Grande Entrevista. Martínez assume que Mundial é o maior desafio da sua vida

Grande Entrevista. Martínez assume que Mundial é o maior desafio da sua vida

O selecionador nacional de futebol confessa que a presença no Mundial de 2026 com a seleção portuguesa é o maior desafio da sua vida. Roberto Martínez acredita que Portugal pode ser campeão do mundo, mas para que isso aconteça é preciso ser resiliente. Confissões feitas no programa da RTP1 "Grande Entrevista", onde o selecionador falou do processo "muito honesto" da escolha dos jogadores, do balneário, de Ronaldo, da liderança, do português e do "muito fado" que há no futebol.

RTP /
José Sena Goulão - Lusa

“Não há equipa que chegue ao mundial campeã”, garante Roberto Martínez no dia seguinte ao anúncio dos convocados para o Mundial daqui a um mês. Há crescimento e resiliência, “ganhar os pormenores”, um “balneário forte”, com equilíbrio e talento, ao nível dos “melhores balneários do mundo”. E há o que o selecionador não tem dúvidas em afirmar como o maior desafio da sua vida.

“A equipa está preparada para tudo fazer na luta contra a História” e fazer “uma coisa que nunca foi feita”, diz Roberto Martínez. “Acredito muito nos nossos jogadores”, defendeu o selecionador, colocando muito a tónica no aspeto psicológico e na resiliência que está acima do talento individual.
Mau mundial é "não dar tudo aquilo que nós podemos dar"
Primeiro não quis assumir o que consideraria um bom Mundial para Portugal, mas no final da entrevista falou do sonho. A final de “19 de julho é o nosso sonho”, admite, mas volta a afirmar que há que “lutar contra a história”.

Já definir o que seria um “mau mundial” foi mais fácil. “Não dar tudo aquilo que nós podemos dar”.

Para o selecionador, Portugal tem agora uma “geração fantástica”, um grupo com muitos jogadores com capacidade de liderança, capitães nos seus clubes. “É muito mais do que só o Ronaldo”. Mas Ronaldo é “importante”, diz, como figura, como inspiração, com uma “atitude incrível” e uma “fome de poder ganhar pela seleção”.
Decisões “não populares”
Roberto Martínez respondeu às críticas sobre as escolhas feitas para os jogadores convocados para este campeonato do Mundo. Escolhas que o selecionador justificou com o equilíbrio necessário, com a importância do perfil dos jogadores, mesmo com o ambiente e força que trazem à seleção, além de competências técnicas num nível em que a competição é muito alta. 

“Precisamos tomar decisões difíceis, que não sejam populares. Decisões difíceis para o bem da nossa seleção”, afirma, garantindo que “é fácil tomar decisões quando sabemos o que procuramos”.

Garante, no entanto, que o processo foi “muito honesto, muito responsável” e que falou com os jogadores ausentes antes de ter anunciado os nomes na convocatória para explicar as razões de não estarem na lista para não restarem dúvidas, mesmo que o jogador possa até não concordar.

Sobre a chamada de Samu Costa e Gonçalo Guedes, exemplifica com a garra e energia contagiosa além do aspeto técnico do primeiro e com as características de terceiro avançado de Guedes, que complementam o ataque.
“Há muito fado no futebol”
Num tom mais pessoal, Roberto Martínez falou de si e da relação com o “país fantástico” que é Portugal.

Considera que a sua continuidade na seleção não vai depender do resultado do Mundial e que agora é a competição que interessa. Martínez fala de uma “boa química” com a seleção.

Ainda tem um professor de português que o continua a acompanhar na aprendizagem da língua. “Se eu fosse adepto, gostaria de ter selecionador a falar português. Faz parte do que significa a seleção".

“Há muito fado no futebol, quando perdemos”, para acrescentar que aprender a língua e a cultura também o ajuda a compreender os jogadores e o que os motiva.

Para Martínez, a morte de Diogo Jota foi uma altura traumática e trágica para o grupo. E lembra o sonho que o jogador tinha de vencer o Mundial e que é também esse o desejo do grupo.


Tópicos
PUB