Phelps e Bolt à beira do "Olimpo"

Quatro anos depois de terem sido os "imperadores" inquestionáveis de Pequim, Michael Phelps e Usain Bolt voltam a estar sob os focos nos Jogos Olímpicos Londres2012 e podem elevar-se, definitivamente, a um nível único na galeria olímpica.

Lusa /
Phelps treina na piscina olímpica reuters pictures

O norte-americano, na piscina, e o jamaicano, o homem mais rápido da pista de atletismo, serão postos à prova na quinzena olímpica, que arranca oficialmente na sexta-feira, com a cerimónia de abertura, dois dias após o início do torneio de futebol feminino, e termina a 12 de agosto, promovendo 302 campeões olímpicos.

Na China, Michael Phelps, de 27 anos, quebrou o "mito" Mark Sptiz conquistando oito medalhas de ouro, mais uma do que o seu compatriota em Munique1972. No total, acumula 16 medalhas e só precisa de mais duas para igualar o recorde absoluto, pertença da ginasta russa Larisa Latynina (18 entre 1956 e 1964), algo perfeitamente ao seu alcance, embora desta vez prometa nadar para o ouro em "apenas" sete disciplinas.

Bolt prepara-se para tentar reeditar a tripla de ouro conseguida em 2008 nos 100, 200 e 4x100 metros, com recorde do Mundo em todas. Se o fizer, será o único atleta da história a ganhar as três provas em duas edições dos Jogos, destacando-se de Carl Lewis, vencedor das três corridas em 1984, em Los Angeles.

Para atingirem esse objetivo, ambos terão de enfrentar concorrência e os principais "inimigos" estão do mesmo lado da barricada.

Entre os nadadores norte-americanos, Ryan Lochte aproveitou a "reforma" extemporânea de Phelps após Pequim2008 para ganhar uma posição de relevo, até ao regresso da "Bala de Baltimore", que venceu dois dos três confrontos diretos nos "trials" americanos, em julho.

No seio dos velocistas jamaicanos, a "divisão" também é grande, já que Yohan Blake chega a Londres com a melhor marca mundial nos 100 metros (9,75 segundos), somente a 17 centésimos do recorde do mundo que Usain Bolt melhorou nos Mundiais de 2009, em Berlim.

Além de Phelps e Lochte, a piscina do Centro Aquático deve contar também com os desempenhos do australiano James Magnussen ou do francês Yannick Agnel, que vão tentar baralhar os dados.

No Estádio Olímpico, aguarda-se a confirmação do domínino de outros atletas, nomeadamente da multirecordista do salto com vara, a russa Yelena Isinbayeva, do queniano David Rudisha nos 800 metros, ou do etíope Kenenisa Bekele, campeão olímpico dos 5.000 e 10.000 metros, que em Londres vai apostar somente na dupla légua, para tentar o "tri".

Expetativa enorme recai também sobre os desportos coletivos, em que a Grã-Bretanha vai apresentar equipas unificadas pela primeira vez, nomeadamente no futebol proporcionando ao galês Ryan Giggs, um histórico do futebol inglês, a sua primeira participação numa grande competição de seleções, enquanto o pentacampeão do Mundo Brasil, com os portistas Hulk, Danilo e Alex Sandro, procura um título inédito do futebol olímpico.

No basquetebol, os olhos estão posto no "dream team" norte-americano, que, mesmo sem os lesionados Dwyane Wade e Derrick Rose, é amplo favorito. A Espanha, vice-campeã olímpica e atual campeã da Europa, recheada de estrelas da NBA, é uma das candidatadas a tentar contrariar a hegemonia dos Estados Unidos, que só falharam o ouro olímpico em três ocasiões, assistindo às vitórias da União Soviética em 1972 e 1988 e da Argentina em 2004.

Uns dias depois de a vitória de Bradley Wiggins na Volta a França ter mobilizado a Grã-Bretanha, o ciclismo vai estar novamente em foco, tanto na estrada, em que o inglês Mark Cavendish procura juntar o ouro olímpico ao título Mundial, como na pista, vertente de grandes tradições entre os britânicos.

No judo, o Japão é a potência a abater e costuma ter na França um dos principais rivais. Uma das grandes figuras destes Jogos pode ser o "gigante" francês Teddy Riner (2,02 m, 130 kg), que soma um recorde de cinco títulos mundiais, mas ainda persegue o ouro olímpico, depois de ter ficado pelo bronze em 2008.

É precisamente no judo que recaem as maiores esperanças de Portugal, já que Telma Monteiro (-57 kg), terceira do ranking mundial, é de entre os portugueses a que apresenta credenciais mais consistentes para ser vista candidata a lutar pelo ouro. Um bom sorteio e um dia inspirado, sobretudo num eventual confronto com a japonesa Kaori Matsumoto, líder mundial, pode ser o caminho.

Globalmente, os Estados Unidos vão tentar voltar a dominar o "medalheiro", depois de a China ter conquistado mais ouro em Pequim (51 contra 36), embora os norte-americanos tenham arrecadado mais medalhas (110 contra 100).

A Rússia, com 23 medalhas de ouro num total de 72, fechou o pódio, à frente da Grã-Bretanha (19 em 47), que apresenta nos seus Jogos o maior contingente de sempre (542 atletas), prevendo conquistar pelo menos 48 medalhas, mais uma do que em Pequim.
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