Carlos Barbosa diz que não há alternativa ao projecto de Filipe Soares Franco

O presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP), Carlos Barbosa, disse hoje que vai adoptar o projecto de sustentabilidade financeira de Filipe Soares Franco, se for eleito presidente do Sporting.

RTP /

"É facílimo, é o que está, não há muitas alternativas", disse Carlos Barbosa à Agência Lusa, para quem "é fundamental que todo o património vá para a SAD", porque não se pode ter "um Sporting falido e uma SAD saudável", nem tão pouco "a SPM (Sporting Património e Marketing) fora das duas, tem de estar dentro da SAD".

O presidente do ACP, que se encontra em Buenos Aires, referiu que "foi isso que Soares Franco tentou fazer e não conseguiu" e é esse o caminho que seguirá.

Quanto à decisão de avançar ou não, Carlos Barbosa diz ter três pessoas a trabalhar consigo, as quais "estão a montar um esquema em relação às peças que faltam", no sentido de avaliar com rigor o que se passa e o que "é preciso fazer" para então tomar uma decisão.

Essa decisão, garantiu, será tomada sexta-feira, quando chegar a Lisboa, depois de analisar o relatório dos seus colaboradores, designadamente em relação "ao plano para uma área tão importante como o futebol".

"Se achar que consigo, direi aqui estou eu, o projecto é este e as pessoas são A, B, C e D. Se achar que não consigo, direi porque é que não tenho condições para avançar"
, disse Carlos Barbosa, que assegurou não estar com "ganância ou vaidade" para ir para o Sporting, "ao contrário do que se tem visto com outros candidatos".

Antes de implementar o projecto de sustentabilidade financeira de Soares Franco, Carlos Barbosa considera necessário "pôr os sportinguistas a ver os jogos, aumentar o número de sócios e a facturação", para que se possa ter "os encargos cumpridos a horas".

No contexto actual, considera que "a Banca já não manda nos clubes", como acontecia antigamente, quando os presidentes "se atravessavam com livranças para garantir os empréstimos aos clubes" e que "hoje são as sociedades responsáveis pela gestão e pagamentos aos bancos".

"É preciso criar condições para pagar à Banca o que se lhe deve, senão, entra-se num círculo vicioso, não se paga aos bancos, não se tem dinheiro, não se compra jogadores, não se ganha, não se tem receitas", alerta Carlos Barbosa, que explicou a razão de ter dito que era preciso "limpar o Sporting".

Na sua perspectiva, Filipe Soares Franco fez "um trabalho excepcional" e acabou por não realizar o que queria, porque "havia uma série de grupinhos que, em vez de contribuírem para os sucesso do clube, contribuíram para o desgaste da direcção", levando a que esta "estivesse mais preocupada com certas coisas do que em fazer crescer o Sporting".

Sobre essas certas coisas, referiu "a enorme preocupação da Direcção em fazer descer o défice", o qual, sendo importante, fez esquecer "outras vertentes muito importantes dentro do Sporting".

"É preciso acabar de uma vez por todas com estes grupos que minam o clube e aparecerem pessoas que nada têm a ver com o passado, que não estão alinhadas com A, B ou C, e que podem levar o Sporting para a frente", dispara Carlos Barbosa, que fala ainda de "ambiente de intriga, guerras internas, de quintazinhas, de conversas de corredor em que todos falam à frente muito bem uns com os outros e todos dizem mal uns dos outros por trás", frisou.

Voltando ao trabalho que se propõe fazer no Sporting, Carlos Barbosa dá o exemplo do que lhe sucedeu no ACP, quando entrou, em que verificou que "as condições eram favoráveis a que se pudesse dar a volta" e que "hoje o ACP tem seis empresas autónomas, ganha dinheiro, tem conselhos de administração separados em cada uma delas".

A existência de duas candidaturas no terreno e a possibilidade de outra estar a se preparar para avançar não condicionam Carlos Barbosa, que revelou que no ACP foi o último a concorrer, "quando as outras candidaturas já estavam instaladas, com apoios e tudo".

Sexta-feira será "o dia D" para a sua decisão, altura em que chegará a Lisboa para de seguida se encontrar com os três colaboradores encarregues do relatório que solicitou. Se decidir avançar garante que "é para ganhar!".

C/ LUSA

 

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