Viagem pelas curiosidades e medalhas de 27 edições de Jogos Olímpicos

O Rio de Janeiro acolhe a 28ª edição das Olimpíadas de verão da era moderna. O acontecimento maior do desporto mundial começou em 1896, tendo por base uma ideia de Pierre de Coubertin. Embarque nesta viagem pelas medalhas, boicotes e curiosidades de 27 edições de Jogos Olímpicos.

Atenas 1896:
A ideia de Coubertin

O pedagogo e historiador francês Pierre de Coubertin fica para a História como o fundador do Jogos Olímpicos da era moderna. A primeira competição teve início a 6 de abril de 1986, tendo contado com 311 atletas de 14 países. Destes 311, mais de dois terços eram gregos.

Na altura houve nove modalidades em competição e os vencedores não recebiam medalhas de ouro. Era-lhes entregue uma medalha de prata e uma coroa de louros.

Ainda não havia piscinas, tendo as provas de natação sido disputadas em mar aberto, na baía de Zea. Aristidis Konstantidinis ganhou a prova de estrada no ciclismo, utilizando três bicicletas para percorrer os 87 quilómetros da prova.

O grego Spiridon Louis foi o primeiro vencedor da Maratona. Os Estados Unidos a nação com mais provas ganhas.

Paris 1900
A balbúrdia francesa

Paris seguiu-se a Atenas. Na capital francesa não foram entregues medalhas aos vencedores das provas. O país organizador foi mesmo aquele que mais vitórias conseguiu, numa competição em que o australiano Frederick Lane ganhou os 200 metros livres.

Lane bateu aquele que foi à época considerado um fantástico recorde do mundo, tendo beneficiado da ajuda da natureza. A prova decorreu no Rio Sena e o nadador beneficiou da força da corrente.

Charlotte Cooper tornou-se a primeira mulher a conseguir um primeiro lugar nos Jogos Olímpicos, tendo vencido no Ténis. O norte-americano Alvin Kraenzlein foi a grande figura, com quatro vitórias.

Mas não foram só os resultados a marcar a competição. O fundador Pierre de Coubertin levou os Jogos para a cidade natal e não correu bem. Paris acolhia também a Exposição Universal de 1900 e foi a balbúrdia. Os Jogos arrastaram-se por cinco meses, acando por figurar entre os piores de sempre.
St. Louis 1904
Estreia fora da Europa

Oito anos depois de Atenas, realizam-se os primeiros jogos fora do Continente Europeu. A equipa da casa, os Estados Unidos, dominou como nunca: conseguiu 96 medalhas de ouro.

Harry Hilman tornou-se o único atleta a vencer na mesma edição os 400 metros e os 400 metros barreiras. Mais de um século depois continua a ser um facto inédito.

Mas nem todos os resultados terão sido muito justos. Frank Kugler tornou-se o primeiro atleta a ganhar três medalhas de ouro em diferentes modalidades. Acabou por descobrir-se que tinha andado 18 quilómetros de carro.

George Eyser conseguiu seis medalhas de ouro na ginástica, tendo-se descoberto mais tarde que tinha uma perna de pau.
Londres 1908
42.195 na maratona

Em 1908, Londres acolhe os terceiros jogos no Continente Europeu. Pela primeira vez houve desfile das bandeiras naquele que foi o início dos Jogos mais longos de sempre: foram 188 dias, entre 27 de abril e 31 de outubro.

O Reino Unido foi o país com mais medalhas. Foi também nesta competição que a maratona passou a ter oficialmente 42.195 metros em resposta a um capricho da rainha que queria que a prova tivesse início no castelo de Windsor.

A edição de 1908 fica também marcada pela vitória de Forrest Smithson, que terminou em primeiros os 110 metros barreiras com uma bíblia na mão. Foi nesta edição das Olimpíadas que Coubertin disse uma das suas frases míticas: “O importante nos Jogos não é ganhar mas competir”.
Estocolmo 1912
A estreia de Portugal

1912 é o ano da estreia de Portugal em Jogos Olímpicos. A equipa lusa entra na quinta edição das olimpíadas, a quarta que se realiza em território europeu.

