ficava mais curta ainda.

E nisto, só foi pena que Paul di Resta batesse com o Force India, forte na penúltima volta fazendo com que a temporada terminasse atrás do Safety Car.



Nesse momento, Vettel sabia que mais nada poderia acontecer. O título estava ganho.

O GP fechou com 2 voltas atrás do Safety. E com vitória para Button, que terminou época tal como começou em Melbourne na Austrália, onde venceu a primeira corrida do ano.

A Ferrari fez duplo pódio, com Alonso no 2º lugar a marcar o 13º pódio da temporada e Felipe Massa que obteve um emotivo 3º lugar em casa, o 1º pódio desde que venceu em 2008 (a corrida onde também ele perdeu na última volta o título para Hamilton).



Vettel fechou em 6º lugar, o que lhe permitiu ganhar o título por 3 pontos apenas.



Michael Schumacher foi 7º na sua última corrida na Fórmula 1. e comemorou com o seu sucessor alemão.



A Renault teve tarde má, com Grosjean a abandonar por despiste bem cedo e Raikkonen a acabar em 10º.

No duelo final para conquistar alguns milhões de dólares por parte da FIA, estavam em corrida a Marrusia e a Catheram. E com tanto abandono era importante para fórmula de desempate no 11º lugar do campeonato que uma das equipas ficasse à frente da outra, registando o melhor resultado da época (nenhuma marcou pontos). E Vitaly Petrov (Catheram) levou a melhor sobre Charles Pic (Marrusia). Dinheiro em caixa. Não deixa de ser curioso que Pic foi, na 6ª feira, anunciado como piloto da Catheram em 2013.


 

CLASSIFICAÇÃO FINAL DO GP DO BRASIL

1. Jenson Button McLaren-Mercedes 1h45m22.656
2. Fernando Alonso Ferrari 2.754
3. Felipe Massa Ferrari 3.615
4. Mark Webber Red Bull-Renault 4.936
5. Nico Hulkenberg Force India-Mercedes 5.708
6. Sebastian Vettel Red Bull-Renault 9.453
7. Michael Schumacher Mercedes GP 11.907
8. Jean-Eric Vergne Toro Rosso-Ferrari 28.653
9. Kamui Kobayashi Sauber-Ferrari 31.250
10. Kimi Raikkonen Lotus-Renault 1 volta
11. Vitaly Petrov Caterham-Renault 1 volta
12. Charles Pic Marussia-Cosworth 1 volta
13. Daniel Ricciardo Toro Rosso-Ferrari 1 volta
14. Heikki Kovalainen Caterham-Renault 1 volta
15. Nico Rosberg Mercedes GP 1 volta
16. Timo Glock Marussia-Cosworth 1 volta
17. Pedro de la Rosa HRT-Cosworth 2 voltas
18. Narain Karthikeyan HRT-Cosworth 2 voltas
19.D Paul di Resta Force India-Mercedes Desp /3 voltas
D
Lewis Hamilton McLaren-Mercedes Acidente
D Romain Grosjean Lotus-Renault Despiste
D Pastor Maldonado Williams-Renault Despiste
D Bruno Senna Williams-Renault Acidente
D Sergio Perez Sauber-Ferrari Acidente
MELHOR VOLTA
  Lewis Hamilton McLaren-Mercedes 1:18.069



Com 25 anos e 140 dias, Sebastian Vettel tornou-se no mais jovem tricampeão mundial de Fórmula 1 e é também o terceiro piloto a conquistar três títulos consecutivos.

A época não lhe correu bem no início, com apernas um triunfo no Bahrain e passou o verão todo em jejum. Ele torna-se mesmo no primeiro campeão do mundo a não ganhar qualquer corrida na Europa. Porém a ida ao Oriente trouxe-o de novo para a corrida ao título, ao vencer 4 corridas consecutivas em Singapura, Japão, Coreia do Sul e Índia.

Depois foi gerir com mais 2 pódios e a 6ª posição final no Brasil que chegou para o que é um ano absolutamente fantástico.

Quanto ao título de construtores, a Red Bull já tinha conquistado a semana anterior o seu 3º título. Só outras 4 equipas na história conseguiram fazê-lo. Ferrari com 16, Williams 9,  McLaren 8 e Lotus 7. Mas 3 títulos seguidos só outras 2 equipas o conseguiram. a Ferrari em 1975-76-77  e a McLaren 1988, 89, 90 e 91 (4 títulos, neste caso).

OUTROS DADOS QUE FICAM DA TEMPORADA:


* Vitórias de 2012: Sebastian Vettel 5, Lewis Hamilton 4, Fernando Alonso 3,  Jenson Button 3, Mark Webber 2, Nico Rosberg 1, Pastor Maldonado 1, Kimi Raikkonen 1.

* Voltas Mais Rápidas de 2012:
Sebastian Vettel 6, NicoRosberg 2, Kimi Raikkonen 2, Jenson Button 2, Kamui Kobayashi 1; Romain Grosjean 1, Sergio Perez 1, Michael Schumacher 1, Bruno Senna 1, Nico Hulkenberg 1, Mark Webber 1, Lewis Hamilton 1


Aqui um registo importante. Trata-se de um RECORD ABSOLUTO NA F1. O máximo de pilotos diferentes a marcar Volta Mais Rápida numa só época tinha sido de 10 em 2009, 1982, 1981, 1976, 1975 e 1954. Este ano foram 12.

* Pódios de 2012: Fernando Alonso 13, Sebastian Vettel 10, Kimi Raikkonen 7, Lewis Hamilton 7, Jenson Button 6, Mark Webber 4, Romain Grosjean 3, Sergio Perez 3, Nico Rosberg 2,
Felipe Massa 2, Pastor Maldonado 1, Michael Schumacher 1,  Kamui Kobayashi 1.

Aqui foram 13 pilotos a ir ao pódio (foram só 7 o ano passado). E tivemos 4 pilotos a estrear-se este ano com pódios, Kobayashi, Pérez, Grosjean e Maldonado.

* Pole positions de 2012: Lewis Hamilton 7, Sebastian Vettel 6, Mark Webber 2 , Fernando Alonso 2, Nico Rosberg 1, Pastor Maldonado 1, Jenson Button 1.


Estes e muitos outros dados estatísticos de 2012 na página de estatísticas oficiais da Fórmula 1 RTP (atualização ao final da noite)

E para o ano? Faltam 111 dias. É rápido. Estes foram os pilotos de 2012. Alguns deles já não vão estar na Austrália em Março de 2013. Até lá.

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