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Meia Maratona de Lisboa recorda prova inaugural na apresentação da 35.ª edição

Meia Maratona de Lisboa recorda prova inaugural na apresentação da 35.ª edição

Rosa Mota, a única portuguesa vencedora da Meia Maratona de Lisboa, foi homenageada na apresentação da 35.ª edição da emblemática corrida da capital lusa, que, no domingo, vai contar com 30 mil participantes.

Lusa /
Rosa Mota, única portuguesa a vencer a Meia Maratona de Lisboa | Foto: Sports Press Photo via Reuters Connect

“Se me dissessem que tinham passado 35 anos, eu não acreditava. Apesar de já não conseguir andar tão rápido como andava antes, eu continuo igual, assim como a minha paixão pela corrida”, afirmou a maratonista, de 67 anos.

Na conferência de imprensa de apresentação da prova, marcada para domingo nos Paços do Concelho de Lisboa, Rosa Mota recordou o convite do presidente do Maratona Clube de Portugal, Carlos Moia, para a estreia da corrida com partida na Ponte 25 de Abril, com o estatuto de campeã olímpica e europeia da maratona.

“Mesmo com outras ofertas, aceitei este desafio”, vincou a ainda recordista nacional da maratona, com as 2:23.29 horas com que venceu pela segunda vez em Chicago, em 1985.

Moia ofereceu uma réplica da camisola da primeira edição, totalmente branca, com a ponte estampada a preto a Rosa Mota, que elogiou como “embaixadora de Portugal no mundo e única portuguesa vencedora da prova”, e ao presidente da Câmara Municipal, Carlos Moedas.

“Esta 35.ª é especial, quando me lembro do ponto de partida”, começou Moia, para prosseguir com as memórias da primeira vez, como o roubo das medalhas para os 3.400 participantes – dos quais menos de 100 do sexo feminino.

E, recordando ser natural de Ovar, exaltou a importância de Lisboa na sua vida para justificar o arrojo de criar uma prova destas: “Talvez a maior obra da minha vida tenha sido oferecer a esta cidade o que ela me ofereceu”.

“Em 1991, poucos poderiam imaginar que pontes, ruas, avenidas, habitualmente dedicadas para os carros, seriam um local de celebração. Comemoramos 35 anos de história, de persistência, com a prova de que o atletismo tem o poder de mudar pessoas, cidades e países”, referiu Moia, reconhecendo que a prova promoveu “uma verdadeira revolução que poucos têm a mudança na sua importância, porque promoveu mudanças na atividade física e, sem saberem, um investimento na saúde”.

O responsável recordou a “luta de décadas para mudar mentalidades”, contrastando os poucos participantes no “país cinzento, deprimido e muito burocrático”, de 1991, com os 30 mil que esgotaram as inscrições em outubro do ano passado.

Perante o ugandês Jacob Kiplimo, que em 2021 bateu o recorde mundial na Meia Maratona de Lisboa (57.31 minutos), Moia admitiu um último desafio, com o recente conflito no Médio Oriente, desabafando: “Pensava mesmo que a elite não chegava cá”.

Além de recordar a história da corrida, Carlos Moedas aproveitou para desafiar Kiplimo a voltar a bater o recorde do mundo – atualmente na posse do etíope Yomif Kejelcha, que, na cidade espanhola de Valência, em 2024, retirou um segundo à marca do ugandês em Lisboa, e ainda Mariana Machado, que se estreia na distância, a apontar ao recorde nacional.

“Passaram 35 anos desde a primeira Meia Maratona de Lisboa, é incrível, um marco único da nossa cidade, que nunca mais foi a mesma. Eu gosto de participar na prova, para que todos saibam que todos podemos participar, mas esta data deve servir para nos recordar o que nos deu e como mostra a nossa cidade ao mundo”, referiu.

O autarca enalteceu o simbolismo de uma corrida, que conta com 40% de estrangeiros entre os participantes, e “que percorre Lisboa, depois de partir sobre o Tejo e acabar nos Jerónimos”.

“A Meia Maratona de Lisboa deu mundo à cidade, com um postal único da nossa vida e da nossa alma”, vincou Moedas, agradecendo ainda a Moia ter “mudado muitas vidas para melhor”.

A primeira edição da corrida lisboeta foi disputada num domingo, 17 de março de 1991, consagrando Rosa Mota como a primeira vencedora feminina, em 1:09.53 horas, enquanto o britânico Paul Evans sagrou-se campeão nos homens, com o tempo de 1:01.44 horas, menos um segundo do que António Pinto.

No domingo, o Maratona Clube de Portugal conta com 30 mil inscritos na Meia Maratona de Lisboa e na prova popular de 10 quilómetros, ambas com partida da Ponte 25 de Abril, em Almada, enquanto a elite da corrida lisboeta parte da Cruz Quebrada, em Oeiras.
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