A estreia fica marcada pela morte do maratonista Francisco Lázaro que foi o porta-estandarte da delegação. António Stromp, António Pereira (Luta), J. Vital (Luta), F. Correia (Esgrima) e Armando Cortesão (Atletismo) foram os restantes representantes lusos.

Os Estados Unidos saíram de Estocolmo como a delegação que mais medalhas de ouro ganhou pela terceira vez. Estocolmo 1912 foi ainda a edição onde se testou pela primeira vez o photofinish.


Antuérpia 1920
Todos os continentes

Em 1916, os Jogos Olímpicos não se realizaram devido à I Guerra Mundial. As Olimpíadas acabariam por regressar em 1920 em Antuérpia.

Para os quintos jogos em território europeu, a segunda representação portuguesa em Olimpíadas apresentou-se com14 elementos, em apenas duas modalidades (esgrima e tiro).

A norte-americana Aileen Riggin, com 14 anos, tornou-se na mais jovem campeã de sempre. Conquistou três medalhas ouro nos saltos para a água. Por sua vez, o sueco Óscar Swahn tornou-se no mais velho campeão olímpico de sempre ao conquistara prova de tiro por equipas com 72 anos.

Antuérpia 1920 foi a primeira edição onde participaram atletas dos cinco continentes. Os Estados Unidos voltaram a ser a delegação com mais medalhas de ouro.
Paris 1924
A primeira medalha lusa

Em 1924, Paris torna-se na primeira cidade a receber as olimpíadas pela segunda vez. São os sextos jogos realizados no Continente Europeu e aqueles onde Portugal conquista a sua primeira medalha olímpica.

A proeza lusa realiza-se no hipismo. Aníbal Almeida, Hélder Martins e José Albuquerque conquistam o bronze na prova de obstáculos por equipas. Portugal estreia-se ainda na natação, vela e ténis.

Em termos internacionais, o finlandês Paavo Nurmi é a grande figura da competição, tendo levado nove medalhas de ouro. É em Paris que é utilizada pela primeira vez a piscina de 50 metros, com Johnny Weissmuller - que teria também uma carreira cinematográfica, no papel de Tarzan - a sagrar-se o primeiro vencedor.

Estes são também os primeiros jogos com transmissão radiofónica e aqueles em que o ténis se despede das Olimpíadas. Só regressaria em 1988. Os Estados Unidos são, pela quinta vez, a delegação com mais medalhas de ouro conquistadas.
Amesterdão 1928
Começa o desfile dos países

Em 1928, Portugal estreia-se no futebol naqueles que são os sétimos Jogos no Continente Europeu. A seleção lusa fica-se pelos quartos de final, perdendo por 1-2 com o Egito. Pepe é a grande figura.

Portugal conquista em Amesterdão a sua segunda medalha olímpica, levando para Lisboa o bronze da espada por equipas em Esgrima.

O japonês Mikkio Oda torna-se o primeiro atleta asiático a conquistar o ouro com uma vitória no triplo salto. A Índia conquista a sua primeira medalha de ouro (hóquei em campo), numa competição em que, uma vez mais, os Estados Unidos são os que conquistam mais primeiros lugares.

Os jogos de Amesterdão são os primeiros em que há o desfile dos países com a Grécia em primeiro lugar, sendo também a primeira vez que é acesa a chama olímpica.
Los Angeles 1932
Medalhas entregues no pódio

Em 1932, os Estados Unidos acolhem os segundos Jogos fora do Continente Europeu. Apenas seis atletas portugueses participam na edição em que, pela primeira vez, passou a haver distribuição das medalhas no pódio.

A equipa da casa, os Estados Unidos, é a que conquista mais medalhas pela sétima vez.


Berlim 1936
Jesse Owens vs. Adolf Hitler

Poucos anos antes do início da II Guerra Mundial, Berlim acolhe os oitavos Jogos na Europa. São os primeiros a realizar-se na Alemanha, sendo nesta edição que o norte-americano Jesse Owens enerva Adolf Hitler.

Os Jogos são idealizados pelo chanceler germânico, ficando associado à vontade de Berlim em defender a supremacia ariana perante as outras etnias. A Alemanha consegue mesmo ser a delegação com mais medalhas, muito por conta da grande mobilização nacional do regime nazi.

