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Rugby de Setúbal acusa adeptos do CRAV de racismo e minhotos respondem com queixa-crime
O clube Rugby de Setúbal acusou hoje adeptos do CRAV de insultos racistas e agressões num jogo em Arcos de Valdevez, tendo o clube minhoto negado os factos e anunciado uma queixa-crime por difamação contra os sadinos.
Num comunicado nas redes sociais, a Academia de Rugby Club de Setúbal vem denunciar publicamente os incidentes "vergonhosos e criminosos" ocorridos no sábado, durante a quarta jornada da fase final do Campeonato Nacional, relatando que o juiz de linha, Daniel Sebastián, foi alvo de insultos racistas constantes “por parte de adeptos da equipa visitada”, na segunda parte.
“O termo ‘macaco’ foi proferido repetidamente. O racismo e a xenofobia não são “calor do jogo", são crime”, lê-se na mesma nota.
Segundo a direção do clube setubalense, após o apito final, registou-se uma "invasão de campo" por parte de adeptos do Clube de Rugby de Arcos de Valdevez que “desceram da bancada para agredir o juiz de linha”, tendo o presidente e treinador do Setúbal, João Terlim, sido agredido ao tentar proteger o colega.
O Rugby de Setúbal alega ainda que, “num ato de total conivência e falta de ética”, o árbitro principal impediu o registo dos factos no boletim de jogo tentando, alega o emblema sadino, “silenciar a verdade perante as instâncias disciplinares”.
Perante o sucedido, o Rugby de Setúbal já reuniu provas de vídeo para enviar à Federação Portuguesa de Rugby (FPR) e à Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto (APCVD), sublinhando que não aceitarão “que o racismo e a violência física sejam varridos para debaixo do tapete por quem deveria zelar pela justiça no campo”.
Em resposta, a direção do emblema de Arcos de Valdevez repudiou as acusações, classificando-as como "mentiras" e "deturpações" que visam manchar os 45 anos de história da instituição.
"O CRAV é uma instituição que nunca esteve associada a atos racistas ou xenófobos. Pelo contrário, na sua comunidade conta com elementos de várias proveniências e etnias", refere o clube minhoto num comunicado nas redes sociais, sublinhando o seu estatuto de utilidade pública.
Face ao que considera serem declarações "caluniosas", o clube de Arcos de Valdevez anunciou o corte imediato de relações institucionais com o emblema de Setúbal e a intenção de apresentar uma queixa por difamação em tribunal civil.
O CRAV manifestou ainda "total disponibilidade e colaboração" para eventuais processos de averiguação que venham a ser instaurados pelas instâncias disciplinares do desporto.