Bruno Carvalho afasta Vieira das eleições de sexta-feira

O Tribunal Cível de Lisboa deu seguimento à providência cautelar apresentada por Bruno Carvalho, a qual solicitava a suspensão da deliberação que aceita a candidatura do presidente demissionário. Desta forma, Luís Filipe Vieira não pode apresentar-se às eleições desta sexta-feira. Bruno Carvalho acredita que vai mesmo sozinho a votos. Porém, a Mesa da Assembleia Geral do Benfica afirma que a citação do tribunal tem "diversos vícios".

RTP /
Bruno Carvalho acredita que vai mesmo sozinho a eleições Foto: Lusa

Bruno Carvalho pode mesmo ir sozinho a votos na sexta-feira. O Tribunal Cível de Lisboa suspendeu a deliberação que aceita a candidatura de Vieira, dando seguimento à providência cautelar em que Bruno Carvalho invocava os estatutos do clube e afirmava que Vieira não poderia candidatar-se durante seis anos por se ter demitido voluntariamente.

O advogado de Bruno Carvalho, Francisco Pimentel explica que, de acordo com a lei, a Mesa da Assembleia Geral do Benfica não pode permitir que Vieira vá a votos.

"Bruno Carvalho interpôs em tribunal uma providência de suspensão de deliberações sociais. O tribunal entendeu ordenar a citação do Benfica, num juízo de prognose, e depois de analisar a petição apresentada por Bruno Carvalho. A lei diz que, ordenada a citação, e citada a sociedade ou associação, não lhe [ao Benfica] é licito cumprir com a decisão impugnada", diz Francisco Pimentel.

"Hoje só temos um candidato às eleições no Benfica de dia 3 de Julho. A suspensão dura até ao fim do julgamento em primeira instância", explicita.

O advogado Francisco Pimentel explica que é praticamente impossível que Vieira se possa candidatar às eleições desta sexta-feira: "Era preciso que o Benfica contestasse, que fosse marcado julgamento, que fossem ouvidas testemunhas, que fosse feito o julgamento e que fosse lida a sentença antes de sexta-feira".

Bruno Carvalho apela à serenidade

Bruno Carvalho acredita que esta decisão do tribunal vai ter efeitos práticos e que vai ser candidato único às eleições para a presidência do Benfica.

"Mal estaria o mundo se o actual presidente do Benfica não respeitasse uma decisão de um tribunal. Como é que é possível um presidente do Benfica não respeitar a decisão de um tribunal? Onde é que chegou o Benfica?", questiona.

Na recta final de uma campanha eleitoral atribulada, o candidato da lista B apelou à serenidade dos benfiquistas.

"Comigo esta situação nunca teria acontecido e garanto aos benfiquistas que nunca se repetirá. É preciso que se aja com toda a consistência numa situação destas", afirmou Bruno Carvalho, referindo-se ao conturbado período de campanha para as eleições antecipadas de 3 de Julho.

"Apelo a toda a serenidade dos benfiquistas, porque o Benfica vai ser gerido com toda a correcção", acrescentou.

Durante uma conferência de imprensa que convocou para reagir à decisão do Tribunal Cível de Lisboa de suspender a candidatura de Luís Filipe Vieira à presidência do Benfica, Bruno Carvalho voltou a reafirmar a intenção de convocar eleições seis meses depois de tomar posse como presidente.

"Se eu for candidato único às eleições, como tudo indica que vou ser, irei de imediato pedir a convocação de uma nova Assembleia Geral com o intuito de convocar novas eleições seis meses depois", insistiu.

"Quero ser presidente do Benfica, tenho um grande projecto para o Benfica. Tenho sido muito apoiado pelas pessoas que são do Benfica, mas quero ser presidente sentindo o apoio dos benfiquistas nas urnas e com a discussão democrática de ideias e de projectos a que sempre nos habituou o Benfica", sublinhou.

O Benfica já foi citado desta suspensão. Em comunicado, a Mesa da Assembleia Geral põe em causa a citação do tribunal afirmando que "esta citação sofre de diversos vícios". O presidente da Mesa, Manuel Vilarinho, vai reagir de viva voz a esta citação numa conferência de imprensa marcada para quinta-feira, às 19 horas.
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