No entanto, o nazismo de Hitler acaba por sair derrotado. O afro-americano vence os 100 metros, os 200 metros, a estafeta e o salto em comprimento. Owens termina como grande ídolo dos Olímpicos. É aclamado por todas as nações.

É também em Berlim que Portugal conquista a sua terceira medalha olímpica – bronze em hipismo na prova de salto com obstáculos. Esta é também a edição em que o basquetebol, andebol e canoagem fazem a sua estreia. Londres 1948
Os jogos da austeridade

As Olimpíadas não se realizam em 1940 e 1946, na sequência da II Guerra Mundial. Os jogos regressam em 1948 para a nona edição em território europeu. Londres torna-se a segunda cidade a repetir os jogos, depois de Paris.

Estes são os primeiros jogos a que Pierre Coubertin, fundador das Olimpíadas da era moderna, não assiste – faleceu em 1937. Estes jogos ficam na história como os “Jogos da Austeridade”, ocorrendo numa cidade que recupera da guerra, numa Grã-Bretanha que, a par da Europa, atravessa grandes dificuldades económicas.

A Alemanha e o Japão não participam nesta edição dos Jogos. Pela oitava vez, os Estados Unidos são a delegação com mais medalhas de ouro. É nesta edição que são usados blocos de partida pela primeira vez nas provas de velocidade.

Portugal conquista pela primeira vez duas medalhas numa edição das olimpíadas. Duarte e Fernando Bello conseguem prata na vela, com Portugal a conquistar ainda o bronze no hipismo (ensino por equipas).

Helsínquia 1952
O ano da locomotiva humana

A Finlândia acolhe em 1952 os décimos jogos no Continente Europeu, sendo a edição em que Ferenc Puskas dá o título olímpico à Hungria no futebol.

Depois de Londres, a Alemanha e o Japão foram autorizados a competir nesta edição, na qual também a União Soviética se estreia.

O checo Emil Zatopek, conhecido como a locomotiva humana, conquistou três títulos olímpicos nas provas de fundo: 5.000 metros, 10.000 metros e Maratona. Um feito ainda hoje único.

Portugal envia 72 atletas para Helsínquia, naquela que é a maior delegação de sempre até à altura. Os lusos conquistam a sua sexta medalha olímpica: um bronze arrecadado por Joaquim Fiúza e Francisco Andrade na classe Star de vela.

Estes são também os jogos em que o luxemburguês Josef Barthel conquista, nos 1.500 metros, a única medalha de ouro até hoje conquistada para o país. Mais sorte tem os Estados Unidos, que voltam a ser a delegação com mais primeiros lugares.


Melbourne 1956
Atletas em Austrália, Cavalos na Suécia

É já na segunda metade do século XX que os jogos chegam à Oceânia e ao hemisfério sul. Em 1956, a União Soviética obtém ouro no futebol, à conta do lendário Lev Yashine.

A Irlanda obtém uma das duas medalhas de ouro da sua história, com Ronnie Delay a vencer nos 1.500 metros. As provas de Equitação foram realizadas em Estocolmo porque a Austrália não permitia a entrada a cavalos.

Espanha, Holanda e Suíça não mandaram delegações aos Jogos, em resposta à invasão das tropas soviéticas à Turquia. A União Soviética é a delegação que mais medalhas de ouro conquista.

Nesta edição dos Jogos tem lugar um encontro que fica na história como o “banho de sangue” devido à violência dos confrontos entre dirigentes e atletas. Foi na final do Polo Aquático, entre a Hungria e a União Soviética. A Hungria acabou por vencer.

É em Melbourne que ganha destaque a ginasta ucraniana Larissa Latynina, que conquista quatro medalhas de ouro. Latynina permanece hoje como a atleta feminina com mais medalhas de sempre (18).
Roma 1960
A primeira transmissão televisiva

Depois da Oceânia, Roma acolhe as olimpíadas em 1960. É a 11ª edição no Continente Europeu. Portugal participa com 70 atletas em 11 modalidades.

Os atletas lusos conquistam a sétima medalha da história portuguesa, com o segundo lugar conquistado por José Manuel Quina e Mário Quina na classe Star de vela.

