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Noite histórica no ténis feminino mantém vivo sonho português na Billie Jean King Cup
Depois das vitórias sobre Alemanha e Dinamarca, a número um nacional protagonizou uma reviravolta emocionante no Jamor, igualou recordes históricos na Seleção e garantiu que Portugal continua a sonhar com o regresso aos Play‑Offs da Billie Jean King Cup.
A Seleção Nacional feminina viveu uma jornada longa, intensa e memorável no Complexo de Ténis do Jamor, onde fechou o dia com triunfos sobre a Alemanha (2‑1) e a Dinamarca (2‑0, com os pares ainda por disputar) na pool D do Grupo I da zona Europa/África da Billie Jean King Cup by Gainbridge.
O derradeiro match point português surgiu já depois das 22.00 horas, sob a iluminação do court 1 — o primeiro set fora disputado no central, sem luz artificial — e teve como protagonista Francisca Jorge, visivelmente emocionada após um triunfo que simbolizou muito mais do que um simples ponto na eliminatória.
Depois de, frente à Alemanha, ter conquistado a primeira vitória da carreira sobre uma jogadora do top‑100, abrindo caminho à reviravolta depois selada nos pares com a irmã Matilde, a número um nacional (187.ª do ranking WTA) voltou a assumir o papel de líder diante da Dinamarca. No entanto, o arranque foi tudo menos fácil.
Após Angelina Voloshchuk ter dado o primeiro ponto a Portugal diante das nórdicas, Francisca Jorge entrou mal no duelo com Johanne Christine Svendsen (595.ª), cedendo o primeiro set por expressivos 0‑6. Longe de se deixar abater, respondeu como é hábito: com atitude, entrega total e a recusa em baixar a raqueta.
Já noite cerrada, apoiada pelas companheiras no banco e por um público que se juntou em redor do court 1 para a empurrar emocionalmente, a vimaranense assinou uma recuperação notável. Somou 11 jogos consecutivos, converteu seis dos 16 pontos de break que dispôs e salvou seis dos dez que enfrentou, fechando o encontro com os parciais de 1‑6, 6‑0 e 6‑2, ao quinto match point, após 1.53 horas de batalha.
No final, vieram os braços erguidos, o abraço prolongado à capitã Neuza Silva, o coração desenhado com as mãos na direção das bancadas e as lágrimas nos olhos — o retrato fiel de um dia carregado de nervos, pressão e superação.
Além de manter Portugal na luta pelo regresso aos Play‑Offs da mais importante competição feminina por equipas, Francisca Jorge garantiu também o seu nome na história da Seleção Nacional. Com esta vitória, igualou as 18 vitórias em singulares até aqui exclusivamente detidas por Michelle Larcher de Brito e alcançou as 35 eliminatórias disputadas ao serviço de Portugal na prova, máximo que pertencia a Ana Catarina Nogueira.