Investigação à LA-MSS ainda "espera perícias técnicas" um ano depois
A investigação por suspeitas de doping organizado na extinta equipa de ciclismo LA-MSS ainda "espera perícias técnicas" um ano depois, enquanto um dos corredores, castigado em primeira instância,já foi ilibado duas vezes pela Justiça desportiva.
Em causa estarão as substâncias alegadamente suspeitas e não rotuladas, encontradas junto da equipa da Póvoa de Varzim, que tiveram que ser analisadas em laboratórios estrangeiros.
Entretanto, João Cabreira, campeão nacional de fundo, foi alvo de duas suspensões por parte do Conselho Disciplinar (CD) da Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), num alegado caso de informações falsas sobre o seu paradeiro, inviabilizando um controlo antidoping surpresa, e, já relacionado com a operação de buscas, por suspeita de manipulação de uma amostra de urina.
Contudo, o Conselho Jurisdicional (CJ) da FPC retirou-lhe as sanções de 10 meses e de dois anos de suspensão, respectivamente, ilibando-o das acusações.
o corredor da Aguçadoura, agora ao serviço do Centro de Ciclismo de Loulé, já fez uma primeira queixa-crime por "denúncia caluniosa" contra o presidente do Instituto do Desporto de Portugal, Luís Sardinha, que tutela o CNAD, e inspectores antidoping, não excluindo a hipótese de mais processos "contra outros" que causaram "danos irreparáveis de imagem e credibilidade".
Por seu turno, o director do Laboratório de Análises e Dopagem (LAD), Luís Horta, também membro do CNAD, negou quaisquer falhas apontadas aos métodos do organismo, garantindo o cumprimento das regras da Agência Mundial Antidopagem (AMA), entidade que, juntamente com a União Ciclista Internacional
(UCI), terá já requerido o processo de Cabreira para estudar um eventual recurso para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), em Lausana, tal como sucedeu no caso do futebolista Nuno Assis (então no Benfica).
"Aguardamos serenamente pelas decisões das instâncias superiores competentes que, neste caso, são a AMA e a UCI. Em relação ao outro processo disciplinar, que envolve mais membros dessa equipa, a sua fase de instrução está a terminar e será entregue ao Conselho Disciplinar para uma decisão", disse o presidente
da FPC, Artur Lopes, à Lusa.
Cabreira, que domingo, devido à falta de ritmo competitivo, teve que abandonar a quarta etapa do Grande Prémio Paredes-Rota dos Móveis, e sua advogada, Marina Albino, declaram-se "sem nada a temer" da eventual apreciação do processo, agora na Suíça, até porque defendem que as proteases são substâncias
endógenas e que não estão suficientemente estudadas.
Segundo apurou a Lusa, entre os nove elementos suspensos preventivamente desde o final de Junho, só os corredores Afonso Azevedo e Cláudio Faria foram constituídos arguidos imediatamente após a acção da PJ e CNAD devido a terem sido encontradas substâncias proibidas, como hormona de crescimento e esteróides anabolizantes.
Pedro Cardoso, Tiago Silva e Rogério Baptista foram os outros atletas suspensos, tal como o presidente do Póvoa Cycling Club e principal patrocinador, Luís Almeida, o director-desportivo, Manuel Zeferino, o médico espanhol Marcos Maynar e o massagista Paulo Silva.
Para lá da alegada prática de dopagem, haverá ainda "crimes previstos e puníveis pelo Código do Processo Penal" a enquadrar a investigação, cuja decisão de dedução de acusações ou arquivamento pertence ao DIAP, após várias inquirições dos protagonistas e outras testemunhas.
Por exemplo, um dos documentos apreendidos nas buscas efectuadas às residências e viaturas dos membros e sede da equipa foi uma lista, na posse do "capitão" Pedro Cardoso, com nomes de ciclistas do pelotão nacional e supostas dívidas, mas, segundo elementos da equipa que venceu quatro das
oito edições anteriores da Volta a Portugal, trata-se apenas de verbas em falta pela compra de alguns equipamentos desportivos.