É em Roma que se realiza a primeira transmissão televisiva dos jogos em direto para 18 países. Esta é a última vez em que a África do Sul participa, tendo retomado as participações em 1992, já depois do fim do apartheid.

Estes jogos concretizam também o domínio soviético na ginástica, com a URSS a vencer 15 das 16 medalhas de Ouro da modalidade. Em termos internacionais há duas personalidades que ganham destaque: o etíope Abebe Bikila torna-se o primeiro negro a vencer a maratona, tendo o feito descalço.

Em Roma, Cassius Clay, que mudaria mais tarde o nome para Muhammad Ali, depois de se tornar muçulmano, conquista a medalha de ouro no boxe com apenas 18 anos.
Tóquio 1964:
À conquista da Ásia

Os Jogos Olímpicos chegam ao Continente Asiático já na década de 60. Nesta estreia participam 93 países que competem em 19 modalidades. Portugal envia 21 atletas mas não conquista qualquer medalha.

No Japão, o norte-americano Billy Mills vence os 10.000 metros, sendo esta, até hoje, a única vitória dos Estados Unidos nesta distância em Olimpíadas.

A australiana Dawn Fraser torna-se nestes jogos a primeira mulher a percorrer os 100 metros livres em menos de um minuto. Os Estados Unidos são a delegação com mais medalhas de ouro pela décima vez.
México 1968
Protestar contra o racismo

Em 1968, os Jogos Olímpicos regressam ao Continente Americano mas não aos EUA. Portugal participa com 20 atletas e não conquista qualquer medalha – mantém-se a sina: Portugal só consegue medalhas na Europa.

Na Cidade do México competem a Alemanha Oriental (RDA) e a Alemanha Ocidental (RFA).

O norte-americano Jim Hines torna-se no primeiro atleta olímpico a percorrer os 100 metros em menos de dez segundos. O também norte-americano Bob Beamon salta 8,90 metros no salto em comprimento, valor que ainda hoje é recorde olímpico.

A Cidade do México é ainda palco de uma demonstração de “Black Power”. Tommie Smith e John Carlos sobem ao pódio erguendo o punho com luvas pretas, em protesto contra o racismo.

Pela 11ª vez, os Estados Unidos são a delegação que mais medalhas de ouro conquistam.


Munique 1972
O atentado que apaga os Jogos

Munique fica marcada pelo massacre dos atletas israelitas por um grupo terrorista palestiniano. O atentado ocorre a 5 de setembro, quando 11 elementos da equipa israelita são feitos reféns pelo grupo Setembro Negro. Os membros da equipa israelita acabariam por morrer.

Estes são os primeiros jogos em que mais de 100 países desfilam na cerimónia de abertura. Pela primeira vez numa edição, são atribuídas sete medalhas de Ouro a um mesmo atleta: o norte-americano Mark Spitz vence os 100 e 200 metros mariposa, 100 e 200 metros livres, e as estafetas de 100 e 200 metros livres e 100 metros estilos.

A comitiva portuguesa apresentou-se só com homens: eram 29 atletas mas não houve qualquer medalha.

Os Estados Unidos recusaram-se a receber a medalha de prata na final do Basquetebol frente à U. Soviética, naquele que foi o jogo mais controverso na história da modalidade, devido a um erro de arbitragem no último segundo, com o jogo a terminar 50-49.

A União Soviética saiu de Munique como a delegação com mais medalhas de Ouro.
Montreal 1976
Duas medalhas depois de Abril

O Canadá recebe os seus primeiros jogos em 1976, sendo a quarta edição no Continente Americano. Vários países africanos boicotaram as Olimpíadas.

Estes foram os primeiros jogos de Portugal depois da Revolução de Abril de 1974. Os atletas lusos conquistaram duas medalhas, um feito que só tinha ainda acontecido em Londres 1948.

O atleta Carlos Lopes trouxe uma prata nos 10.000 metros. Também Armando Marques conseguiu o segundo lugar no tiro fosso olímpico. Esta é a primeira vez que Portugal consegue medalhas fora da Europa.

