Tumultos em França. Procuradores investigam morte de homem em Marselha

Os procuradores franceses abriram um inquérito sobre a morte de um homem de 27 anos que foi atingido por um projétil durante os protestos de sábado em Marselha. A investigação surge depois da reunião de Emmanuel Macron com os autarcas das cidades mais atingidas pelos confrontos dos últimos dias, durante a qual foram analisadas as razões para a violência.

Cristina Sambado - RTP /
Sebastien Nogier - EPA

O homem morreu na noite do passado sábado, quando a cidade de Marselha estava mergulhada em motins e pilhagens. No entanto, os procuradores não conseguem confirmar qual o local onde estava a vítima e se tinha, ou não, participado nos protestos.

Na terça-feira, os procuradores afirmaram que a morte em Marselha pode ter sido provocada por um projétil de uma arma presumivelmente não-letal Flash-Ball, usada pela polícia de choque. Mas não especificaram quem disparou ou a quem pertencia a arma. O impacto provocou uma paragem cardíaca e a morte súbita do homem de 27 anos.Os tumultos em França duraram quase uma semana e foram desencadeados pelo assassinato de um adolescente de origem norte-africana durante operação policial em Nanterre, um subúrbio de Paris.

No sábado, o maior foco de tensão foi em Marselha, onde a polícia disparou gás lacrimogéneo e se envolveu em confrontos com os manifestantes jovens no centro da cidade.

Cerca de 45 mil efetivos policiais foram mobilizados para tentar travar os protestos. Desde sexta-feira, foram detidas cerca de quatro mil pessoas, entre as quais 1.200 menores.
Segundo o Ministério do Interior, desde que os protestos começaram na noite de 27 para 28 de junho, foram queimados 12.202 contentores e 5.892 veículos, 1.105 edifícios foram incendiados e 269 esquadras policiais atacadas.
“Pico da crise já passou”
O presidente francês recebeu na terça-feira, no Palácio do Eliseu, duas centenas e meia de autarcas das cidades mais afetadas pelos tumultos, a quem prometeu todo o apoio para gerir a crise após a morte de Nahel.

“É preciso que nos mantenhamos cautelosos, mas o pico a que assistimos nos últimos dias já passou”, declarou Emmanuel Macron, no Palácio do Eliseu, durante a reunião com os 250 autarcas de cidades afetadas pela vaga de violência que atingiu França, após a morte do jovem Nahel durante uma operação policial.

Após ter sido criticado pela sua ausência, o chefe de Estado francês demonstrou o “apoio, estima e reconhecimento da nação” pela “ação desenvolvida” pelas autoridades locais face aos tumultos dos dias anteriores e embora considere que a “calma tenha regressado” defende que não é “possível agir como se nada tivesse acontecido”.

“Nós vamos apresentar uma lei de urgência para esmagar os prazos e criar um procedimento para acelerar a reconstrução”, anunciou o presidente francês, que prometeu uma ajuda financeira do Eliseu para ajudar na recuperação de infraestruturas nas autarquias, escolas e edifícios, assim como nos equipamentos e sistemas de videovigilância que foram afetados pelos tumultos.

O presidente francês defendeu a aplicação de multas aos pais dos menores envolvidos nos protestos: “Com o primeiro crime, precisamos de encontrar uma forma de sancionar as famílias financeiramente”.

c/ agências
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