Zverev conquista Roland Garros

Zverev conquista Roland Garros

O alemão Alexander Zverev, número três mundial, conquistou o seu primeiro título do Grand Slam ao impor-se num longo duelo de cinco sets ao italiano Flavio Cobolli na final de Roland Garros.

RTP /
Reuters

Até hoje considerado o melhor tenista da sua geração sem um Grand Slam, o alemão de 29 anos ganhou finalmente um ‘major’, após três finais perdidas, ao derrotar o 14.º jogador mundial, por 6-1, 4-6, 6-4, 6-7 (5-7) e 6-1, em quatro horas e 16 minutos.

“Este court é tão especial para mim, aqui vivi os melhores momentos da minha carreira e os piores, mas finalmente tenho o meu final feliz”, disse, aludindo à grave lesão no tornozelo direito que sofreu há quatro anos no encontro das ‘meias’ com Rafael Nadal e à final perdida em 2024.

Três décadas depois, a Alemanha volta a ter um campeão masculino num torneio do Grand Slam, com o número três mundial a suceder a Boris Becker, vencedor do Open da Austrália em 1996, após um encontro em que Flavio Cobolli sentiu demasiado a pressão de estar a estrear-se na final de um ‘major’.

“Tiveste duas semanas inacreditáveis, jogares assim a tua primeira final de um Grand Slam é incrível. Nem todos o conseguem”, elogiou, dirigindo-se ao amigo, que espera “do fundo do coração” que ganhe um destes torneios em breve.

Numa edição de Roland Garros absolutamente caótica, Zverev beneficiou da ausência do bicampeão Carlos Alcaraz, por lesão, e do colapso físico do número um mundial Jannik Sinner na segunda ronda para cumprir o seu destino.

Figura polémica do circuito, quer pelas declarações despropositadas ou falta de ‘fair-play’, mas sobretudo por duas acusações de violência doméstica – chegou a ser condenado pelo tribunal de Berlim, mas recorreu e chegou a acordo para evitar um julgamento público -, o campeão olímpico de Tóquio2020 conquistou, finalmente, o título que lhe faltava.

Destacado favorito, iniciou a final a quebrar o serviço do jovem de 24 anos, que acusou o peso do momento e entrou desastrado no encontro, sofrendo outros dois ‘breaks’ para perder o primeiro set em apenas 35 minutos.

O italiano, que chegou à final mais ‘fresco’, após nem ter entrado em court para disputar as ‘meias’ devido à desistência do compatriota Matteo Arnaldi, só ‘despertou’ no início do segundo parcial, para contentamento do público, desejoso de ver mais ténis no court Philippe-Chatrier.

Cobolli nunca tinha passado a terceira ronda de Roland Garros – a presença nos ‘quartos’ de Wimbledon2025 era o seu melhor resultado em ‘majors’ – e hoje demorou a encontrar o seu nível, quebrando finalmente o alemão no sétimo jogo do segundo set.

O 10.º cabeça de série segurou a vantagem, fechando com 6-4 e relançando a final, perante um Zverev que perdeu os seus anteriores três encontros decisivos em Grand Slams, nomeadamente no Open da Austrália, no ano passado, em Roland Garros, em 2024, e no Open dos Estados Unidos, em 2020, estes dois últimos após ter vencido os dois primeiros parciais.

Embora maioritariamente apoiado pelo público, o italiano voltou a acusar a pressão do momento, quando servia para manter-se no terceiro set, sofrendo o ‘break’ que deu o 6-4 ao alemão, que não defrontou qualquer jogador do top 10 mundial no caminho rumo ao título.

O segundo pré-designado pareceu relaxar e foi quebrado logo na entrada do quarto set, mas, fazendo uso da sua maior experiência nestes ‘palcos’, devolveu o ‘break’ no sexto jogo.

No entanto, o aguerrido Cobolli fez o ‘contra-break’ e pareceu ‘embalar’ para o triunfo no quarto parcial, antes de ser travado nas suas pretensões por um Zverev em dificuldades físicas.

O set foi decidido no ‘tie-break’, com o estreante a cometer um erro clamoroso, mas a fechar no ponto seguinte.

O nível do menos cotado dos finalistas decaiu abruptamente no início do derradeiro parcial, com este a sofrer dois ‘breaks’ para ver-se a perder rapidamente por 4-0, antes de pedir assistência médica.

Completamente ‘desligado’ do encontro, o jovem de 24 anos ainda sofreria um novo ‘break’, despedindo-se de forma inglória.

“Se alguém me perguntasse quem era mais merecedor deste título, respondia que tu. Estou feliz por ti, mas também estou triste, porque estive perto e sinto isso. Agora que cumpriste o teu sonho, deixa-me ganhar da próxima vez”, brincou Cobolli, antes de admitir ter sentido “um pouco a pressão”.

Antes de Zverev erguer o troféu masculino, já a checa Katerina Siniakova e a norte-americana Taylor Townsend tinham conquistado o primeiro título em Roland Garros e o seu terceiro Grand Slam como dupla.

As primeiras cabeças de série bateram a cazaque Anna Danilina e a sérvia Aleksandra Krunic, segundas pré-designadas, por 6-2 e 7-5.

Para Siniakova, este foi o quarto título na ‘catedral’ da terra batida, onde ganhou em 2018, 2021 e 2024, e o 11.º título do Grand Slam.

(Com Lusa)
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