Em destaque esteve também a ginasta Nadia Comaneci (14 anos) e que conseguiu três medalhas de ouro e a primeira nota 10 na Ginástica feminina. No total, a União Soviética foi a delegação que mais medalha de Ouro conquistou.
Moscovo 1980
Boicote ao quarto M

Pela quarta vez consecutiva, os jogos foram organizados em cidades começadas pela letra M (Mexico City, Munique, Montreal e Moscovo). Devido ao boicote dos Estados Unidos e aliados, apenas 80 países participaram. Sessenta e cinco boicotaram.

Marita Koch (RDA) foi campeã olímpica dos 400 metros, sendo ainda hoje a recordista. Portugal participou mais ou menos no boicote, levando apenas 11 atletas. Carlos Lopes foi um dos que ficou de fora.

A União Soviética foi a delegação que mais medalhas conquistou.
Los Angeles 1984
O ouro de Carlos Lopes

Los Angeles sorriu a Portugal. Os atletas lusos têm a sua melhor prestação de sempre, tendo conquistado três medalhas, uma das quais de ouro.

A medalha de ouro foi ganha por Carlos Lopes na maratona, eram três da manhã em Portugal. Também na maratona, Rosa Mota conquistou o bronze. António Leitão ficou em terceiro lugar nos 5.000 metros.

A competição fica também marcada pela prestação de Carl Lewis que conquistou quatro medalhas de Ouro. As vitórias foram precisamente nas mesmas quatro provas que Owens venceu nos jogos de Berlim: 100 metros, 200 metros, estafeta e salto em comprimento.

O português Alexandre Yokochi torna-se no primeiro português a participar numa final olímpica, tendo ficado em sétimo lugar nos 200m bruços.

Em resposta ao boicote dos Estados Unidos aos Jogos Olímpicos de Moscovo, metade dos países do bloco de leste não competiu. Os Estados Unidos foram a delegação que mais medalhas de ouro conquistou.


Seul 1988
O ouro de Rosa Mota

Em Seul bate-se um novo recorde. Participam 160 países em 27 modalidades. Rosa Mota conquistou a medalha de Ouro na maratona, naquela que é a primeira medalha conquista na Ásia por Portugal.

O nadador português Alexandre Yokochi ganhou a final B dos 200 metros bruços. Domingos Castro ficou em quarto lugar nos 5.000 metros, tendo sido ultrapassado a centímetros da meta.

A velocista norte-americana Florence Griffith-Joyner venceu três medalhas de ouro e uma de prata. Um resultado insuficiente para que a União Soviética fosse a delegação com mais primeiros lugares.
Barcelona 1992
Grande comitiva, maior deceção

Barcelona permanece como a única cidade da Península Ibérica a ter organizado os Jogos Olímpicos. Os únicos jogos realizados na Península Ibérica.

Foram os olímpicos mais perto de território nacional, e Portugal respondeu com a maior delegação de sempre: 101 atletas. Uma grande comitiva levou a uma deceção ainda maior. Não houve qualquer medalha, com o canoísta José Garcia a conseguir a melhor posição para Portugal – um sexto lugar.

Espanha conseguiu13 medalhas de Ouro, um recorde para o país. Tudo mudou para o desporto espanhol a partir deste momento. Barcelona fica na história também como a edição em que a Alemanha voltou a apresentar equipa unificada.


Atlanta 1996
O ouro de Fernanda Ribeiro

As olimpíadas regressaram ao Continente Americano em 1996, para uma edição em que Portugal foi feliz. Nos 10.000 metros, Fernanda Ribeiro conquistou o ouro para Portugal. Na Vela, Hugo Rocha e Nuno Barreto conquistaram a prata da Classe 470.

A edição que assinalou o centésimo aniversário das olimpíadas ficou ainda marcada pela vitória da Nigéria no futebol – a primeira vitória coletiva da África num desporto coletivo masculino. Portugal também participou no torneio olímpico de futebol tendo conseguido um quarto lugar.

Os jogos de Atlanta foram para esquecer. Pelo menos para os britânicos, tendo o Reino conseguido um dos piores resultados de sempre. O Reino Unido conquistou apenas uma medalha de ouro.
Sydney 2000
A vez do judo

Portugal foi a Sydney e conquistou a primeira medalha de sempre para o judo português. O feito foi conseguido por Nuno Delgado, que ficou em terceiro lugar na categoria de menos 81 quilos.

