Federação Portuguesa de Ciclismo quer punir quem desobedeçe às autoridades em eventos desportivos na via pública

Federação Portuguesa de Ciclismo quer punir quem desobedeçe às autoridades em eventos desportivos na via pública

A Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) confirmou hoje que vai propor a inclusão no Código da Estrada de punições por desobediência às autoridade em eventos desportivos disputados na via pública, após a conclusão da 87.ª Volta a Portugal em bicicleta.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Nuno Veiga - Lusa

Na conferência de imprensa de balanço à corrida, ensombrada pela morte de Finlay Tarling, ciclista britânico de 19 anos que representava a NSN Development Team e que colidiu com um veículo alheio à caravana na sexta-feira, em Ponte de Lima, na oitava e antepenúltima etapa, o presidente da FPC realçou que o organismo está a equacionar a proposta.

“Estamos a pensar fazer uma proposta para que o Código da Estrada possa ter uma punição para quem não obedece a uma autoridade, para sensibilizarmos os automobilistas que, quando há desporto na via pública, a segurança é primordial”, disse Cândido Barbosa, no átrio da Câmara Municipal do Porto, após a conclusão da 10.ª e última etapa da prova, na Avenida dos Aliados.

O responsável federativo defendeu que a GNR, responsável pela sinalização da corrida, sob a orientação do responsável do destacamento eventual de trânsito, Tiago Machado, fez “um excelente trabalho”, pese a fatalidade, e reiterou que a força de segurança prossegue “as averiguações do incidente que vitimou mortalmente Tarling.

Para Cândido Barbosa, as forças de segurança e a empresa espanhola Emesports, liderada pelo espanhol Ezequiel Mosquera, diretor da prova, organizaram “tudo na perfeição” aquilo que era “controlável”, destacando a forma como se impediu que o público colocasse em risco os ciclistas durante a descida do Monte Farinha, na etapa de sábado, que culminou no alto da Senhora da Graça.

“Naturalmente que a segurança tem vindo a ser trabalhada pela União Ciclista Internacional na última década. É notável o trabalho feito: todos os avisos, todas as bandeiras, todas as sinalizações. É difícil controlar 1.500 quilómetros de prova, mas estamos disponíveis para reforçar a segurança”, disse.

O dirigente federativo promete “mais trabalho e mais dedicação” para garantir uma melhor organização na edição de 2027, aquela em que a Volta assinala o centenário, reconhece que uma comunicação mais forte com as populações, em articulação com os poderes de proximidade, pode aumentar a segurança e vinca que a avaliação positiva à organização por parte do colégio de comissários da corrida.

“O senhor presidente deu nota máxima à Volta a Portugal em todos os aspetos, mas referiu que houve um incidente que vai ser referenciado no relatório. Não vamos dizer o contrário, porque houve um acidente e uma fatalidade de uma morte”, acrescenta.
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