Comandante Jorge Paulo Pereira voa entre desafios extremos

Comandante Jorge Paulo Pereira voa entre desafios extremos

O comandante de aviação Jorge Paulo Pereira, de 63 anos, coleciona ultramaratonas em condições extremas, preparando-se para uma prova no gelo do Ártico, depois do recente desafio no deserto do Saara.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Jorge Paulo Pereira@Facebook

“É no desconforto que encontro novas partes de mim. No silêncio e na dificuldade encontro uma paz interior que depois transporto para a vida”, contou à Lusa o lisboeta, admitindo que se conhece neste tipo de provações, eventualmente até melhor do que no cockpit dos aviões.

Com 40 de aviação civil, Jorge Paulo Pereira recordou os momentos de solidão inerentes aos seus desafios, mas também à preparação para os seus passatempos, que, tal como a sua profissão, não são dados a improvisos.

O palmarés desportivo ganhou brilho em 2010, quando completou o primeiro Ironman, em Klagenfurt, na Áustria, numa experiência que quis partilhar, conseguindo-o como responsável desta icónica prova de triatlo de longa distância para Cascais, em 2017, à semelhança do que já fazia com o Swim Grand Prix, uma competição de natação em águas abertas, que também organiza desde 2012.

O mais recente feito foi conseguido em abril último, na emblemática Maratona das Areias, na sua versão ‘Legendary’, que este ano comemorou os 40 anos desta prova disputada em Marrocos.

“As dunas do deserto do Saara, durante sete dias, com 270 quilómetros em seis etapas, foram mais do que uma competição, foram dias de autodescoberta, de provar os meus limites e de ter uma melhor perceção do mundo que nos rodeia”, reconheceu, recordando a prova que levou um ano a preparar.

Disputada em autossuficiência e sob calor intenso, a prova desértica contempla uma etapa ‘maratona’, que levou Jorge Paulo Pereira ao limite.

“Uma das etapas foi bastante desafiante, com 100 quilómetros e muita areia. Passei por alucinações e tive de recolocar a minha hérnia inguinal no lugar”, recordou o português, que terminou a prova entre o primeiro terço dos cerca de 1.500 participantes, no top10 do escalão.

Um feito conseguido sem a proteção dos instrumentos ou das listas de verificação com que conta na aviação, mas com o rigor, a disciplina e a capacidade de decisão inerentes à sua profissão.

Depois das 46:37.17 empregues no deserto do Saara, cuja preparação o tinha levado em 2025 ao Evereste, segue-se, em fevereiro do próximo ano, a restrita BTU Ice Ultra, na Lapónia.

“A BTU Ice Ultra é uma das competições mais extremas do planeta. Apenas aceitam 40 participantes para os 230 quilómetros das seis etapas. A prova decorre no inverno do Ártico, com temperaturas entre os 15 e os 40 graus celsius negativos”, advertiu.

O comandante adverte que “a estratégia terá de ser perfeita”, a começar pelo equipamento, que “proteja das tempestades, permitindo correr sem suar demasiado”, para manter a temperatura corporal.

“Perante situações tão extremas, não se pode facilitar e a estratégia terá de ser perfeita. Haverá muito mais momentos de solidão, possível confusão mental e problemas de orientação, situações para as quais me vou preparar ao máximo”, prometeu.

A dois anos da idade da reforma, Jorge Paulo Pereira continua obstinado em encontrar os seus limites físicos, assegurando que “a vida ativa está ao alcance de todos”.
PUB