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Iúri Leitão nunca sonhou com a Volta a França mas gostava de lá estar

Iúri Leitão nunca sonhou com a Volta a França mas gostava de lá estar

Iúri Leitão nunca cogitou estar na Volta a França, mas agora, com a Caja Rural a ser uma das convidadas da 113.ª edição, o ciclista português assume que gostaria de participar numa prova que é “todo um espetáculo”.

RTP /
Foto: Dilara Irem Sancar / Anadolu via AFP

“Nunca foi [um sonho estar no Tour], porque nunca sequer cogitei que isso pudesse acontecer. Esta notícia caiu um bocado do ar, ninguém estava à espera, nem a própria equipa. E, de repente, é uma possibilidade”, confessou, em declarações à agência Lusa.

A espanhola Caja Rural vai estrear-se na Volta a França em bicicleta, anunciou em 30 de janeiro organização da prova francesa, com Iúri Leitão a declarar que se pudesse estar na 113.ª edição da ‘Grande Boucle’ “ia ficar muito contente”.

“É uma prova que todos nós ciclistas vemos desde pequenos e em que nos brilham os olhos ao ver tanto as montanhas, como os grandes sprinters a discutir a corrida e a camisola amarela, a camisola verde. Enfim, é todo um espetáculo. O ano passado tive a oportunidade de estar no Paris-Nice, que é um ‘mini-mini’ Tour, e já foi uma experiência fantástica”, realçou.

No entanto, o vianense de 27 anos prefere não alimentar ilusões, pois, como recorda à Lusa nos bastidores da 52.ª Volta ao Algarve, a formação espanhola tem muitos ciclistas,

“Se não me engano, somos 26 na equipa. Claro que os 26 querem ir e só podem ir oito. Portanto, é sempre difícil de prever se vou ou se não vou. Acho que depende muito da minha capacidade e das decisões da equipa, de qual for o objetivo”, avaliou.

De acordo com Leitão, a Caja Rural tem sido “um pouco mais conservadora quanto ao sprint”, preferindo dar “mais oportunidades aos trepadores, porque é essa a filosofia da equipa”.

“Mas temos visto que nos últimos anos a equipa tem mudado um pouco essa abordagem, está sempre em aberto. Este ano, temos dois bons sprinters, portanto, pode ser que isso mude um pouco a maneira da equipa de ver as coisas. Nunca se sabe, ainda falta muito tempo. Resta-me a mim trabalhar e esperar que possa ter essa oportunidade”, completou.

Se for convocado para o Tour e tiver de lançar Fernando Gaviria, o colombiano que chegou a ser um dos maiores sprinters do pelotão, o português garante que não terá qualquer problema em fazê-lo.


“Todos nós estamos aqui para representar a nossa equipa, para cumprir ordens. Se me for dito para trabalhar para o Gaviria, não vai ser vergonha nenhuma. Estamos a falar de um melhores sprinters da história. […] Nunca me negarei a trabalhar. Claro que se puder ter a minha oportunidade, fico contente”, resumiu.

Ainda sem um programa definido para esta temporada, Leitão explica que definirá objetivos “consoante a equipa for soltando o calendário”, mas mostrou-se contente com a forma que já demonstrou nos Europeus de pista, onde se sagrou campeão em omnium e ‘vice’ no madison, ao lado de Diogo Narciso.

“Acho que os resultados das primeiras provas do início da temporada são um bocado reflexos daquilo que foi a preparação no inverno. As sensações têm sido boas. Espero que se transportem para esta prova e que possa trazer bons resultados”, manifestou.

Referindo que “é sempre bom voltar a correr em Portugal”, o primeiro português a conquistar duas medalhas na mesma edição dos Jogos Olímpicos – em Paris2024, sagrou-se campeão no madison, com Rui Oliveira, e alcançou a prata no omnium – recordou que ‘Algarvia’ é a sua primeira prova por etapas desde a passada Volta a Portugal.

“As provas por etapas têm um charme especial. Eu sou mais adepto das clássicas, mas as provas por etapas trazem sempre mais imprevisibilidade e são provas muito mais completas. Portanto, também têm a sua beleza”, analisou.

A 52.ª Volta ao Algarve começou na quarta-feira, em Tavira, e termina no domingo, no alto do Malhão, com Leitão a ter novamente uma oportunidade de sprintar na quarta etapa, depois de ter sido 15.º na chegada a Tavira.
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