Fernando Pimenta quer manter "alto nível" em 2027 para chegar a Los Angeles2028

Fernando Pimenta quer manter "alto nível" em 2027 para chegar a Los Angeles2028

O canoísta Fernando Pimenta assumiu hoje que lhe saiu do corpo o grande ano de 2026 que fez, mas que tem de estar ao mesmo alto nível para poder chegar aos Jogos Olímpicos Los Angeles2028.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Jakub Kaczmarczyk - EPA

No início do ano, o duplo medalhado olímpico mostrava-se desagradado com o novo sistema de qualificação para os Jogos de 2028, que obriga a estar no “máximo pelo menos cinco vezes na época, nas três Taças de Mundo, o Europeu e o Mundial”, com as várias distâncias a pontuarem para o ranking do K1 e não só os olímpicos 1.000 metros.

Contudo, o primeiro ano de apuramento correu bem a Fernando Pimenta, que apenas não venceu uma das Taças do Mundo, na qual ficou em segundo, mas sagrou-se campeão europeu e mundial nos 1.000 e 5.000 metros.

“É verdade [que correu bem o ano de 2026], é algo que me tem saído literalmente do corpo cada vez mais”, assumiu Pimenta, medalha de prata em Londres2012, em K2 1.000, ao lado de Emanuel Silva, e de bronze em K1 em Pequim2020.

Contudo, apesar de ser líder do ranking mundial, Pimenta lembra que “falta o restante caminho” e que tem de “fazer igual, cinco competições ao mais alto nível” para conseguir o apuramento para os seus quintos Jogos Olímpicos.

Fernando Pimenta diz ter “alguma noção” de que é um dos maiores atletas portugueses de sempre, face à conquista de “14 títulos mundiais, 15 títulos europeus, mais duas medalhas nos Jogos Olímpicos”, além de considerar que “há poucos atletas a conseguirem esses resultados de forma tão consistente”.

“Felizmente, fruto de muito trabalho com o meu treinador e as pessoas que estão à minha volta, que não são muitas, mas as que estão são boas. Acho que estamos a fazer um bom caminho, mas o caminho ainda não terminou, ainda há bastantes coisas a fazer e espero nos próximos tempos ainda a fazer mais algumas conquistas para Portugal”, referiu.

O limiano falou num painel sobre a internacionalização do desporto português na Portugal Football Summit, em Oeiras, e disse que “mais do que criar Fernandos Pimentas, é importante incentivar as pessoas a praticar desporto” e que “antes de chegar ao topo o importante é alargar a base”, começando na escola, no desporto escolar, “mas primeiro criar uma cultura desportiva”.

“É levar as pessoas a poderem experimentar as modalidades e a verem cada vez mais nos meios de comunicação social as modalidades. As coisas começam a melhorar. Infelizmente, quando fui campeão da Europa em Portugal, não houve uma única capa de jornal desportivo que saísse com uma fotografia minha e fui campeão da Europa em Portugal. Fui bicampeão do mundo e voltou a acontecer, infelizmente, em dois dias consecutivos. Isso, como é óbvio, também afeta a cultura desportiva, porque o Fernando Pimenta, felizmente, já tem alguma visibilidade, mas há outros atletas que não têm tanta visibilidade e depois acabam por ser esquecidos”, lamentou.

O canoísta considerou que dando à população “estes ícones desportivos e estas referências desportivas acaba por ser mais fácil” criar uma cultura desportiva diferente e não apenas focada em algumas modalidades.

“Tenho recebido muitas mensagens de pessoas, desde miúdos a graúdos, a dizer que começaram a praticar desporto porque se inspiraram em mim. Como se inspiram em mim, inspiram-se em outros atletas de alto rendimento. Acho que isso também faz parte do jogo, de poder dar visibilidade às modalidades para que, depois, também se consiga alavancar cada vez mais a base do desporto, quer seja ela canoagem ou outra modalidade qualquer e incentivar os mais novos a praticar”, referiu.

Pimenta deixou ainda algumas críticas à criação de infraestruturas sem consultar os atletas, os treinadores e as federações, dando o exemplo da construção de uma piscina de 19 metros, que não permite que se façam competições oficiais, disputadas em 25 ou 50.

“Acho que é importante nós ouvirmos e criarmos comissões ou grupos de trabalho para que, quando forem feitos investimentos, não seja uma pessoa que está literalmente só na secretária e nunca fez aquela modalidade a decidir o que é melhor”, alertou.

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