O judo tornou-se assim na sexta modalidade com medalhas para Portugal depois do Hipismo, Esgrima, Vela, Atletismo e Tiro.

Portugal trouxe ainda uma segunda medalha de bronze, conquistada por Fernanda Ribeiro nos 10.000 metros. Os Estados Unidos voltaram a ser a equipa que medalhas de ouro conquistou.


Atenas 2004
Ciclismo também dá medalha

Em 2004, Atenas entra no grupo de cidades que já recebeu os Jogos Olímpicos por duas vezes. A cidade é palco para uma medalha de prata de Sérgio Paulinho, que consegue o segundo lugar na prova de estrada de ciclismo. Paulinho ficou a apenas um segundo do italiano Paolo Bettini.

O ciclismo torna-se a sétima modalidade com medalhas para Portugal, depois do Hipismo, Esgrima, Vela, Atletismo, Tiro e Judo.

A comitiva portuguesa trouxe ainda mais duas medalhas. Francis Obikwelu conquistou a prata nos 100 metros, tendo perdido o ouro para Justin Gatlin.

Também em atletismo, Rui Silva conquistou o bronze nos 1.500 metros. É a 20ª medalha olímpica da história do desporto português. Pela segunda vez na história, Portugal consegue três medalhas na mesma edição das olimpíadas.
Pequim 2008
A vez de Nélson Évora

Depois do Japão e da Coreia do Sul, a China torna-se o terceiro país asiático a receber os Jogos. Pequim é palco para a conquista da 21ª medalha olímpica portuguesa.

A proeza é de Vanessa Fernandes, que consegue o segundo lugar no triatlo. Vanessa perdeu o primeiro lugar para Emma Snowsill. O triatlo torna-se a oitava modalidade com medalhas para Portugal, depois do Hipismo, Esgrima, Vela, Atletismo, Tiro, Judo e Ciclismo.

Quem conseguiu o ouro foi Nélson Évora no triplo salto. O português saltou 17,67 metros, fazendo as alegrias do povo lusitano. A vitória confirma a sina portuguesa: as suas quatro medalhas de Ouro foram sempre conquistadas fora da Europa, todas no atletismo.

Em Pequim, Michael Phelps tornou-se no atleta com mais medalhas de ouro num só torneio: oito medalhas, batendo as sete de Mark Spitz.

Mesmo assim, o resultado foi insuficiente para que os EUA fossem o país com mais medalhas de Ouro. Foi a China quem, pela primeira vez, conquistou maior número de primeiros lugares.


Londres 2012
Centenário sem ouro português

Há quatro anos, Londres tornou-se a primeira cidade a receber os Jogos Olímpicos pela terceira vez na História. Portugal foi centenário neste ano, assinalando-se os 100 anos a participar nas Olimpíadas (1912 – 2012).

Mesmo assim, Portugal continuou sem conquistar medalhas de ouro em competições realizadas na Europa. A única medalha lusa em Londres foi conseguida por Fernando Pimenta e Emanuel Silva na Canoagem (K2 – 1000 metros).

A canoagem tornou-se na nona modalidade com medalhas para Portugal, depois do hipismo, esgrima, vela, atletismo, tiro, judo, ciclismo e triatlo.
Portugal chega ao Rio de Janeiro com 23 medalhas conquistadas em anteriores Olimpíadas: quatro ouros, oito pratas e onze bronzes.
Portugal conseguiu assim a sua 23ª medalha da História, menos uma dos que as conseguidas, sozinho, pelo norte-americano Michael Phelps.

Em Londres, o nadador ultrapassou as 18 medalhas de Larissa Latinina, tornando-se no atleta com mais medalhas de sempre em olimpíadas.

A jogar em casa, a Grã-Bretanha conseguiu a sua melhor participação de sempre com 65 medalhas. O evento ficou ainda marcado pelas exibições de Usain Bolt, que conquistou o ouro nos 100, 200 metros e na estafeta.

Os Estados Unidos bateram o recorde de número de medalhas de Ouro (46). Foram, pela 16ª vez, a nação que mais medalhas conquistou numa edição dos Jogos Olímpicos.

Fotografias: Reuters