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Alemanha prepara aplicação com locais de refúgio em caso de ataque

Alemanha prepara aplicação com locais de refúgio em caso de ataque

"Todos os edifícios, incluindo propriedades privadas, que possam servir de abrigo, como caves, garagens e estações de metro", estão a ser inventariados, anunciou esta segunda-feira o ministério da Administração Interna da Alemanha.

RTP /
Destroços do novo míssil hipersónico russo de alcance médio, Oreshnik, em Dnipro Vincent West - Reuters

Num contexto de tensão crescente com a Rússia, Berlim procura aumentar a lista de locais onde a população civil se possa abrigar e caso de ataque. A lista deverá incluir ainda parques de estacionamento e edifícios governamentais, e será no futuro disponibilizada numa aplicação descarregável em dispositivos móveis.

"Vai ser estabelecido um diretório digital de todos os bunkers para que as pessoas os possam encontrar rapidamente, com o auxílio do seu telemóvel", explicou o porta-voz do Ministério.

O Governo vai encorajar também os cidadãos a criar abrigos, apetrechando caves e garagens dos seus domicílios, acrescentou.

O plano foi acordado em junho, tendo sido entretanto estabelecido um grupo de trabalho, revelou ainda o Ministério, sem prever calendário de conclusão ou metas.

A iniciativa está a ser descrita como "ofensiva bunker" mas o levantamento, já em curso, "vai demorar", reconheceu o porta-voz. O projeto envolve os Serviços de Emergência e Proteção Civil, entre outras entidades. A Alemanha tem 83 milhões de habitantes e dispõe de 579 bunkers, a maioria datados da II Guerra Mundial e da época da Guerra Fria. Podem acolher 480 mil pessoas.

Depois da invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, o Governo alemão suspendeu a alienação de fortificações que detinha na sua posse. Desde 2005 já havia passado mais de 300 bunkers para privados, transferindo a responsabilidade e os custos da sua manutenção.

Em outubro, a liderança dos serviços alemães de informação avisou que a Rússia seria provavelmente capaz de lançar um ataque aos países da NATO em 2030, sublinhando que tem estado a crescer o número de atos de sabotagem e as atividades de sabotagem em solo alemão.

A possibilidade da guerra na Ucrânia poder alastrar a outros países europeus agravou-se na semana passada, com o uso de mísseis de longo alcance americanos por parte da Ucrânia contra alvos na Rússia, e a estreia de um novo míssil hipersónico russo, o Oresnnik, num ataque à cidade ucraniana de Dnipro.

Há quatro dias, o presidente russo, Vladimir Putin, considerou que o conflito adquiriu caracteristicas de uma guerra "mundial" e advertiu que não exclui ataques a países ocidentais. Países Bálticos, Polónia e Alemanha procuram preparar as suas populações para o pior.

A ameaça pode incluir o uso pela Rússia dos Oreshnkik, os seus novos mísseis hipersónicos de médio alcance, concebidos para transportar uma ogiva nuclear e praticamente impossíveis de interceptar com os atuais sistemas de proteção aérea. Putin já ordenou novos testes e a produção em massa da nova arma. 
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