Dívida do judo pode afetar atletas e lança alarme

Portugal foi hoje suspenso pela Federação Internacional de Judo (IJF), com a indicação a ser a dada pelo organismo na sua página oficial, numa referência que afeta os seis judocas que deveriam competir nos Mundiais de Budapeste.

Nuno Patrício - RTP /

Foto: João Marques - RTP

Na página oficial da IFJ é apenas indicada a suspensão do país, sem justificação para a decisão e a cerca de duas semanas do início dos Mundiais em Budapeste, para os quais Portugal tem inscritos seis judocas.

Em causa estarão dívidas da Federação Portuguesa de Judo, presidida por Sérgio Pina, reeleito em outubro de 2024, à Federação Internacional da modalidade. Mas o presidente da Federação, em declarações à Antena 1, diz que estas dívidas já existiam antes de tomar posse do cargo.

Sérgio Pina refere que, para tentar reverter esta situação, a FPJ está em conversação com várias entidades, entre elas o Governo, IPJ, secretaria de estado e mais particularmente com o Comité Olímpico português.

O principal objectivo, refere é saldar esta divida que já vêem de 2021, referentes a despesas do Campeonato do Mundo de Juniores, bem como do “Grand Prix de Portugal.

Quanto a esta situação ter sido evitada mais cedo, o presidente da Federação Portuguesa de Judo diz que “na teoria sim. Mas esta situação ocorre de uma forma que ninguém contava e foi de aplicação imediata. Estamos a tentar reverter esta situação.”

Relativamente à presença dos atletas nacionais no próximo campeonato do mundo, já em junho, Sérgio Pina diz estrem a decorrer negociações para ver se ainda é possível.

Como pagar e escusa de responsabilidades

O presidente da FPJ, em conversa com o jornalista Frederico Moreno, da Antena 1 adianta que já foi feita uma transferência de uma verba, para diminuir o valor da dívida, junto da Federação Internacional de Judo (FIJ), quer da União Europeia de Judo (UEJ), também com o intuito dos atletas portugueses poderem competir.

Já o anterior presidente do organismo, Jorge Fernandes, destituído em dezembro de 2022, esclareceu à Lusa não “ter nada a ver com a situação”, explicando as contas deixadas quando cessou o mandato.

“Não tenho nada a ver com isso, saí há dois anos e meio. Em dezembro de 2022, eu saio. Em janeiro de 2023, com o Grand Prix de Portugal, há uma dívida de 250.000 euros à IJF. Um valor a ser pago apenas no final do evento”, começou por dizer o ex-presidente.

Jorge Fernandes justificou que o valor é pago após o evento, devido às taxas e receita da própria competição, e não previamente, e que a indicação que tem é que a atual dívida situa-se na ordem do milhão de euros.

Ainda segundo Jorge Fernandes, o acumulado, do qual rejeita qualquer responsabilidade, terá a ver com o Grand Prix de 2024 (mais 250.000 euros), o Campeonato do Mundo de juniores (300.000) e o Grand Prix deste ano (mais 250.000), que estava contratualizado e não se realizou.

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