Comité Olímpico exclui mulheres transgénero dos jogos
A participação de atletas em provas femininas dos Jogos Olímpicos vai ficar condicionada à realização de um exame genético, a partir de Los Angeles2028, o que excluirá as mulheres transgénero, anunciou hoje o Comité Olímpico Internacional (COI).
"A elegibilidade de qualquer atleta feminina, em qualquer categoria dos Jogos Olímpicos ou evento organizado pelo COI, incluindo desportos individuais ou coletivos, está agora limitado ao género biológico feminino, (...) determinado com base na realização de um teste único do gene SRY", que já esteve em vigor entre 1968 e 1996, informou o organismo olímpico, em comunicado.
Segundo o COI, a nova política de elegibilidade "promove a justiça, segurança e integridade da categoria feminina" nos Jogos Olímpicos, em linha com a ordem executiva do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, país anfitrião da próxima edição da mais importante competição desportiva mundial.
Além da exclusão de atletas transgénero (não sendo conhecida nenhuma com resultados que permitam a participação em Jogos Olímpicos), a imposição de um teste genético vai excluir também algumas atletas intersexo, mesmo que tenham nascido com características genitais femininas, como é o caso da pugilista argelina Imane Khelif.
Khelif, de 26 anos, sagrou-se campeã olímpica da categoria de -66 kg no torneio de boxe de Paris2024, marcado pela polémica, depois de a Associação Internacional de Boxe – que foi afastada do movimento olímpico -, ter revelado estar na posse de testes, nunca divulgados, que provam que a atleta argelina é, biologicamente, do género masculino.
“O COI considera, com base em evidências científicas, que a presença do gene SRY é permanente ao longo da vida e representa uma evidência altamente precisa de que um atleta passou pelo desenvolvimento sexual masculino. Além disso, o COI considera que a triagem do gene SRY por meio de saliva, esfregaço bucal ou amostra de sangue é pouco invasiva em comparação com outros métodos”, sustentou o organismo olímpico.
O COI assinalou que existem “vantagens no desempenho individual” do género masculino em modalidades “que dependem de força, potência e/ou resistência”, mas precisou que as novas regras não têm efeitos retroativos, pelo que os resultados obtidos por atletas como Khelif não serão revistos.
“Como ex-atleta, acredito fervorosamente no direito de todos os atletas olímpicos de participarem de competições justas. A política que anunciámos é baseada na ciência e no contributo de especialistas médicos. Nos Jogos Olímpicos, margens mínimas podem significar a diferença entre a vitória e a derrota. Portanto, é absolutamente claro que não é justo que homens biológicos compitam na categoria feminina”, observou a presidente do COI, Kirsty Coventry.
A ex-nadadora olímpica zimbabueana advertiu que “todos os atletas devem ser tratados com dignidade e respeito”, pelo que “os exames médicos devem ser realizados apenas uma vez na vida”, sendo “fundamental que haja informações claras sobre o processo e que seja possível oferecer aconselhamento, além de orientação médica especializada”.