Afonso Eulálio mantém liderança após sexta etapa conquistada por Ballerini
O ciclista italiano Davide Ballerini (XDS Astana) escapou a uma queda nos derradeiros metros para conquistar a sexta etapa da Volta a Itália, que continua a ser liderada pelo português Afonso Eulálio (Bahrain Victorious).
Aos 31 anos, Ballerini estreou-se a vencer em grandes Voltas, ao livrar-se de uma queda no quilómetro final dos 142 entre Paestum e Nápoles, impondo-se com o tempo de 3:19.30 horas, à frente do belga Jasper Stuyven e do francês Paul Magnier, ambos da Soudal Quick-Step.
Afonso Eulálio manteve a `maglia rosa` e enfrenta na sexta-feira o seu primeiro grande teste, com o figueirense de 24 anos a iniciar os 244 quilómetros entre Formia e o alto do Blockhaus, de primeira categoria, com 2.51 minutos de vantagem sobre o espanhol Igor Arrieta (UAE Emirates) e 3.34 sobre o italiano Christian Scaroni (XDS Astana), que fecha o pódio.
Uma queda 'ofereceu' a vitória a Ballerini em dia sem sobressaltos para Eulálio
O caos regressou quinta-feira à Volta a Itália, ainda liderada por Afonso Eulálio, com uma queda a marcar os últimos metros e a ‘oferecer’ a vitória na sexta etapa ao ciclista italiano Davide Ballerini (XDS Astana).
Após o atribulado final da véspera, hoje a chegada a Nápoles parecia encaminhada para um sprint sem sobressaltos, mas uma queda a uns 300 metros da meta, no escorregadio paralelo, desorganizou os homens rápidos e deixou Ballerini isolado, com o italiano a estrear-se a vencer em grandes Voltas após ‘aguentar’ a aproximação de Jasper Stuyven.
O belga ficou à frente do ciclista que devia lançar, o francês Paul Magnier, já que o sprinter da Soudal Quick-Step foi ‘travado’ pela queda e teve de contentar-se com o terceiro lugar, com as mesmas 03:19:30 horas do vencedor, no final dos 142 quilómetros desde Pasteum.
“Hoje não estava nos planos [lutar pela etapa], mas […], na última curva, vi que os tipos da frente caíram e no rádio disseram-me “vai, vai, vai”. Consegui, estou muito feliz”, resumiu o experiente italiano da XDS Astana.
Afonso Eulálio (Bahrain Victorious) chegou ileso à meta e manteve a ‘maglia rosa’ e a diferença para os perseguidores na geral: o espanhol Igor Arrieta (UAE Emirates) é segundo, a 02.51 minutos, e o italiano Christian Scaroni (XDS Astana) fecha o pódio, a 03.34,
O final caótico da sexta tirada contrastou com a tranquilidade da jornada, em que Edward Planckaert e Luca Vergalito, ambos da Alpecin-Premier Tech, saltaram para a frente da corrida quando estava decorrida apenas uma dezena de quilómetros, já depois de Jonathan Milan (Lidl-Trek) ter caído com o seu lançador Matteo Sobrero.
O duo foi rapidamente alcançado pelos italianos Martin Marcellusi e Manuele Tarozzi (Bardiani CSF 7 Saber) e Mattia Bais (Polti VisitMalta), três incontornáveis das fugas neste Giro, que, no entanto, tiveram dificuldade em ganhar uma margem confortável para o pelotão, sobretudo depois de perderem Planckaert.
A pouco mais de 100 quilómetros da meta, Nelson Oliveira (Movistar) caiu numa curva, mas prontamente retomou a marcha, ao contrário de Nico Denz (Red Bull-BORA-hansgrohe), que pareceu atordoado, mas recebeu luz verde para seguir.
Condenada desde a sua formação, a fuga acabou a 35 quilómetros da meta, com o resto da etapa a decorrer sem sobressaltos até aos derradeiros metros: na última curva, Elmar Reinders e Dylan Groenewegen, da Unibet Rose Rockets, deslizaram no paralelo escorregadio e caíram, derrubando, entre outros, Orluis Aular (Movistar) e Tobias Lund Andresen (Decathlon).
Magnier escapou por pouco, mas Milan ainda foi com a mão ao chão, ficando impossibilitado de discutir a etapa – e já vão três hipóteses desperdiçadas por aquele que era considerado o favorito para as chegadas ao sprint.
O azar de uns foi a sorte de Davide Ballerini, que “finalmente” triunfou numa ‘grande’, à nona participação. “É muito importante, porque trabalhamos muito para isto e, no ciclismo, há sempre alguns problemas. Especialmente quando não esperamos, aparece a vitória”, concedeu.
O figueirense da Bahrain Victorious cortou a meta ao lado de Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) e integrado no pelotão, que foi creditado com o mesmo tempo do vencedor apesar dos cortes provocados pela queda, sendo António Morgado (UAE Emirates) o melhor português da etapa, no 24.º lugar.
Na sexta-feira, Eulálio enfrentará o seu primeiro teste nos longuíssimos 244 quilómetros entre Formia e o alto do Blockhaus, onde a meta coincide com uma contagem de montanha de primeira categoria à qual os ciclistas chegam após 13,6 quilómetros a subir, com uma pendente média de inclinação de 8,4%.
"Vamos ver amanhã [sexta-feira] se estou na frente ou em dificuldades", disse o camisola rosa, na 'flas-interview'
Nelson Oliveira vai partir para a primeira etapa de montanha, e sétima da 109.ª edição da ‘corsa rosa’, na 58.ª posição da geral, a 20.01 minutos do seu jovem compatriota de 24 anos, enquanto António Morgado o fará no 136.º lugar, a 44.43.
Mais importante do que a distância para os outros portugueses é a diferença que Eulálio tem para os favoritos ao triunfo final, que estão todos a mais de seis minutos, nomeadamente Vingegaard, que é 15.º classificado, a 06.22.