Pichardo sente a idade mas já tem agenda até Los Angeles2028

Pichardo sente a idade mas já tem agenda até Los Angeles2028

Pedro Pichardo foi hoje o segundo português a subir ao pódio nos Europeus de atletismo Birmingham2026, para receber a medalha de prata do triplo salto, um dia depois das dores na final, que não mudam os planos até Los Angeles2028.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Dylan Martinez - Reuters

Aos 33 anos, o agora duas vezes vice-campeão europeu, depois do triunfo em Munique2022, tem insistido nos planos para a reforma após atletismo, sem nunca esconder a vontade de estar nos próximos Jogos Olímpicos mas também defender, em Pequim2027, o título mundial.

“Eu tenho os Mundiais [em Pequim] em mente. E, também, obviamente, sendo 2028 o meu último ano e ano olímpico, também os Mundiais em pista coberta [em Odisha, na Índia]. Os Jogos Olímpicos, os Europeus [de 2028] e os Mundiais, já para o ano, são as competições que temos em mente”, detalhou, após a cerimónia das medalhas nos Europeus Birmingham2026.

No sábado, Pichardo conquistou a sua terceira medalha em Europeus ao ar livre, a segunda de prata, ao terminar a final com 17,76 metros, a 39 centímetros do italiano Andy Díaz, vencedor com 18,15 metros, o novo recorde de Itália, a melhor marca do ano e quarta melhor de sempre.

“Estou muito feliz e muito agradecido com todo o apoio que tenho recebido”, vincou Pichardo, que, instado a apresentar o significado desta medalha, respondeu “gratidão”.

O português recorreu à memória para recordar que salta acima de 17 metros desde 2013, quando foi vice-campeão do mundo, ainda como cubano, um resultado que repetiu dois anos depois, em Pequim2015, tendo, efetivamente, apenas uma vez ficado fora do pódio – na estreia por Portugal, em Doha2019, quando foi quarto classificado.

“É um sentimento de gratidão, sair daqui feliz com o trabalho, que eu tenho feito com o meu pai [Jorge Pichardo] e com toda a equipa que me tem apoiado, e que todas as minhas medalhas são de ouro ou prata, não tenho nenhuma de bronze. Olhando para trás, tenho feito um grande percurso”, enalteceu.

Pichardo diz sentir mudanças no corpo, tal como tinha dito na véspera, quanto às dores no tornozelo depois do primeiro salto, que o levaram a abdicar das últimas três tentativas na final.

“Antigamente, saltava e sentia dores, mas eram as dores da competição. Nos últimos tempos, tenho sentido mais as pancadas. Durante as provas já sinto as pancadas no corpo, do ‘hop’ para o ‘step’ e do ‘step’ para o ‘jump’, o corpo já dá sinais. Tenho sentido muito mais dores e é sobre isso que falo quando me refiro que estou a ficar velho, é que sinto pancadas que antigamente não sentia”, explicou.

E é nesta altura que a o fim da carreira volta à sua mente, sobretudo, com vontade de "deixar completamente o atletismo", mas no topo.

“Uma coisa que desejo é aposentar-me com boas marcas. Não gostava de me retirar com 15 ou 16 metros, gostava de sair em alta, como entrei e como cheguei aqui. Não quero acabar a carreira com 40 anos, a competir com crianças ou miúdos que me ganham sempre, por exemplo. Este é o meu desejo”, sublinhou.

Com a prata hoje entregue a Pichardo, Portugal soma duas medalhas em Birmingham2026, com o bronze de Fatoumata Diallo, nos 400 metros barreiras, aumentando para 43 o número de ‘metais’ conquistados por portugueses em 27 edições de Campeonatos da Europa.

No total de ‘metais’ em Europeus, Pichardo igualou Rosa Mota, três vezes campeã europeia, e Sara Moreira, que além de um título tem duas medalhas de prata, ficado apenas atrás de Francis Obikwelu, que conta quatro, três das mais valiosas e uma de prata.
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