Judo/Mundiais. Tralhão com estreia promissora, Catarina Costa não resiste a Boukli

Judo/Mundiais. Tralhão com estreia promissora, Catarina Costa não resiste a Boukli

O judoca Bernardo Tralhão (-60 kg) teve hoje uma participação promissora na sua estreia em Mundiais, ao sair de Baku com duas vitórias e um nono lugar, numa competição na qual Catarina Costa (-48 kg) também foi nona.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: ACM-Judo.pt

Os dois judocas abriram a participação lusa nos campeonatos do mundo na capital do Azerbaijão, numa equipa de nove elementos, e no dia destinado às categorias mais leves ficou o sabor amargo de uma saída nos oitavos de final de cada categoria.

A olímpica Catarina Costa cedeu diante da francesa Shirine Boukli, uma adversária que bem conhece, com quem já tinha lutado quatro vezes – e perdido sempre, três das quais em finais de campeonatos da Europa.

O ‘peso’ da adversária foi evidente no combate de hoje, com Catarina Costa a ter dificuldades em impor o seu judo, num combate dominado por Boukli, que foi evoluindo até ao terceiro castigo à portuguesa e consequente eliminação, a 1.19 minutos do final.

Antes, a judoca da Académica até teve um bom início, frente à belga Victoria Sibille, ao aplicar uma técnica de varrimento no pé mais avançado da oponente [De-ashi-harai], numa projeção que lhe deu um waza-ari [segunda pontuação mais alta].

Catarina Costa, três vezes vice-campeã europeia, sai dos seus oitavos Mundiais ainda à procura de um regresso aos lugares de topo na hierarquia de -48 kg, na luta pelo apuramento olímpico.

Um pouco antes, Bernardo Tralhão, em estreia absoluta e sem estar isento na primeira ronda, teve o ‘conforto’ de vencer dois combates, frente a Moussa Yahaya, do Níger, e ao afegão Ali Popalzai.

O judoca da ACM Coimbra apostou na sua fórmula preferida, levando ambos os combates para o chão [técnica de ne-waza], vencendo Yahaya com uma imobilização e Popalzai com uma chave de braço, os dois por ippon (pontuação máxima).

Nos ‘oitavos’, com dificuldades acrescidas no caminho, o português já não teve argumentos para o experiente georgiano Giorgi Sardalashvili, campeão mundial em 2024 e europeu em 2025, que dominou o combate.

Sardalashvili, quinto nos Jogos de Paris2024, conseguiu cedo uma vantagem de waza-ari, mas o combate terminou a 13 segundos do final, quando os dois judocas estavam tapados por castigos e Tralhão viu um terceiro [eliminação].

Portugal prossegue nos Mundiais de judo nos próximos dias, com a entrada em cena na segunda-feira de Miguel Gago (-66 kg), seguindo-se ao longo da semana e até sábado as participações de Otari Kvantidze (-73 kg), Joana Crisóstomo (-63 kg), Taís Pina (-70 kg), Patrícia Sampaio (-78 kg), Jorge Fonseca (-100 kg) e Rochele Nunes (+78 kg).

Nono lugar dá "alento" a Tralhão, que espera noite mal dormida 
O judoca Bernardo Tralhão, em estreia absoluta em Mundiais, admitiu hoje ter algum “alento” por ficar em nono lugar em -60 kg, mas que vai ter uma noite de insónias por não ter conseguido ir mais longe.

“Se por um lado tenho algum alento de ter o nono lugar, não vou dormir bem esta noite, porque sei que se calhar conseguia até fazer mais. Os dois primeiros combates, tive até um sorteio acessível, o que me ajudou também a ganhar confiança, motivação, e também é combater um pouco a ansiedade”, disse no final o judoca à agência Lusa.

Tralhão, de 23 anos, judoca da Associação Mocidade Cristã (ACM) de Coimbra, começou este ano a entrar no circuito de ‘elite’ e, após a estreia nos Europeus em abril, em Tiblíssi, entrou agora nos Mundiais, num percurso que pretende consolidar.

Em Baku, onde decorrem até domingo os Mundiais, o judoca teve um bom começo, com duas vitórias por ippon, frente a Moussa Yahaya, do Níger, e ao afegão Ali Popalzai, e foi já nos oitavos de final que ‘caiu’ perante um nome muito experiente.

O georgiano Giorgi Sardalashvili, campeão mundial em 2024, europeu em 2025 e quinto nos Jogos de Paris2024, dominou o combate, sem que Bernardo Tralhão conseguisse impor o seu judo preferido, as técnicas no chão, que lhe tinham dado triunfos um pouco antes.

“Infelizmente, o terceiro combate, deparei-me com o ex-campeão do mundo, cometi erros. Também tenho que aceitar a decisão do árbitro, mas não concordo com a terceira falta, penalidade [que ditou a eliminação por três castigos]”, adiantou o judoca.

Bernardo Tralhão quer agora continuar a apostar no circuito, com o objetivo de subir na sua categoria, numa fase em que gostaria de ter resultados para entrar no Masters no final do ano, mas também a pensar no apuramento para Los Angeles2028.

“Espero que sim [ganhar pontos no apuramento]. Isto agora é sempre tentar fazer o máximo de pontos e agora não sei dizer ao certo quantos é que são. Se me deixa já minimamente próximo de conseguir com as próximas provas, por exemplo, apurar para os Masters. Vai ser uma opção um bocado difícil, mas é tentar ser ambicioso e agora à próxima prova tentar pontuar outra vez. Para já o meu objetivo é tentar ir aos Masters”, acrescentou o judoca.


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